domingo, 23 de setembro de 2012

‘Blockbuster’ da Lilly terá indicação para nova doença


O medicamento Cialis Diário, desenvolvido pela americana Eli Lilly, indicado originalmente para tratamento de disfunção erétil, também passará a ser prescrito no Brasil para combater HPB (Hiperplasia Prostática Benigna), uma doença que se caracteriza pelo aumento da próstata e sintomas do trato urinário.
A farmacêutica obteve aprovação em julho da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a indicação do medicamento para tratar as duas doenças. O produto será comercializado para esta nova indicação a partir de outubro.
Segundo Allan Finkel, diretor de vendas da Lilly, cerca de 50% dos homens que têm problema de disfunção erétil apresentam também os sintomas de HPB. A farmacêutica estima que essa doença atinge 5 milhões de brasileiros. "Este é o único medicamento disponível no mercado internacional que trata os dois problemas", disse o executivo.
O Cialis foi lançado no mercado nacional em 2003 para o combate de disfunção erétil e é líder na sua categoria. Esse medicamento tem importantes concorrentes, como o Viagra, da Pfizer, cuja patente já expirou, permitindo a entrada de várias versões genéricas no mercado. O diferencial do produto da Lilly é a eficácia do produto - de 36 horas, ante de quatro a seis horas dos concorrentes. A patente do Cialis tem validade até 2015.
Em 2005, o Cialis obteve status de "blockbuster" (campeão de venda), com o acúmulo de mais de US$ 51 bilhões em receita global desde seu lançamento. No Brasil, o produto tornou-se líder nessa categoria em 2006. Em 2011, Cialis foi o 5º produto mais importante da Lilly em receita global, atingindo US$ 1,88 bilhão. No acumulado do ano até julho, a receita com o medicamento atingiu US$ 931 milhões.
A Lilly colocou no mercado o Cialis Diário em 2007. Como sugere o próprio nome, o medicamento tem de ser consumido diariamente, permitindo ao paciente manter relações sexuais a qualquer momento. O produto é comercializado em uma cartela com 28 comprimidos de 5 mg.
De acordo com Finkel, o laboratório começou pesquisas há nove anos para indicar o medicamento para tratamento de HPB. Nesse período, 17 estudos clínicos foram realizados para comprovar a eficácia no tratamento de HPB. Esse produto já foi lançado nos Estados Unidos e México. Com a nova indicação, a Lilly pretende ampliar sua liderança no país.
Do total das vendas do Cialis no país, 17% são na versão diária. A expectativa é de que atinja 30% a partir de 2013, por conta da nova indicação do medicamento, afirmou o executivo. "Projetamos um aumento de vendas de 70% em 2013 em relação a este ano", afirmou.
O Cialis está em 4º lugar no ranking geral de medicamentos (de todas as categorias, não apenas disfunção erétil) no que diz respeito ao faturamento em reais e a 1ª posição no ranking de medicamentos para disfunção erétil, também em receita, de acordo com dados da consultoria IMS Health. Em volume, não tem a liderança.
No ano passado, as vendas do Cialis no Brasil totalizaram R$ 227 milhões e deverão atingir R$ 257 milhões este ano, segundo estimativas da companhia, ainda com base no IMS Health.

Jornalista: Mônica Scaramuzzo - Valor Econômico