domingo, 22 de julho de 2012

Biolab inova e aposta em medicamento - Novanlo de R$ 100 milhões


"O novanlo pode se tornar o maior produto da Biolab em quatro ou cinco anos", disse Cleiton Marques, presidente da empresa.    

A Biolab Farmacêutica, que obteve receita de R$ 660 milhões no ano passado e é conhecida no segmento por ser um dos raros laboratórios no país que não cederam ao encanto do negócio de genéricos, dá largada ao principal movimento de seu plano de negócios de 2012: o de trazer ao mercado uma solução para tratar hipertensos num nicho que não via 'lançamentos' desde 1993.

Mais do que chegar a um segmento que estava há 19 anos oferecendo as mesmas alternativas para os pacientes, o Novanlo - como se chama o medicamento - tem potencial para agregar R$ 100 milhões ao caixa da companhia num prazo de cinco anos. "O novanlo pode se tornar o maior produto da Biolab em quatro ou cinco anos", disse Cleiton Marques, presidente da empresa. Hoje, o campeão de vendas é o Aradois, também usado no tratamento de hipertensão. Os dois medicamentos, embora se destinem ao tratamento da mesma doença, não competem diretamente. Isso porque a nova solução atenderá a um nicho do mercado de drogas anti-hipertensivas chamado antagonistas do canal do cálcio. "Há subclasses no mercado de anti-hipertensivos porque depende de que área do organismo uma determinada droga vai tratar", explica.

Apenas no segmento de antagonistas do cálcio, os laboratórios faturam US$ 256 milhões por ano no Brasil. Entre as estrelas desse mercado estão o Pressat, da própria. Biolab, e o Norvasc, da Pfizer. A nova droga será revolucionária no segmento, diz Marques, porque atenderá a um grupo de pacientes que sofre efeitos colaterais — como inchaço nas pernas — ao usar as soluções disponíveis no mercado, cujo princípio ativo é a amilodipina. A base do Novanlo é uma molécula chamada levanlo-dipina — desenvolvida a partir da própria amilodipina.

Ao todo, o mercado de anti-hipertensivos movimenta US$ 2,5 bilhões anuais no Brasil.

Contrato com a índia

O novo medicamento da Biolab é uma solução do laboratório indiano Emcure. Os brasileiros fecharam contrato de licenciamento, cujos valores não foram revelados, e há um ano a força de vendas do laboratório brasileiro vem visitando cardiologistas para divulgar a medicação. "Quando se trata de um conceito novo, é normal trabalhá-lo com tamanha antecedência", diz Marques.            


Embora um novo medicamento leve cerca de três anos para conquistar terreno, a Biolab acredita que o Novanlo vai ser importante pilar do crescimento de 12% de receita esperado para 2012, estimada em R$ 740 milhões. 

Fonte: Érica Polo