quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

1,5 milhão de mortes prematuras por câncer poderiam ser evitadas todos os anos


Dados de agências internacionais apontam que maioria dos países em desenvolvimento não tem políticas eficazes de prevenção da doença

De acordo com a União Internacional para o Controle do Câncer (UICC, sigla em inglês) e a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC, sigla em inglês), 1,5 milhão de mortes prematuras por câncer poderiam ser evitadas todos os anos. O dado, divulgado aponta que para evitar essas mortes, é preciso estabelecer medidas para alcançar as metas estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para 2025.
Atualmente, 7,6 milhões de pessoas morrem todos os anos no mundo por causa do câncer. Dessas, 4 milhões são mortes prematuras, de pessoas com idades entre 30 e 69 anos. De acordo com os órgãos, se não forem feitas mudanças nas políticas de tratamento da doença, até 2025 o número anual de mortes prematuras deve subir para 6 milhões.
“Há uma necessidade de comprometimento global para ajudar nos avanços políticos e incentivar a implementação de planos nacionais de controle do câncer. Se conseguirmos sucesso nisso, teremos uma responsabilidade coletiva em apoiar países de renda baixa e média, que precisam resolver epidemias de câncer sem os recursos necessários”, diz Christopher Wild, diretor o IARC. 

Prevenção

Segundo dados divulgados pela OMS, mais da metade dos países do mundo têm dificuldades em prevenir o câncer e em fornecer tratamento adequado aos pacientes. Isso significa que esses países não conseguem manter um controle efetivo da doença, que inclui programas de prevenção, de detecção precoce e de terapias. Apenas 17% dos países africanos, por exemplo, e 27% dos países de baixa renda têm programas de controle da doença.
Dados da OMS apontam ainda que 13 milhões de novos casos são diagnosticados todos os anos no mundo. Mais de dois terços desses novos casos e das mortes acontecem em países em desenvolvimento, nos quais a incidência da doença continua a crescer em níveis alarmantes. Pesquisas demonstram que cerca de um terço das mortes acontecem em função de situações de risco como uso de tabaco, obesidade, bebidas alcoólicas e infecções.

Brasil

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou uma campanha que busca esclarecer os mitos e verdades sobre a doença. Entre outras questões, o instituto aborda temas como a maior incidência da doença em mulheres, os fatores de risco que podem levar ao desenvolvimento de um tumor e a prevenção dos casos mais comuns no país, como o câncer de pele.
De acordo com o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), cerca de 70% dos pacientes com tumores de bexiga tratados no centro tinham histórico de tabagismo — um dos principais fatores de risco para a doença. Dos pacientes tratados com esse tipo de tumor, 50% tiveram diagnóstico tardio, sendo o sangue na urina o sinal clínico mais importante, manifestado em 88% dos casos.
Dados do Icesp apontam ainda que cerca de 30% dos pacientes com câncer na orofaringe (boca, garganta e faringe) que passaram por operação podem ter desenvolvido o câncer em decorrência do papiloma vírus humano (HPV). O Instituto recebe, em média, 1.200 novos casos cirúrgicos dessa doença por ano. De total de pacientes atendidos pela unidade de Cabeça e Pescoço, 11% tiveram ou ainda têm dependência alcoólica — 95% dos pacientes com esse perfil são homens.

