terça-feira, 26 de junho de 2012

Maconha e seu uso terapêutico


A erva pode acalmar dores, controlar náuseas e amenizar o estresse. Na América Latina, apenas alguns cientistas e políticos defendem a autorização do seu uso terapêutico.     

Pesquisas desenvolvidas principalmente na Europa e América do Norte indicam a efetividade da maconha para controlar náuseas e dores provocadas por tratamentos contra o câncer e a aids.
      

O agente químico ativo da maconha é o tetrahidrocannabiono (THC), que se pode ingerir ao fumar ou mascar suas folhas, ou em cápsulas, e também serve para tratar glaucomas e aliviar dores da artrite e esclerose múltipla, além de minimizar o estresse e ser tranquilizante. As cápsulas são fabricadas atualmente nos Estados Unidos sob a marca Marinol. Entretanto, as supostas virtudes da planta são conhecidas há séculos. Em 1545, o rei Felipe II da Espanha ordenou que fossem plantadas fileiras de Cannabis, ou cânhamo, em todo seu império, entusiasmado com os dotes medicinais e alimentícios da planta e suas aplicações na fabricação de papel, cordas e toscas vestimentas para os pobres sem acesso a tecidos de algodão ou linho.
  

O uso medicinal da maconha é tão antigo quanto a maconha. Hoje há muitas pesquisas com a cannabis para usá-la como medicamento. Segundo o farmacólogo inglês Iversen, não há dúvidas de que ela seja um medicamento útil para muitos e fundamental para alguns, mas há um certo exagero sobre seus potenciais. Em outras palavras: a maconha não é a salvação da humanidade. Um dos maiores desafios dos laboratórios é tentar separar o efeito medicinal da droga do efeito psicoativo - ou seja, criar uma maconha que não dê "barato". Muitos pesquisadores estão chegando à conclusão de que isso é impossível: aparentemente, as mesmas propriedades químicas que alteram a percepção do cérebro são responsáveis pelo caráter curativo. Esse fato é uma das limitações da maconha como medicamento, já que muitas pessoas não gostam do efeito mental. No Brasil, assim como em boa parte do mundo, o uso médico da cannabis é proibido e milhares de pessoas usam o remédio ilegalmente. Conheça alguns dos usos:

Câncer

 



Pessoas tratadas com quimioterapia muitas vezes têm enjoos terríveis, eventualmente tão terríveis que elas preferem a doença ao medicamento. Há medicamentos para reduzir esse enjoo e eles são eficientes. No entanto, alguns pacientes não respondem a nenhum medicamento legal e respondem maravilhosamente à maconha. Era o caso do brilhante escritor e paleontólogo Stephen Jay Gould, que, no mês passado, finalmente, perdeu uma batalha de 20 anos contra o câncer. Gould nunca tinha usado drogas psicoativas - ele detestava a ideia de que interferissem no funcionamento do cérebro. Veja o que ele disse: "A maconha funcionou como uma mágica. Eu não gostava do 'efeito colateral' que era o borrão mental. Mas a alegria cristalina de não ter náusea - e de não experimentar o pavor nos dias que antecediam o tratamento - foi o maior incentivo em todos os meus anos de quimioterapia".

Aids

 



Maconha dá fome. Qualquer um que fuma sabe disso (aliás, esse é um de seus inconvenientes: ela engorda). Nenhum medicamento é tão eficiente para restaurar o peso de portadores do HIV quanto a maconha. E isso pode prolongar muito a vida: acredita-se que manter o peso seja o principal requisito para que um soropositivo não desenvolva a doença. O problema: a cannabis tem uma ação ainda pouco compreendida no sistema imunológico. Sabe-se que isso não representa perigo para pessoas saudáveis, mas pode ser um risco para doentes de Aids.

Esclerose múltipla

 



Essa doença degenerativa do sistema nervoso é terrivelmente incômoda e fatal. Os doentes sentem fortes espasmos musculares, muita dor e suas bexigas e intestinos funcionam muito mal. Acredita-se que ela seja causada por uma má função do sistema imunológico, que faz com que as células de defesa ataquem os neurônios. A maconha alivia todos os sintomas. Ninguém entende bem por que ela é tão eficiente, mas especula-se que tenha a ver com seu pouco compreendido efeito no sistema imunológico.

Dor

 



A cannabis é um analgésico usado em várias ocasiões. Os relatos de alívio das cólicas menstruais são os mais promissores.

Glaucoma

 



Essa doença caracteriza-se pelo aumento da pressão do líquido dentro do olho e pode levar à cegueira. Maconha baixa a pressão intraocular. O problema é que, para ser um medicamento eficiente, a pessoa tem que fumar a cada três ou quatro horas, o que não é prático e, com certeza, é nocivo (essa dose de maconha deixaria o paciente eternamente "chapado"). Há estudos promissores com colírios feitos à base de maconha, que agiriam diretamente no olho, sem afetar o cérebro.

Ansiedade

 



Maconha é um medicamento leve e pouco agressivo contra a ansiedade. Isso, no entanto, depende do paciente. Algumas pessoas melhoram após fumar; outras, principalmente as pouco habituadas à droga, têm o efeito oposto. Também há relatos de sucesso no tratamento de depressão e insônia, casos em que os medicamentos disponíveis no mercado, embora sejam mais eficientes, são também bem mais agressivos e têm maior potencial de dependência.

Fonte: indicedesaude.com