sexta-feira, 6 de maio de 2016

Medicamentos devem vir antes de vacina antizika

Como a vacina contra o vírus da zika deve surgir apenas no longo prazo, cientistas e farmacêuticas vão apostar primeiro no desenvolvimento de medicamentos para tentar proteger as pessoas afetadas pela epidemia viral.

Em três anos, é possível que existam no mercado drogas que protejam o sistema neuronal contra o zika. Já uma vacina segura e eficaz deve demorar três vezes mais.

Os fármacos poderão impedir o desenvolvimento da microcefalia, associada a infecção por zika, e todos os efeitos negativos que surgem com a má formação fetal.

"Já vimos que é possível desenvolver um tratamento com medicamentos para proteger quem tiver contato com o zika", afirma Mauro Teixeira, farmacologista da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Para o cientista brasileiro, que participou nesta semana do encontro anual da Rede Mundial de Virologia, em Atlanta, no sul dos Estados Unidos, o atalho para uma droga eficaz passa pelo uso de moléculas já testadas.

Com o medo dos americanos de que o zika chegue ao país, algo que deve ocorrer nos próximos meses, segundo estimativas do pesquisador Scott Weaver, da Universidade do Texas, os cientistas brasileiros foram o centro das atenções do evento.

A associação entre antivirais e neuroproteção é um caminho promissor, diz Teixeira. No laboratório, o pesquisador comprovou que uma molécula usada em um medicamento para o mal de Alzheimer pode proteger o sistema neuronal contra o vírus da zika.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Uma em cada cinco pessoas pode ter sensibilidade ao glúten

Inchaço abdominal, cansaço e dor de cabeça são apenas alguns dos sintomas comuns em pessoas que sofrem com a doença celíaca e a síndrome do intestino irritável. Entretanto, eles também estão presentes em diversas pessoas que não sofrem com a doença. Segundo nova pesquisa, uma a cada cinco pessoas apresentam esses sintomas porque tem apenas sensibilidade ao glúten.

Um estudo promovido pela Sociedade Italiana de Hospitais Gastroenterológicos e publicado o periódico científico Nutrients envolveu 15 centros multidisciplinares. Os pesquisadores examinaram 140 pacientes entre 18 e 75 anos por um período de seis meses.

Três em cada cinco pacientes que interromperam a ingestão de glúten deixaram de sofrer com sintomas e distúrbios atribuídos à síndrome do intestino irritável ou a outras alterações do funcionamento do aparelho digestivo. Além disso, um em cada cinco voltaram a ter os sintomas quando o glúten foi reintroduzido, mesmo que “escondido” em pílulas.

Como diagnosticar a sensibilidade ao glúten 

Pela falta de biomarcadores específicos, o diagnóstico da sensibilidade ao glúten (sem ligação com a doença celíaca) vem por exclusão. Para verificar se os sintomas relatados pelos pacientes foram efetivamente causados por causa do glúten e também excluir outras causas, os pesquisadores colocaram os pacientes em uma dieta sem glúten por três semanas e verificaram qual foi o andamento desses sintomas a médio prazo.

Pesquisador desenvolve nova membrana para tratamento de queimadura

Usando compostos orgânicos com propriedades regenerativas, membrana pode ser alternativa promissora para materiais caros atualmente utilizados em aplicações biomédicas.

Uma pesquisa de pós-doutorado que está sendo realizada na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga, e com o apoio e financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), promete trazer uma solução mais barata do que as peles biossintéticas usadas hoje por quem sofreu queimaduras. Daniel López Angulo investiga o uso de gelatina, quitosana, aloe vera e do muco excretado por caracóis para produzir um novo tipo de membrana para ser colocada na pele queimada, promovendo sua regeneração e estimulação de células. O estudo é orientado pelo professor Paulo José do Amaral Sobral, cientista do Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC – Food Research Center).