Nova droga usa o sistema imunológico do

paciente para combater o câncer


O que diz a pesquisa: Usando uma substância chamada BMS-936558, cientistas conseguiram usar o próprio sistema imunológico de alguns pacientes contra o tumor que estavam desenvolvendo. Normalmente, o câncer consegue se disfarçar e não ser atacado pelas nossas células de defesa. Um dos métodos utilizados pelas células cancerígenas para passar despercebidas é pela ação de uma proteína chamada PDL1, que se comunica com uma outra proteína presente em nossos glóbulos brancos, a PD1. A nova droga impede essa comunicação, e faz com que essas células de defesa ataquem o tumor.
Como foi feita: O medicamento foi administrado a 76 pacientes com câncer de pulmão de células não-pequenas, o tipo mais comum da doença. Em 18% dos casos, o tumor diminuiu ou parou de crescer. De 33 pacientes com câncer nos rins, 27% também responderam ao tratamento, e de 94 que tinham melanoma, 28% apresentaram melhoras.
Porque é importante: A pesquisa ainda é inicial, mas já se mostra promissora – são os melhores resultados conseguidos com algum tratamento de imunoterapia até hoje. Particularmente importantes foram seus efeitos nos pacientes com câncer de pulmão, que sempre se mostraram resistentes a esse tipo de tratamento.
Opinião do especialista: Milton José de Barros e Silva, oncologista clínico do Hospital A. C. Camargo
"É uma pesquisa inicial, mas sem sombra de dúvida bastante estimulante, pelas perspectivas futuras que abre. Seu mecanismo de ação é inteligente e ela apresenta bons resultados preliminares."
"A célula que podia destruir o câncer é o linfócito T. O problema é que quando ela chega no tumor, existe uma substância que desliga o linfócito. O que essa droga faz é se ligar no linfócito e cobrir esse botão de desligar. No entanto, o tratamento não é isento de efeitos colaterais. O sistema imunológico também pode atacar os tecidos saudáveis."
"A área da imuno-oncologia está em franca expansão. Ela não está voltada ao desenvolvimento de drogas contra o câncer, mas em drogas que estimulem o sistema imunológico contra os tumores. Hoje, já temos uma droga deste tipo em uso: a Anti–CTLA-4. Ela já foi aprovada nos Estados Unidos, e está sendo analisada pela Anvisa."

Medicamento reduz efeitos colaterais no tratamento do câncer de mama


O que diz a pesquisa: Um novo medicamento é capaz de combater o câncer de mama metastático do tipo HER2-positivo, que atinge até 20% das pacientes, sem atacar as outras células do organismo. Ainda em fase experimental, a droga T-DM1 promete prolongar a sobrevida e retardar a evolução da doença nessas pacientes, sem causar os efeitos colaterais típicos da quimioterapia, como perda de cabelo e diarreia. Ele é formado pela combinação de duas substâncias que já existem no mercado: o trastuzumabe e o quimioterápico emtansine (DM1). O trastuzumabe se liga às células cancerígenas que tenham o reagente HER2-positivo. Logo depois, o emtansine localiza essas células e as destrói.
Como foi feita: O estudo foi realizado com 991 pacientes, sendo que todas já haviam sido tratadas apenas com trastuzumabe. Metade do grupo recebeu o T-DM1, e a outra metade o tratamento padrão. Aquelas que passaram pelo novo tratamento não apresentaram progressão da doença por 9,6 meses, contra 6,4 meses no grupo controle. Das pacientes que tomaram o T-DM1, 43,6% tiveram os tumores reduzidos, enquanto apenas 30,8% do grupo controle apresentaram redução. No grupo que recebeu o medicamento, houve um aumento de 7,1 meses de qualidade de vida (sem progressão da doença). Já no grupo que recebeu os quimioterápicos tradicionais, o aumento foi de 4,6 meses.
Porque é importante: Como a substância não ataca as células saudáveis do corpo, as pacientes conseguem viver por mais tempo com menos efeitos colaterais decorrentes do tratamento.
Opinião do especialista: Solange Moraes Sanches, oncologista clínica do Hospital A. C. Camargo
"Quando falamos no câncer de mama, estamos tratando de várias doenças. Uma delas é o subtipo HER2-positivo. Ele é responsável por cerca até 20% dos casos de câncer de mama, e é bastante agressivo. As pacientes que sofriam com ele eram as que tinham uma maior evolução no câncer. Já há alguns anos essa história começou a mudar, justamente por conta do trastuzumabe."
"Quando você usa o trastuzumabe, ele se liga diretamente a essas células tumorais. O que acontece é que o trastuzumabe tem ação importante, mas pequena, e acabava tendo que ser usado junto com a quimioterapia. O grande problema da quimioterapia é que ela ataca tanto as células corporais quanto as normais."
"Com essa nova medicação, o trastuzumabe é ligado na molécula de um quimioterápico. A grande sacada foi fazer essa ligação entre os dois medicamentos. Depois de jogado no sangue, ele vai se ligar somente nas células com o HER2, e jogar a substância tóxica ali dentro."
"Esse tratamento aumentou tanto o tempo que o tumor leva para crescer quanto o tempo de vida. É uma grande pesquisa, um dos melhores resultados da ASCO. Essa medicação está sendo aguardada com expectativa pelos oncologistas. Agora, ela está aguardando aprovação pelo FDA, o que não acontece antes de 2 anos."

