domingo, 8 de julho de 2012

Novo antiasmático pode chegar ao SUS em 2013, diz Farmanguinhos


Desde 4 de junho, governo oferece três tipos de medicamentos na rede pública

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), que pertence à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e está vinculado ao Ministério da Saúde, firmou uma parceria com o laboratório espanhol Chemo para a produção de um novo antiasmático destinado à rede pública de saúde.

Com a iniciativa, o ministério pretende economizar cerca de R$ 100 milhões ao longo de cinco anos e beneficiar aproximadamente 200 mil pessoas.

"É um broncodilatador em cápsula, que libera um pó inalado pela pessoa. Estamos em fase de registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e esperamos que isso ocorra até o início de 2013", explica o diretor de Farmanguinhos, Hayne Felipe da Silva.

Asma, uma doença respiratória crônica, caracterizada por falta de ar, tosse e chiado no peito.

Nos três primeiros anos, o novo produto de Farmanguinhos – à base de formoterol e budesonida – será fabricado na Espanha. No quarto e no quinto anos, a produção será metade espanhola e metade brasileira e, a partir do sexto ano, apenas nacional.

Segundo Silva, o medicamento que será produzido na Espanha já é feito aqui no Brasil, pelo Laboratório Aché, mas destina-se apenas à rede particular. De acordo com o diretor, Farmanguinhos tentou uma parceria com a empresa, mas não obteve sucesso.

Esse antiasmático deve se juntar a outros três (brometo de ipratrópio, dirpoprionato de beclometasona e sulfato de salbutamol) que começaram a ser oferecidos no dia 4 de junho pelo programa federal "Saúde não tem preço", nas farmácias populares e em estabelecimentos da rede privada com até 90% de desconto.

Ao todo, 20 mil unidades do país receberam os medicamentos, em dez apresentações diferentes. Até 800 mil pessoas devem ser beneficiadas. O programa já oferecia 11 medicamentos para hipertensão e diabetes. Os pacientes interessados devem apresentar documento com foto, CPF e receita médica dentro do prazo de validade.

Internações e gastos do SUS   

As internações de pacientes com asma no Sistema Único de Saúde (SUS) caíram 12,5% entre 2009 e 2011, passando de 203.250 pessoas para 177.800, segundo dados do Ministério da Saúde. No ano passado, mais de 40% eram crianças de até 6 anos idade, e cerca de 2.500 do total morreram por complicações do problema.

Os gastos nesse período também baixaram: de R$ 105,7 milhões em 2009 para R$ 94 milhões no ano passado, uma redução de 11%.
A asma atinge pelo menos 10% da população brasileira. Entre as crianças com até 6 anos de idade, grupo de maior risco, a prevalência pode chegar até 20%.

Com o inverno, as crises costumam piorar. Isso porque o tempo frio e seco agridem mais as vias aéreas. Como prevenção, os médicos recomendam evitar o contato com poeira, produtos químicos, bichos de pelúcia, animais e outros agentes irritantes do aparelho respiratório.

Fonte: Globo.com