terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Vacina contra Alzheimer revela-se eficaz em ratinhos


Equipe do Centro de Investigação Biomédica EuroEspes (Espanha) está preparada para testes em humanos

Uma equipa de cientistas espanhóis apresentou uma vacina contra a doença de Alzheimer que será capaz de prevenir a doença ou reverter as suas manifestações quando esta já se manifestou. A vacina EB-101 já foi testada, com resultados muito promissores, em ratos transgênicos. A equipe de investigação – do Centro de Investigação Biomédica EuroEspes (Corunha) – dirigida por Ramón Cacabelos está preparada para começar dentro de três meses ensaios clínicos em humanos, que poderão durar entre seis e oito anos.
O medicamento já está patenteado para fabricação nos Estados Unidos. Os ensaios dependerão das exigências solicitadas pela entidade reguladora do medicamento a FDA (US Food and Drug Administration).
Países como EUA, China e Japão têm as suas próprias investigações contra esta doença. No entanto, os cientistas espanhóis consideram que a vacina que desenvolveram oferece maior eficácia e segurança por ter um processo diferente das outras.
Os testes com ratinhos portadores das principais mutações genéticas responsáveis pela doença em seres humanos “são prova disso”, considera Cacabelos. No modelo preventivo da vacina verificou-se que os animais imunizados não desenvolveram a doença e nem sofreram desordens imunológicas.
No modelo terapêutico para os animais que já manifestavam sinais de degeneração mental, conseguiu travar-se o processo e reduzir-se os traços patogênicos que caracterizam o cérebro do paciente (depósitos de beta-amilóide, emaranhados neurofibrilares, reações neuro-inflamatórias).
Perante os resultados, os investigadores destacam a importância da prevenção, pois a doença só se começa a revelar a partir dos 60 anos, mas na verdade pode começar a prejudicar o cérebro a partir dos 30 ou 35 anos.
A partir destes ensaios pré-clínicos os investigadores consideram que esta estratégia poderá duplicar a esperança de vida dos doentes. No entanto, o mais importante, dizem, “não é prolongar a vida, mas sim melhorar as condições e a dignidade das pessoas”.
Segundo os dados mais recentes, existem 36 milhões de pessoas com esta doença em todo o mundo, seis milhões na Europa, sendo que em Portugal conta com 90 mil casos. Estes números tendem a aumentar.

Fonte: Ciência Hoje