quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Hemofílicos devem realizar tratamento preventivo contra hemorragia


A hemofilia é uma doença hemorrágica, de herança genética, que leva à perda de mobilidade do paciente. Ela se caracteriza pela deficiência quantitativa e/ou qualitativa de Fator VIII (hemofilia A) ou de Fator IX (Hemofilia B). O tratamento profilático corresponde à reposição destes fatores no organismo, de maneira periódica e ininterrupta a longo prazo, iniciada antes ou após ocorrência do primeiro sangramento ou hemorragia da articulação (hemartrose).

Os hemofílicos assistidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) têm garantida a chamada “profilaxia primária” para o tratamento de hemofilia grave dos tipos A e B. O procedimento preventivo à doença é indicado para pacientes com até três anos de idade que tenham tido até uma ocorrência de sangramento ou hemorragia da articulação (hemartrose). O tratamento profilático consiste no uso de medicamento (hemoderivado) para a reposição do Fator de Coagulação VIII no organismo, que previne lesões nas articulações (artropatias) como também diminui a possibilidade de sangramentos.

Ministério da Saúde também recomenda que os portadores adultos de hemofilia grave façam o tratamento profilático da doença com o uso de Fator VIII de Coagulação. Para isso, o ministério repassou às secretarias de saúde de todo o país mais de 150 milhões de Unidades Internacionais (UIs) deste medicamento, além de manter outras 200 milhões de unidades no estoque estratégico do órgão. O objetivo da recomendação é incentivar o uso preventivo de Fator VIII (plasmático) para evitar que o portador da doença tenha sangramentos nas articulações, principal característica da doença.

“A ampliação do tratamento profilático da hemofilia grave para jovens e adultos é um avanço porque, entre outros benefícios à saúde, certamente vai melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, observa o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A recomendação para a chamada “profilaxia secundária” da hemofilia grave está afinada às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS). O abastecimento do SUS com as mais de 600 milhões de unidades de Fator VIII será possível graças, também, à economia que o ministério vem obtendo a partir de mudanças na metodologia de compra de medicamentos para o SUS. Só na aquisição de hemoderivados (medicamentos derivados do sangue), o Ministério da Saúde conseguiu economizar R$ 50 milhões nos últimos 12 meses.

Documento com as recomendações para a ampliação do tratamento profilático de portadores de hemofilia grave foi enviado para os 32 hemocentros coordenadores da Hemorrede, nos 26 estados e no Distrito Federal. “Para ter acesso ao tratamento e receber o hemoderivado (Fator VIII), os pacientes precisam estar cadastrados em um dos 35 Centros de Tratamento de Hemofilia (CTH), onde têm orientação e acompanhamento médico para a obtenção e o uso do medicamento”, explica Helder Teixeira Melo, da Coordenação de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde. A adesão ao tratamento está condicionada à avaliação clínica, social e psicológica.
Atualmente, 10.558 hemofílicos são assistidos pelo Sistema Único de Saúde; ou seja, recebem medicamentos pelo SUS, incluindo aqueles que utilizam a rede privada ou possuem convênios e planos de saúde. Desse total, 3.421 são portadores da forma grave da doença, caracterizada por sangramentos em uma mesma articulação, que pode levar ao dano articular e em alguns casos à invalidez.

Fonte: Blog da Saúde