terça-feira, 23 de outubro de 2012

Raios ultravioleta A têm ação direta e indireta sobre DNA


UVA

Os raios ultravioleta A (UVA) podem produzir lesões em moléculas de DNA tanto por ação direta, quanto por intermédio de outras substâncias originadas nas células a partir da exposição a essa radiação.
"A UVA, embora seja a radiação que chega em maior abundância na superfície terrestre, é a menos compreendida e a mais polêmica dentre as UVs", comenta Teiti Yagura, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.
Em sua pesquisa, Teiti queria esclarecer os mecanismos pelos quais os raios UVA danificam o material genético das células cutâneas.

Lesão direta

As lesões diretas, isto é, aquelas geradas a partir da absorção imediata dos raios UVA pelo DNA a eles exposto, dão-se principalmente com a formação de compostos orgânicos que podem acarretar alterações genéticas nas células.
Essas substâncias são conhecidas como dímeros de pirimidina ciclobutano (CPD).
"Dentre as lesões geradas, os CPDs são os maiores responsáveis por bloquear a transcrição celular [processo essencial à expressão gênica das células, ligado à síntese de novas moléculas de DNA]", explica o pesquisador
Teiti acrescenta que há estudos que mostram que essas lesões podem causar mutações claramente associadas ao desenvolvimento de câncer de pele.

Lesão indireta

As lesões indiretas dependem da produção de espécies reativas de oxigênio, ou radicais livres, que agem sobre o DNA, promovendo a sua degradação.
O oxigênio presente na pele, ao entrar em contato com componentes celulares denominados cromóforos, capazes de absorver a energia proveniente dos raios UVA - como a hemoglobina -, suga para si parte dessa energia.
Com isso, o oxigênio transforma-se nessa molécula altamente reativa e potencialmente nociva ao material genético, denominada oxigênio singlete.

Auto-oxidação

Os estudos de Teiti apontam, todavia, para outra forma de produção desse tipo danoso de oxigênio, na qual a própria estrutura do DNA, ou algo fortemente ligado a ele, poderiam estar diretamente envolvidos.
"Isso acarreta a possibilidade de que um mecanismo intrínseco à molécula de DNA possa levar à sua auto-oxidação, sem a necessidade de outros cromóforos", relata.

Sol e vitamina D

Segundo Yagura, o conhecimento das maneiras como os raios UVA agem sobre o material genético indica que "para se combater seus efeitos nocivos, são necessários tanto materiais que absorvam a energia da UVA quanto materiais antioxidantes".
Assim, o pesquisador recomenda evitar o Sol, mas sem se descuidar da nutrição.
Isto porque a síntese da vitamina D se dá com a exposição da pele ao Sol e, por isso, no caso de menor contato com a luz solar, faz-se necessária a ingestão de alimentos que contenham quantidades abundantes deste nutriente.
Além disso, ele ressalta a importância do uso de bloqueadores solares que também ofereçam proteção contra os raios UVA.
E completa: "Câmaras de bronzeamento, nem pensar!".

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Proteções naturais para a pele

Outra equipe da USP está desenvolvendo um protetor solar natural:

Substância natural produz protetor solar fotoativo

Rutina
Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP estão estudando um fotoprotetor inédito, com vários benefícios em relação aos protetores solares vendidos no comércio.
O novo produto oferece mais proteção solar e tem ação antioxidante, tendo em sua composição a substância natural rutina.
A rutina é encontrada em árvores de pequeno e médio porte nas regiões brasileiras do cerrado e da caatinga. A substância também está presente na cebola, na uva e no vinho tinto.
Já utilizada como antioxidante, a rutina também previne contra danos dos raios ultravioletas.

Flavonoide

"A rutina é um flavonoide , tradicionalmente utilizado como antioxidante e vasoprotetor, que eleva o tônus venoso e reduz a hipermeabilidade capilar e a formação de edemas. Ela também atua na prevenção dos danos causados pela radiação ultravioleta," explica o professor André Baby.
Os resultados indicam que o flavonoide teve a tendência de não penetrar o estrato córneo da epiderme, mantendo-se na superfície da pele.
Isto levou os pesquisadores a usar a rutina como adjuvante dos sistemas de protetores solares, já que ela apresenta estrutura química semelhante à dos filtros solares comerciais, e tende a não ser absorvida pela pele.

Protetores solares fotoativos

De acordo com o professor Baby, as propriedades da rutina identificadas por ele e seus colegas contribuíram fortemente para sua aplicação em protetores solares denominados protetores fotoativos."Eles apresentarem vantagens significativas no desempenho do produto com a incorporação da substância de origem natural", destaca.
Para Maria Valéria Robles Velasco, que participou das pesquisas, o desenvolvimento e a análise dos fotoprotetores bioativos estão em harmonia com a tendência mundial da utilização de substâncias de origem natural em produtos cosméticos.
"Ao mesmo tempo, elas funcionam como estratégia para elevação ou manutenção da eficácia fotoprotetora, mesmo com a redução da proteção dos filtros solares convencionais", aponta.

