segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Com menos efeitos colaterais, novo Antidepressivo regula o ritmo biológico


Os números são alarmantes: de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão atinge 350 milhões de pessoas ao redor do mundo. A entidade prevê que, até 2020, esta doença passe a ser a segunda maior causa de incapacidade e perda de qualidade de vida. Estima-se que cerca de 17 milhões de brasileiros sejam deprimidos. Especialistas dizem que esses números são semelhantes ao número de casos de hipertensão e infecções respiratórias.
Ao contrário dessas doenças, entretanto, muitos não estão preparados para reconhecer e tratar a depressão. Um estudo realizado no Brasil, com 157 médicos e mais de 6 mil pacientes, mostrou que pessoas em tratamento com agomelatina (Valdoxan) retornam mais rápido às atividades sociais e funcionais. A melhora, que já era percebida pelos pacientes e pelos médicos, foi comprovada através desta pesquisa apresentada pelo professor Pedro Lima, psiquiatra e pesquisador da PUCRS, com duração de 12 semanas. Os dados do estudo observacional batizado de Vital foram divulgados durante o 30° Congresso Brasileiro de Psiquiatria, realizado em outubro em Natal (RN).
A agomelatina, substância utilizada no Brasil há três anos, é a primeira em uma nova classe de antidepressivos, que trata a doença por meio da restauração dos ritmos biológicos. De acordo com publicação da revista The Lancet, existe uma relação direta entre a depressão e a desregulação dos ritmos biológicos. Inclusive, também foi comprovado que quanto mais alterado o ritmo biológico, mais grave é a depressão.
A agomelatina tem uma ação no cérebro parecida com a da melatonina, mas não apenas regulando o sono, como também todos os ritmos biológicos alterados. A substância também atua no receptor da serotonina, mas sem liberação desse neurotransmissor, e apenas de dopamina e noradrenalina. Esse fato parece explicar a ausência de apatia emocional, comum em pacientes que tomam demais substâncias.
O modo de ação da agomelatina explica, em parte, o fato dos pacientes em uso de agomelatina se sentirem melhor, acordarem mais dispostos, com pensamentos mais claros e com aumento da atenção desde o inicio do tratamento, sem sofrer com os efeitos adversos comuns ao inicio do tratamento da maioria dos antidepressivos atuais.

Saiba mais
A depressão tem algumas características que muitas vezes passam despercebidas, não somente por quem sofre da doença, mas também por familiares e amigos, podendo ser confundida com tristeza ou falta de interesse. Ficar atento a esses sintomas é importante — afinal, isso possibilita um diagnóstico precoce e um tratamento eficaz, de acordo com a recomendação dos médicos.
A agomelatina é tão eficaz quanto os antidepressivos tradicionais, com a vantagem de ter uma eficácia rápida no retorno às atividades, proporcionando uma nova vida ao paciente, e sem os mesmos efeitos colaterais. É uma nova classe de medicamentos, eficaz e com ação mais localizada, segundo Ricardo Moreno, diretor do Grupo de Estudos de Doenças Afetivas (Gruda) da Universidade de São Paulo (USP) e presidente da Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTP).

Fonte: Zero Hora – RS