quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Pessoas altruístas têm mais benefícios do efeito placebo


"Isso não vai dar certo"

Apesar do "poder dos placebos", não existem ainda boas teorias para explicar tanto o efeito placebo quanto o efeito nocebo.
Uma das principais questões em aberto é por que o efeito placebo funciona bem para algumas pessoas mas não para outras.
Uma equipe de neurocientistas resolveu abordar essa problemática de um ponto de vista mais holístico, e descobriu algumas correlações muito interessantes.
Pessoas que experimentam os melhores efeitos ao tomar placebo têm traços de personalidade tipicamente otimistas e altruístas.
Geralmente são pessoas que lidam bem com as dificuldades da vida e que ajudam os outros sem esperar recompensas.
Por outro lado, pessoas do tipo raivoso ou irritado, que costumam ter atitudes hostis em relação à vida e aos outros, não têm os mesmos benefícios do placebo.

Diferença no cérebro

Mas será que altruístas e otimistas simplesmente teriam mais força de vontade para influir nos resultados de um tratamento, ainda que fosse um tratamento falso?
De fato a questão é muito mais profunda – e a resposta para ela está no cérebro.
Ao analisar as pessoas de bem com a vida, que usufruem melhor dos efeitos do placebo, os pesquisadores descobriram diferenças fisiológicas no cérebro  que podem explicar os diferentes efeitos do medicamento inerte.
O cérebro das pessoas possui compostos químicos similares a analgésicos que respondem à dor de forma diferente dependendo do tipo da personalidade.
E isso determina os benefícios que poderão ser colhidos do placebo.

Convertendo informação em alteração biológica

O Dr. Jon-Kar Zubieta, da Universidade de Michigan (EUA), afirma que o estudo envolveu tratamentos para a dor, mas que os resultados também podem ser aplicados a respostas a outras circunstâncias indutoras de estresse.
"Nós descobrimos que a maior influência vem de uma série de fatores relacionados com a resiliência individual, a capacidade para enfrentar e superar ocorrências estressantes e situações difíceis. Pessoas com esses fatores têm a maior capacidade para capturar informações ambientais - o placebo - e convertê-las em alterações biológicas," disse ele.
O pesquisador acrescenta que a descoberta poderá ter implicações para o relacionamento médico-paciente.
Por exemplo, pacientes com determinados traços de personalidade e tendências de resposta ao placebo terão mais facilidade para discutir as opções de tratamento com o médico, discutindo francamente quaisquer preocupações quanto à resposta ao tratamento a ser adotado.

Fonte: Diário da Saúde