quarta-feira, 27 de julho de 2016

Vacina contra Alzheimer pode começar a ser testada em humanos em 3 a 5 anos

Pesquisadores dos EUA e da Austrália desenvolveram uma nova vacina contra o Alzheimer, que já pode começar a ser testada em pessoas nos próximos 3 a 5 anos. A fórmula afeta proteínas do cérebro que desempenham papéis importantes no desenvolvimento e progressão da doença.

Em pacientes com Alzheimer, proteínas beta-amilóide formam placas e se agrupam no cérebro, enquanto as proteínas tau formam emaranhados na região. Acredita-se que essas placas e emaranhados interrompem a sinalização entre as células nervosas e contribuem para sua morte. A vacina desenvolvida pelos pesquisadores gera anticorpos que agem em cima dessas duas proteínas.

Em relatório para a Scientific Reports, os especialistas descreveram como a vacina estimula a resposta de anticorpos para as proteínas do Alzheimer, e tem se mostrado segura e eficaz nos testes com ratos e tecido cerebral humano.

Desenvolvimento da vacina

Os pesquisadores passaram décadas procurando maneiras de prevenir e tratar o Alzheimer. Entre 2002 e 2012, mais de 400 ensaios clínicos foram realizados em todo o mundo, mas apenas uma nova droga, que induz alívio a curto prazo, foi desenvolvida. Por causa desse desempenho ruim, o National Institute of Health investiu mais de 1 bilhão de dólares em 2016 para pesquisas relacionadas ao Alzheimer.

A evolução no tratamento do alcoolismo

Na mesma época em que a medicina avançava nos campos da cardiologia e endocrinologia, o tratamento do alcoolismo estava estagnado e se resumia a: Alcoólicos Anônimos e Dissulfiram, também conhecido como Antabuse ou Antabus, a primeira e, até então, única intervenção farmacológica aprovada pelo FDA.

Esse atraso se deveu muito à crença popular de que a cura para o alcoolismo dependia da força de vontade do doente. Mas a partir dos anos 90, estudos clínicos e inquéritos epidemiológicos avançaram e possibilitaram separar os dependentes em dois grupos principais: o primeiro, formado pelas pessoas que sentem grande excitação ao beber; o segundo, por indivíduos que bebem para aliviar o estresse e a ansiedade.

Em 1994, foi aprovado o segundo medicamento para tratar o alcoolismo: a naltrexona, droga que atua no sistema opióide e bloqueia os efeitos de recompensa do álcool, evitando as recaídas. O terceiro medicamento aprovado pelo FDA foi o acamprosato, droga que inibe neurotransmissores que estimulam a crise de abstinência. Em 2003, um estudo encontrou evidências que topiramato, medicamento usado em casos de epilepsia, enxaqueca e distúrbios alimentares, era capaz de reduzir o número de drinques diários, aumentando os dias de abstinência.

Nos últimos anos, os avanços na medicina permitiram compreender melhor os mecanismos que levam à liberação de neurotransmissores relacionados à sensações de prazer, euforia, agressividade e dependência química, e descobrir novos tratamentos para a doença. Em 2015, pesquisadores testaram a vareniclina em ratos de laboratório dependentes químicos. Os resultados mostraram que a droga reduz a ânsia por álcool. É provável que os efeitos sejam semelhantes em seres humanos.

Pelas estimativas dos pesquisadores, dentro dos próximos 5 a 10 anos, já seja possível oferecer medicamentos eficazes que ajudem o paciente a livrar-se completamente da dependência do álcool.

Com informações de Vanessa Thees - Saúde & Tecnologia 

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Teste de urina para detecção de câncer de próstata

Um novo tipo de teste de urina que detecta RNA de genes associados ao câncer de próstata pode identificar mais de 90% dos homens com níveis de antígeno prostático específico elevado (PSA) e neoplasias de alto grau, de acordo com um estudo publicado on-line 31 de março de 2016 no JAMA Oncology.

Os pesquisadores preveem que o teste também poderia reduzir os diagnósticos de câncer de próstata de baixo risco para a maioria dos homens que apresentam um nível de PSA na zona limítrofe, e isso iria resultar em menos biópsias desnecessárias.

“O teste tem o potencial para ser uma melhoria significativa sobre PSA sozinho na distinção entre o câncer de próstata de elevado e baixo grau, especialmente na zona cinzenta de pacientes com PSA elevado”, disse o primeiro autor do estudo James McKiernan.

O teste ExoDxTM Prostate(IntelliScore) foi desenvolvido por um grupo de pesquisa de Cambridge -  Exosome Diagnostics of Cambridge – e detecta RNA de três genes (ERG, PCA3, and SPDEF) ligados ao desenvolvimento e progressão do câncer prostático.

Embora outros ensaios de sangue e urina também possam prever risco de câncer de próstata de alto grau na biópsia inicial, este teste é o único ensaio baseado em urina, que não requer um exame de toque retal ou massagem de próstata antes da coleta, e poderia facilmente ser integrado no ambiente clínico.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Identificado antibiótico veterinário que bloqueia passagem de zika para o feto

Um novo estudo feito por cientistas americanos mostra como o vírus zika passa da mulher grávida para o feto. Os pesquisadores também identificaram uma droga que pode bloquear a entrada do vírus no organismo do feto em desenvolvimento.

De acordo com os autores, há duas vias para que o vírus chegue ao feto: pelas células da placenta, durante o primeiro trimestre de gravidez, e pelo saco amniótico - a membrana que envolve o bebê e o líquido amniótico -, durante o segundo trimestre.

Em um estudo feito em laboratório com tecidos humanos, os pesquisadores mostraram que um antigo antibiótico veterinário, chamado Duramycin, consegue bloquear a replicação do vírus em células que o transmitem nas duas vias de infecção. O Duramycin é um antibiótico produzido por bactérias para destruir outras bactérias. Seu uso é comum em animais e em testes clínicos para pessoas com fibrose cística. Estudos recentes têm mostrado, em experimentos de culturas de células, que ele também é eficaz contra flavivírus, como os vírus da zika, da dengue e da febre Oeste do Nilo, e contra filovírus, como o vírus Ebola.

A pesquisa foi realizada por cientistas da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) e da Universidade de Califórnia em Berkeley (UCB) - ambas nos Estados Unidos - e publicada na revista científica Cell Host & Microbe.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Adoçantes artificiais podem aumentar apetite

Investigadores australianos descobriram por que motivo os adoçantes artificiais podem aumentar o apetite, tendo identificado um novo sistema no cérebro que detecta e integra o conteúdo doce e energético dos alimentos, refere um estudo publicado na revista “Cell Metabolism”.

Milhões de pessoas no mundo inteiro consomem adoçantes artificiais, sendo estes prescritos como uma ferramenta para tratar a obesidade, apesar de, até à data, pouco de saber do seu real impacto no cérebro e na regulação da saciedade.

Este estudo, levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Sydney, na Austrália, identificou como os adoçantes artificiais podem estimular o apetite, bem como uma rede neuronal complexa que responde aos alimentos adoçados artificialmente diz ao organismo que não ingeriu energia suficiente.

No estudo, os investigadores expuseram moscas da fruta a uma dieta com adoçante artificial durante longos períodos de tempo, tendo verificado que estes animais consumiam 30% mais calorias que aqueles que ingeriam alimentos com adoçantes naturais.

Após terem investigado por que motivo os animais estavam a comer mais, apesar de terem ingerido as calorias necessárias, os investigadores verificaram que o consumo crônico do adoçante artificial aumentava a intensidade da doçura do açúcar, que por sua vez aumentava a motivação dos animais para ingerirem mais comida.