domingo, 9 de dezembro de 2012

Uma Nova Quimioterapia em teste


Médicos do Hospital Geral de Southampton, da Inglaterra, realizaram uma operação de quimioterapia fora do corpo humano. Em dois pacientes com câncer de fígado, somente o órgão afetado foi retirado e, em seguida, banhado em drogas, para depois ser devolvido.
O tratamento inovador começou há três meses, e vem sendo estudado com cautela também por outros pesquisadores dos EUA e da Europa.
O maior benefício do novo processo, acreditam os cientistas, é a possibilidade de redução dos efeitos colaterais ao indivíduo, já que apenas o órgão, e não o corpo inteiro, é exposto à química.
Além disso, é possível aplicar maiores doses de medicamentos.
A terapia durou 60 minutos em cada paciente. O fígado foi separado através de dois balões inflados inseridos dentro de vasos sanguíneos do órgão para desviar o fornecimento de sangue.
Em seguida ao tratamento, chamado perfusão hepática percutânea (PHP), o sangue foi drenado do paciente e processado através de uma máquina de filtragem para reduzir sua toxicidade antes de retornar ao corpo humano pela veia jugular.
“Retirar um órgão do corpo humano por 60 minutos, banhá-lo em uma alta dose de drogas, filtrar o sangue até que esteja completamente pronto e devolvê-lo ao corpo humano é algo realmente inovador” comemora Brian Steadman, consultor do serviço de radiologia intervencionista do hospital.
Segundo Stedman, o tratamento ainda pode se desenvolver para ser usado em outros tipos de câncer, como de cólon, de mama e de pele. Basicamente, qualquer órgão que possa ser separado do fornecimento de sangue, como rins, pâncreas e pulmões, pode passar por este tipo de processo.
Para o oncologista Paulo Hoff, diretorgeral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), a maior novidade das operações realizadas no Reino Unidos é o método. O tratamento localizado em apenas um órgão, e não em mais tecidos, porém, já é feito no Brasil e em diversos membros.
“Nossa própria entidade trata casos de melanoma e sarcoma (tipos de câncer de pele). Injetamos os medicamentos na artéria e depois filtramos o sangue nas veias. Já há também, quimioterapia localizada em pulmões e rins. A novidade deles é o modo”, garante.
Médica do setor de Oncologia Clínica do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Uerj), Fernanda Esteves lembra, porém, que a eficácia do tratamento localizado depende do nível de metástase do tumor no organismo.
“Se estiver muito avançado, não basta pensar no tratamento de apenas um órgão. É preciso pensar em outras estratégias” explica.

Jornalista: Felipe Sil - O Globo