domingo, 17 de junho de 2012

Quimioterapia durante a gravidez não afeta bebês, mostra estudo

Mulheres que têm que enfrentar um tratamento de câncer na gravidez podem ficar mais tranquilas quanto ao risco de o bebê ser afetado pela quimioterapia.
Uma série de estudos publicados no periódico "Lancet" mostra que crianças expostas à quimioterapia na gestação se desenvolvem tão bem quanto crianças da população geral.
Uma em cada mil gestações é afetada pela doença, mas a tendência é que essa incidência aumente, já que mais mulheres têm deixado a gravidez para depois dos 30 e o risco de câncer aumenta com a idade.
Uma das pesquisas envolveu 68 mulheres grávidas que tiveram diferentes tipos de câncer e receberam químio, cirurgia e/ou radioterapia.
As crianças foram examinadas logo após o parto e periodicamente até os 18 anos. Os testes incluíam exames neurológicos, eletrocardiogramas, audiometrias e testes de aprendizagem, função cognitiva e atenção.
Os únicos que mostraram um atraso no desenvolvimento cognitivo foram os que nasceram prematuros e, por isso, já tinham maior risco de apresentar essa diferença.

TRATAMENTO

O tratamento da gestante com câncer precisa de cuidados a mais. A químio só deve ser feita após o primeiro trimestre para evitar o risco de malformação do bebê --antes disso, só pode ser feita a cirurgia para retirar o tumor.
A última sessão de químio deve ser feita pelo menos três semanas antes de o bebê nascer. E, como não há estudos sobre os efeitos da radioterapia, é recomendável deixá-la para depois do parto.
Segundo os autores, a estratégia de prorrogar o tratamento para depois do parto não deve ser colocada em prática, assim como antecipar o nascimento para iniciar a quimioterapia. "Isso não ajuda a mãe em nada e, pior, pode causar sequelas no bebê", diz Max Mano, coordenador do ambulatório clínico de câncer de mama na gestação do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira).
Da mesma forma, o abortamento não muda o prognóstico da mulher no caso de câncer de mama. Mas, em algumas situações mais graves, isso pode ser discutido, como em câncer de colo de útero, leucemias e linfomas.
Mano afirma ainda que o estudo vai deixar gestantes e médicos mais seguros.
"Muitos médicos têm uma posição conservadora e recomendam o abortamento."
Segundo Mano, as conclusões são tranquilizadoras. "Parte do medicamento cruza a placenta. Um dos nossos medos era de que o coração do bebê fosse afetado."
No estudo, foi observado um batimento cardíaco um pouco mais acelerado nessas crianças, mas elas não tinham arritmia ou qualquer outra anormalidade.
Mano afirma, porém, que não se sabe ainda o que vai acontecer quando essas pessoas tiverem 50 anos e um risco cardiovascular maior.  
 
Fonte: Folha de São Paulo

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