domingo, 28 de agosto de 2016

Luva sensorial para mamografias e exames médicos

Medir pressão sem compressão

As mulheres que já passaram por uma mamografia sabem o quanto a "medicina moderna" pode se mostrar "medieval" no sentido mais negativo do termo: dificilmente alguém chamaria esse exame de agradável ou não-intrusivo.

Felizmente já há soluções a caminho: a própria mulher logo poderá detectar nódulos com mais precisão por meio do autoexame usando luvas de borracha sensíveis à pressão.

Já existem muitos sensores de pressão, inclusive para colar sobre a pele, mas nenhum até agora conseguia medir a pressão com a precisão suficiente para aplicações médicas quando é dobrado ou fica enrugado - algo que é necessário para incorporá-los em luvas.

"Eu me dei conta de que muitos grupos estão desenvolvendo sensores flexíveis que podem medir pressão, mas nenhum deles é adequado para medir objetos reais, uma vez que são sensíveis à distorção. Essa foi a minha principal motivação e eu acho que nós propusemos uma solução eficaz para este problema," disse Sungwon Lee, idealizador do sensor.

Planta da Mata Atlântica é 10 vezes mais eficaz contra parasitas

Pariparoba-murta

Um princípio ativo encontrado nas plantas da espécie Piper malacophyllum, popularmente conhecida como pariparoba-murta, apresentou uma atividade antiparasitária até 10 vezes maior do que os medicamentos mais usados atualmente contra os protozoários causadores da doença de Chagas e da leishmaniose visceral.

Com resultados tão animadores obtidos em ensaios de laboratório, os pesquisadores já começaram a sintetizar as moléculas com vistas ao desenvolvimento de novos medicamentos.

"Foi identificado nessa planta um composto com ação antiparasitária chamado gibilimbol e nosso grupo já sintetizou mais de 15 análogos. Fizemos pequenas modificações na estrutura da molécula com o objetivo de aumentar sua eficácia," contou o professor João Paulo Fernandes, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Manteiga faz mal para a saúde? O que dizem as evidências

Qual é o verdadeiro impacto que a manteiga tem sobre a saúde? Esse é um tema frequentemente debatido entre os profissionais de saúde. Tradicionalmente, a recomendação é limitar a ingestão de ácidos graxos saturados em favor dos insaturados. Como manteiga é um dos alimentos mais elevados em gordura saturada, o conselho dado tem sido de limitar seu consumo.

A manteiga é mesmo prejudicial?

Comer manteiga aumenta o risco de desenvolver doenças cardiovasculares? Atualmente, nenhum estudo responde formalmente essa questão. Uma meta-análise publicada recentemente na revista PLOS One questiona a hipótese de que a manteiga tem um efeito prejudicial. Seus autores compilaram nove estudos observacionais realizados em 15 países para chegar a uma conclusão clara: consumir manteiga não está associada a um aumento no risco de doenças cardiovasculares. Eles também não encontraram nenhuma relação entre dose e efeito.

A grande mídia rapidamente usou esse estudo para exaltar as virtudes da manteiga, alegando que esse alimento injustamente acusado é benéfico para a nossa saúde, mas os profissionais de saúde ainda devem ser cautelosos ao orientar seus pacientes.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Brasil tem dificuldades para adotar a medicina de precisão

Tratar indivíduos, e não apenas a doença. Esse é o conceito da medicina de precisão, um instrumento que identifica o tratamento certo, na hora certa, para o paciente certo. Por minimizar a prescrição de drogas caras — e, às vezes, ineficientes — e seus inconvenientes colaterais, a estratégia promete otimizar os cuidados com a saúde. 

No entanto, o caminho para a implementação do modelo no Brasil é longo: obstáculos regulatórios, escassez de recursos humanos e técnicos e as complexidades de um sistema de saúde que se divide em público e privado separam a população do tratamento de excelência, diagnosticam pesquisadores brasileiros na revista The Lancet Oncology.

Liderado pelo oncologista gaúcho Stephen Stefani, o painel de especialistas se reuniu em Miami, nos Estados Unidos, em novembro passado, para listar os desafios da implementação da medicina de precisão no Brasil e propor soluções. A reunião foi um convite da Fundação Saúde das Américas (FSA). 

Segundo os médicos, a crescente compreensão da patologia molecular de tumores combinada com uma onda de novas drogas e tecnologias de diagnóstico traduziu-se em melhorias substanciais na sobrevida para os pacientes com cânceres. Apesar disso, de 30% a 40% deles são medicados com drogas cujos benefícios são superados por altos custos de tratamento e efeitos colaterais evitáveis.

Descoberta molécula que combate dor sem os efeitos adversos da morfina

Em 1805, o assistente de farmácia Friedrich Serturner descobriu o poder analgésico de uma substância presente na flor de papoula. Surgiu, então, a morfina. Mais de dois séculos depois, o medicamento continua sendo um dos mais utilizados para combater a dor aguda e crônica, mas os efeitos colaterais causados por ele — como problemas respiratórios e dependência química — preocupam médicos e pacientes. 

Para evitar essas complicações, cientistas têm buscado substitutos para a droga. Em uma pesquisa divulgada na última edição da revista britânica Nature, foi apresentado um candidato promissor ao cargo. Investigadores dos Estados Unidos encontraram uma molécula que, em ratos, provocou os mesmos efeitos do famoso opioide, sem os danos colaterais.

A busca pelo novo medicamento contou com um grande número de análises computacionais em cerca de 3 milhões de compostos comercialmente disponíveis. “Essa droga promissora foi identificada por meio de uma combinação intensa de rastreio transcontinental, uso de computadores, química medicinal, intuição e extensos testes pré-clínicos”, detalhou, em um comunicado à imprensa, Brian Kobilka, professor de fisiologia molecular e celular na Universidade de Stanford (EUA) e um dos autores da pesquisa.

Os investigadores procuravam uma molécula que, como os analgésicos opioides, agisse sobre o receptor mu e combatesse a dor. Também não poderia interferir na via de sinalização da proteína beta-arrestina, mecanismo que provoca problemas respiratórios.