sábado, 8 de setembro de 2012

Cientistas brasileiros desenvolvem substituto para pílulas


Material é capaz de se dissolver na boca do paciente e liberar o medicamento

Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desenvolveram uma tecnologia que pode mudar o modo como os medicamentos são administrados para pacientes. A ideia dos cientistas é que um filme natural desenvolvido em seus laboratórios substitua, em alguns casos, os medicamentos em pílula. O material é uma fina lâmina de textura plástica que se dissolve na boca e transmite a substância desejada – do mesmo como agem algumas pastilhas de menta que existem no mercado.
Segundo os pesquisadores, o material poderia ser usado para medicar pacientes com dificuldades motoras de deglutição. “Como ele se dissolve na boca com facilidade, pode ser consumido por pessoas com dificuldade para engolir, como aquelas que sofreram AVC e ficaram com paralisia facial. Desse modo, podemos administrar medicamentos e até alimentos para esses pacientes”, diz Cláudia Sampaio, pesquisadora do Comitê Técnico de Plantas Medicinais e Fitoterápicos da UFPE e uma das envolvidas na pesquisa.

Natural - A ideia surgiu há cerca de dois anos, quando os cientistas buscavam melhores modos de administrar as substâncias contidas em plantas medicinais. “Nós queríamos encontrar uma base neutra para armazenar de modo seguro produtos como chás e extratos vegetais. Depois que começamos a desenvolver a tecnologia, vimos que ela poderia ser usada com outras substâncias”, afirma Cláudia Sampaio.
A partir daí, os pesquisadores conseguiram desenvolver um filme natural a partir de produtos alimentícios comuns, encontrados no nordeste brasileiro. Por isso mesmo, a substância não possui nenhum componente tóxico. O material permanece estável com as mudanças de temperatura - ele somente se dissolve em contato com a água, ou a saliva de um paciente.

Concorrência - Já existem alguns produtos parecidos com esse no mercado, mas com algumas diferenças. Aqueles utilizados nas pastilhas de menta, por exemplo, são feitos a base de amido. “O amido se converte em glicose quando metabolizado no organismo. Com nosso produto isso não acontece: ele pode ser usado inclusive por diabéticos”, diz Cláudia Sampaio.
No Japão, existe um material chamado Pululana que também é capaz de se dissolver na boca do paciente, e não é convertido em amido. No entanto, ele é produzido a partir de fungos, e exige um complexo procedimento industrial para ser feito. “Por isso, ele custa caro. Nossa produção é muito mais simples, usamos componentes comuns, produzidos aqui no nordeste”, afirma. 
No entanto, a “receita” completa do filme polimérico é tratada como segredo industrial pelos pesquisadores. Agora que concluíram a fase de desenvolvimento em laboratório, eles procuram uma parceria para produzir o filme em larga escala. “A tecnologia já está patenteada. Nós agora queremos repassar o produto para a indústria”, diz Cláudia Sampaio. Até lá, eles não revelam quais os produtos locais usados na produção da tecnologia.

Fonte: veja .abril.com.br