Hormônio experimental aumenta tempo de vida de pacientes com câncer de próstata avançado


O que diz a pesquisa: Um hormônio chamado enzalutamida é capaz de aumentar o tempo de vida de pacientes com câncer de próstata avançado em cerca de cinco meses, além de melhorar sua qualidade vida. Para crescer, o tumor na próstata necessita da ação da testosterona. O hormônio atrapalharia essa interação.
Como foi feita: Os testes foram realizados em 1.119 homens com uma forma avançada de câncer de próstata, que pararam de responder à quimioterapia. Para metade deles, os pesquisadores forneceram o hormônio, enquanto a outra metade recebeu placebos. Como resultado, aqueles que tomaram o medicamento viveram em média 18,4 meses, enquanto o outro grupo viveu 13,6. Além disso, 43% daqueles que passaram pelo tratamento apresentaram melhoras em sua qualidade de vida. Entre os que tomaram placebo, o número foi de 18%.
Porque é importante: Até pouco tempo, não existiam tratamentos para esse tipo de câncer. Apesar de não representar uma cura para a doença, o hormônio pode dar a esse paciente mais alguns meses de vida, com menos dores e sofrimento.
Opinião do especialista: Stênio de Cássio Zequi, cirurgião oncologista do Núcleo de Urologia do Hospital A. C. Camargo.
"O principal 'combustível' do câncer de próstata é a testosterona, o hormônio masculino. Até por volta de oito anos atrás, o tratamento para paciente com câncer de próstata metastático era tirar esse hormônio de seu corpo. Ele era submetido a uma espécie de castração. Enquanto o homem normal tem um nível de testosterona de 240 a 800, diminuíamos o nível do doente para 20. O tumor regredia, o cansaço e as dores diminuíam. Porém, depois de 15 a 18 meses, o câncer arranjava outros modos de se 'alimentar' no corpo do doente, e a doença voltava. O próprio ambiente tumoral produz substâncias que estimulam o câncer. Mais recentemente, começamos a usar nesses pacientes substâncias que bloqueavam o receptor da testosterona, para não ter de realizar a castração. Esses medicamentos são conhecidos como antiandrogênicos."
"Há alguns anos, houve um grande avanço nesse campo e surgiram novas drogas superandrogênicas. Elas têm um efeito colateral menor e são de uso oral, o que aumenta a qualidade de vida do paciente. É o caso da enzatulamida. Os pesquisadores testaram a substância em pacientes que não respondiam mais à quimioterapia. Neles, ela aumentou sua vida em até cinco meses. Pode não parecer  muito, mas é um ganho palpável. Normalmente o tratamento nessa etapa tem muitos efeitos colaterais. Nesta fase a gente quer aumentar o tempo de vida, mas também com qualidade de vida. E neste estudo 43% dos que tomaram a droga relataram melhoras na qualidade de vida."
"É uma droga que entra no arsenal terapêutico de uma doença que era muito mortal. A cada seis meses surgem novas notícias nesse campo. São várias luzinhas no fim do túnel. Estou nessa área há 19 anos e nunca ouvi tanta notícia boa quanto nos últimos dois."

Ginseng reduz exaustão entre pacientes com câncer


O que diz: Pesquisadores da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, concluíram que tomar grandes quantidades de ginseng ajuda a reduzir a fadiga e a exaustão em pessoas com câncer. Segundo os pesquisadores, a fadiga entre esses pacientes pode estar associada um aumento dos níveis de citocina, molécula que desencadeia inflamações no corpo. Estudos feitos com animais mostram que o ginseng reduz a quantidade da citocina no organismo — o que pode ajudar a explicar resultados.
Como foi feita: Os cientistas estudaram 340 pacientes que haviam concluído ou que estavam em tratamento contra um câncer. Durante oito semanas parte deles recebeu placebo, enquanto o resto consumiu uma cápsula com dois gramas de ginseng puro por dia. Depois desse período, os pacientes que receberam a raiz relataram sentir 20% menos exaustão do que o restante dos participantes.
Porque é importante: Qualquer droga que possa diminuir a fadiga, um dos sintomas mais comuns em pacientes com câncer, é uma avanço. No entanto, os cientistas alertam que aqueles que queiram utilizar o ginseng devem procurar orientação médica, pois ele pode interferir no efeito de outros medicamentos utilizados para combater a doença.
Opinião do especialista: Solange Moraes Sanches, oncologista clínica do Hospital A. C. Camargo
"A fadiga é um sintoma muito comum nos pacientes com câncer e que atrapalha sua qualidade de vida. Existem muitas causas: a atividade da doença, o próprio tratamento e o efeito de alguns medicamentos."
"O problema dessa pesquisa é que ela não leva em conta outros fatores. A gente não sabe qual era o estado de humor do paciente, se o seu tratamento era preventivo ou se a doença estava ativa. Essas situações podem colaborar com maior ou menor grau na fadiga. O trabalho só levou um fator: o uso de ginseng. É um trabalho interessante, mas a meu ver não dá subsídio para prescrever a substância."
"É preciso tomar cuidado com a segurança das medicações. Mesmo as substâncias ditas naturais têm interação medicamentosa e podem causar efeitos colaterais. É importante que ninguém saia tomando ginseng sem falar com seu médico."