 “Muitas pessoas sofrem acidentes com água quente ou fogo, infelizmente, uma elevada percentagem destes acidentes ocorrem em famílias com recursos financeiros limitados e, além disso, a recuperação é lenta e gera grandes períodos de tempo em que a pessoa é incapaz de trabalhar, gerando um alto nível de estresse no grupo familiar. Nosso projeto busca desenvolver um material mais barato e eficaz que as membranas convencionais e enxertos”, afirma Angulo. O Brasil não tem estimativas oficiais sobre o problema, mas os cálculos mais recentes apontados pela Sociedade Brasileira de Queimaduras indicam que pelo menos um milhão de pessoas são vítimas de queimaduras no País por ano, sendo que dois terços deste total envolvem crianças.

Fisioterapia entra na luta contra enxaqueca

Tratamento contra enxaqueca ganha importante aliado. Para amenizar a dor crônica que acompanha significativa parcela da população em todo o mundo, estudos da USP de Ribeirão Preto comprovaram a eficácia da fisioterapia associada ao tratamento convencional com medicação. A pesquisa foi realizada por pesquisadores de diferentes áreas da saúde ligados à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e trata-se do primeiro ensaio clínico, conduzido por grupo brasileiro, que mostra a atuação fisioterápica sobre enxaqueca.

O objetivo foi conhecer a ação de técnicas específicas aplicadas no pescoço de pessoas que sofrem da doença, já que essa abordagem ainda é pouco conhecida nacionalmente. Conta a fisioterapeuta Lidiane Lima Florencio, integrante da equipe da USP, que 50 pacientes seguidos no Ambulatório de Cefaleia do Hospital das Clínicas da FMRP (HCRP), todas mulheres em tratamento medicamentoso, participaram do estudo.

As pacientes foram separadas aleatoriamente em dois grupos: um que, além dos medicamentos, passou por atendimento fisioterápico durante um mês, e outro, que só recebeu medicação convencional para a doença. Os resultados deixaram claro que “a adição do tratamento da fisioterapia, direcionado ao pescoço, ao tratamento convencional medicamentoso, acelera a melhora clínica, a percepção quanto a essa melhora, a satisfação com o tratamento e ainda reduz a sensibilidade dolorosa local”, confirma a fisioterapeuta Lidiane.

Redução de dor 

Logo após o término das sessões, ainda no primeiro mês de avaliação, o grupo que teve fisioterapia associada ao tratamento reduziu em 4,49 dias de dores de cabeça no mês. No mesmo período, o grupo controle, só da medicação, tinha reduzida apenas 3,68 dias.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Medicamentos de Risco

Buscar a felicidade e a paz em uma pílula frente às agruras do dia a dia também pode levar uma pessoa bem mais perto da morte. Estudo publicado no “American Journal of Public Health” identificou uma explosão no número de vítimas de overdose associada ao uso de medicamentos benzodiazepínicos, popularmente conhecidos como calmantes, nos EUA, entre 1996 e 2013. O número de mortes ultrapassou em muito o crescimento, também significativo, no consumo dessas substâncias no mesmo período.

Sintetizados pela primeira vez no início da década de 1960, os compostos benzodiazepínicos trouxeram uma revolução na forma de lidar com distúrbios psíquicos. Chamados ansiolíticos, e também apelidados de “drogas da paz”, eles são receitados para tratar de ansiedade à insônia, passando por estresse, tristeza, fobias e outros transtornos de humor muito comuns na sociedade moderna. Com isso, eles logo se tornaram os medicamentos psicotrópicos (que agem no sistema nervoso central) mais usados no mundo. Embora sejam muito mais seguros que as opções anteriores, como os chamados barbitúricos (que tiveram entre suas vítimas mais famosas a atriz Marilyn Monroe, morta em 1962), seu consumo indiscriminado, principalmente quando aliado ao uso de outras drogas lícitas e ilícitas, em especial álcool e analgésicos opioides, pode ser extremamente perigoso.

Assim, segundo os pesquisadores liderados por Marcus Bachhuber, professor da Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova York, esses medicamentos estão por trás de nada menos que 31% das quase 23 mil fatalidades relacionadas a medicamentos controlados no país em 2013, levando a uma taxa de 3,14 mortes a cada 100 mil adultos naquele ano, um aumento de mais de quatro vezes frente à 0,58 morte por 100 mil adultos registrada em 1996. Enquanto isso, nesses mesmos 18 anos, o número de prescrições subiu “apenas” 67%, de 8,1 milhões para 13,5 milhões.