sábado, 27 de outubro de 2012

Fiocruz vai produzir o Medicamento Pramipexol para Parkinson


A Farmanguinhos, braço farmacêutico da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), recebeu o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para começar a produzir o medicamento Pramipexol, indicado para o tratamento do mal de Parkinson. O registro é fruto de acordo fechado em novembro do ano passado entre a instituição e o laboratório alemão Boehringer Ingelheim, detentor da patente do medicamento, para transferência de tecnologia para sua produção, como parte da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) do governo federal.
Jorge Mendonça, vice-diretor de Gestão Institucional da Farmanguinhos, explica que o processo de transferência de tecnologia deverá levar cinco anos ao todo. Nos três primeiros anos, o medicamento ainda será totalmente fabricado pelo laboratório alemão, mas já com rotulagem da Farmanguinhos.
Nos últimos dois anos do acordo, a instituição passará a produzir pelo menos 50% da demanda nacional do medicamento, para ao fim deste período já ter o domínio completo do conhecimento para seu desenvolvimento e fabricação.
“É um processo por etapas. Primeiro, vamos cuidar da parte analítica e de controle de qualidade, para depois absorvermos todo o processo produtivo do medicamento em si” — diz Mendonça.
Segundo o vice-diretor da Farmanguinhos, já neste primeiro momento deverá haver uma redução substancial, de pelo menos 20%, nos custos de aquisição do Pramipexol para distribuição no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
Atualmente, o Brasil importa toda sua demanda pelo medicamento, com gastos que chegaram a R$ 37 milhões em 2010. A estimativa é de que pelo menos 200 mil pessoas sofram com o mal de Parkinson no país, com uma prevalência de 100 a 200 casos por 100 mil habitantes.
“Ao final do processo, no entanto, a economia com o medicamento deve ser muito maior, já que depois de três anos o princípio ativo do Pramipexol será praticamente todo produzido aqui no Brasil” — conta Mendonça. — Mas desde já vamos poder dar à população acesso a um medicamento de primeira linha, isto é, o mais moderno indicado para a terapia do mal de Parkinson.
O Pramipexol não é o único medicamento beneficiado pela PDP em Farmanguinhos.
A instituição já fabrica vários dos medicamentos que fazem parte do coquetel contra a Aids distribuído pelo governo federal, e até o fim de novembro espera obter registro da Anvisa para começar o processo de transferência de tecnologia para produção de mais um, o Atazanavir, resultado de acordo semelhante fechado com o laboratório americano Bristol-Myers Squibb.

Por: César Baima - O Globo