Filtros solares

A etapa atual da pesquisa está sendo direcionada para a associação do flavonoide com os filtros solares tradicionais como o p-metoxicinamato de metila, a benzofenona-3, o octocrileno e avobenzona, entre outros.
O próximo passo da pesquisa será a determinação da eficácia do protetor solar natural em seres humanos.
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Também na USP, cientistas descobriram que uma planta da Amazônia supera os filtros solares, por não ter os efeitos danosos destes:

Planta amazônica protege a pele melhor que filtros solares

Almecegueira ou breu

O extrato da planta amazônica Protium heptaphyllum, também conhecida como almecegueira ou breu, é eficiente na proteção da pele contra a radiação solar.
Cientistas na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, da USP, demonstraram que o vegetal tem propriedades antioxidantes, que agem no combate aos radicais livres, auxiliando na prevenção contra o envelhecimento e o surgimento de câncer de pele.
O efeito é similar ao do camapu, outra planta com planta com ação anti-inflamatória em peles sensíveis, também revelada por um estudo brasileiro.

Controle dos radicais livres

Os componentes do extrato de almecegueira, quando aplicado sobre a pele, agem para a preservação de sistemas responsáveis pelo controle dos radicais livres no organismo humano.
Com a irradiação da superfície cutânea pelos raios ultravioletas, há um desequilíbrio entre a proporção das substâncias nocivas e seus combatentes. Assim, os agentes protetores naturais sofrem uma queda ao serem consumidos em sua ação para a remoção dos radicais livres.
"A radiação solar provoca a geração de muitos radicais livres na pele e os mecanismos antioxidantes naturais não são suficientes para neutralizar todos eles, resultando em danos ao tecido", explica a farmacêutica Ana Luiza Scarano Aguillera Forte, autora do trabalho.
"Como o extrato tem grandes quantidades de antioxidantes, ele mesmo sequestra os radicais livres na pele", completa.

Potencialidade das plantas amazônicas

Anteriormente aos estudos in vivo, foram realizados testes com o extrato de Protium e de outros três vegetais amazônicos com maior atividade antioxidante dentre um grupo de 40, que fazem parte do Programa de Pesquisa em Biodiversidade do governo federal.
As plantas foram catalogadas pela pesquisadora Maria das Graças Bichara Zogbi, do Museu Paraense Emílio Goeldi.
Ana Luiza observou as propriedades antioxidantes e os efeitos tóxicos dos extratos utilizando cultura de células. Como todos os vegetais apresentaram bons resultados quanto à ação contra radicais livres, a escolha se deu a partir da toxicidade. "O extrato que se mostrou menos tóxico quando irradiado no UVB foi o Protium, por isso foi o escolhido", relata.

UVB

Durante o estudo, o gel formulado com o extrato de Protium heptaphyllum foi aplicado sobre a pele de camundongos sem pelos, os quais foram submetidos aos raios ultravioleta B (UVB), radiação mais energética, que é responsável pela vermelhidão, primeira resposta da pele à exposição ao sol.
Foram testados dois sistemas responsáveis pela proteção antioxidante da pele - a enzima superóxido dismutase (SOD) e a glutationa (GSH) -, e uma enzima indicadora de inflamação - a mieloperoxidase (MPO).
Com o recebimento dos raios UVB, quando não há a aplicação de extrato, a SOD e a GSH do sistema protetor cutâneo sofrem queda.
"No entanto, essa queda dos sistemas protetores endógenos não foi observada nos animais que receberam a formulação contendo o extrato", conta Ana Luiza.

Efeitos danosos dos filtros solares

Apesar dos resultados positivos, antes que o produto possa ser disponibilizado ao consumidor ainda é necessária uma série de novos testes, para constatação da segurança e de sua não toxicidade, além dos efeitos em geral do gel.
Ainda assim, é possível constatar as potencialidades do uso do extrato da Protium heptaphyllum na proteção contra os efeitos da radiação solar, inclusive com relação aos produtos já existentes no mercado, como os filtros solares.
Existem, inclusive, estudos que apontam que os protetores - que deveriam ficar apenas na superfície da pele - podem penetrar nas camadas cutâneas mais profundas, causando o aumento de radicais livres (gerados a partir da degradação do filtro solar exposto à radiação).
Assim, o uso do extrato vegetal estudado poderia prevenir essa reação.

Fonte: Agência USP