segunda-feira, 2 de julho de 2012

Modelo 3D de tumor cerebral ajuda analisar eficácia de terapias anti-câncer


Modelo de tecido vivo fornece aos médicos mais e melhores informações do que o atual método de culturas em placas de Petri

Cientistas da Universidade Brown, nos Estados Unidos, criaram o primeiro modelo tridimensional de tecido vivo completo para analisar a eficácia de terapias usadas para tratar tumores cerebrais.
O novo modelo 3D fornece aos médicos e pesquisadores mais e melhores informações do que o atual método de culturas de tecidos em placas de Petri.
Para o trabalho, os pesquisadores criaram um glioma, ou tumor no cérebro, e toda a rede de vasos sanguíneos que o rodeia e testaram a ação do químico tumstatin sobre o câncer.
Em uma série de experimentos, eles mostraram que as nanopartículas de óxido de ferro transportando o tumstatin penetra nos vasos sanguíneos que sustentam o tumor com oxigênio e nutrientes. As nanopartículas de óxido de ferro são importantes, porque elas são facilmente absorvidas pelas células endoteliais e podem ser monitoradas por meio da ressonância magnética.
Experiências anteriores demonstraram que tumstatin foi eficaz no bloqueio do crescimento de células endoteliais em gliomas. Os testes realizados por pesquisadores da Brown confirmaram, em 3D, a capacidade das nanopartículas de óxido de ferro de alcançar os vasos sanguíneos em torno de um glioma bem como a capacidade de tumstatin de penetrar nas células endoteliais.
"O modelo 3D oferece um processo fácil para testar a eficácia de medicamentos no tratamento de tumores cerebrais. Este ensaio economiza tempo e dinheiro, além de reduzir os testes em organismos vivos", observa o autor da pesquisa Don Ho.
Ho e seus colegas criaram um molde de hidrogel de agarose em que células RG2 de gliomas de ratos com cerca de 200 mícrons de diâmetro foram formadas. A equipe usou células endoteliais derivadas dos vasos respiratórios da vaca, que se reuniram ao redor do tumor e criaram a arquitetura dos vasos sanguíneos.
A vantagem de um modelo de 3-D, em vez de placas de Petri é que as células endoteliais se anexam ao tumor, em vez de ficarem separadas do substrato. Isto significa que os pesquisadores podem estudar a sua formação e crescimento, bem como a ação de agentes terapêuticos, como fariam em um organismo vivo.
O modelo 3D de glioma permitiu que o tumor e as células endoteliais se montassem naturalmente, tal como se estivessem na vida real.
O grupo então ligou o químico tumstatin, parte de uma proteína naturalmente encontrada no colágeno, a nanopartículas de óxido de ferro.
Fiel à 'vida real', as nanopartículas foram engolidas pelas células endoteliais. Em uma série de experimentos in vitro, a equipe relatou que as nanopartículas com tumstatin e óxido de ferro diminuíram o crescimento de vasos 2,7 vezes mais do que em condições normais ao longo de oito dias. Segundo os pesquisadores, não há novo crescimento de células endoteliais.
O próximo passo é testar o desempenho das nanopartículas com tumstatin no ambiente 3D ao redor do tumor.

Fonte: Isaude.net