Nova substância interfere no crescimento do melanoma


O que diz a pesquisa: Uma droga chamada trametinib atrapalha o crescimento do tumor em pacientes com um tipo avançado de melanoma, além de aumentar seu tempo de vida. O medicamento só tem efeito em pacientes que apresentem mutação em um gene chamado BRAF, responsável por cerca de metade dos casos da doença.
Como foi feita: O estudo envolveu 322 pacientes com melanoma avançado. Uma parte recebeu o tratamento com trametinib, enquanto a outra parte recebeu quimioterapia comum. A droga desacelerou ou parou o crescimento do melanoma em 22% dos pacientes que receberam o novo tratamento. Somente 8% dos que passaram pela quimioterapia tiveram o mesmo resultado. Depois de seis meses, 81% dos pacientes que receberam a droga estavam vivos, número que ficou em 67% entre os que passaram pela quimioterapia.
Porque é importante: Se descoberto cedo, o melanoma pode ser facilmente curado ao se retirar cirurgicamente a região de pele danificada. No entanto, sempre foi difícil tratar o tumor depois que ele se espalhava. A nova pesquisa traz esperanças para os pacientes que sofrem da forma avançada da doença.
Opinião do especialista: Milton José de Barros e Silva, oncologista clínico do Hospital A. C. Camargo
"Em 50% dos melanomas há uma mutação nos genes BRAF, que confere um estímulo ao crescimento do tumor. A droga não atua diretamente BRAF, mas numa molécula que é estimulada por ele. Nesse estudo, os especialistas compararam o uso desse tratamento contra a quimioterapia. Podemos observar um benefício em termo de sobrevida do paciente."  
"Quando o melanoma é diagnosticado nas fases inicias, ele é curado na maioria dos casos. Mas depois da metástase, a chance de cura é pequena. Os números dessa pesquisa não são tão animadores, mas ela ajuda a entender melhor como o melanoma funciona e cresce. Isso, num horizonte mais longínquo, pode levar à cura."

Medicamento para câncer de pulmão se mostrou efetivo contra três tipos de tumores infantis


O que diz a pesquisa: A droga crizotinib, desenvolvida originalmente para combater o câncer de pulmão, também se mostrou efetiva contra três tipos de câncer infantil: o neuroblastoma, o linfoma anaplásico de grandes células e o tumor miofibroblástico inflamatório. Em alguns dos casos, o câncer desapareceu completamente. O medicamento ataca especificamente mutações genéticas no gene ALK, que está presente em todos esses tipos de câncer.
Como foi feita: Os cientistas receitaram crizotinib para 70 crianças que possuíam um desses três tipos de câncer. Dezoito meses depois do tratamento, eles descobriram que 88% das crianças com o linfoma anaplásico de grandes células não tinham mais evidências do câncer. Já entre as 27 crianças com neuroblastomas, em três o tumor desapareceu, e em oito ele parou de crescer. O câncer também havia desaparecido ou diminuído na maior parte dos pacientes com o tumor miofibroblástico inflamatório.           
Porque é importante: Essas três formas de câncer infantil são extremamente agressivas e resistentes. A nova descoberta pode levar a técnicas que interfiram no crescimento do tumor e a tratamentos efetivos contra a doença.
Opinião do especialista: Thiago Bueno de Oliveira, oncologista clínico do Hospital A. C. Camargo
"O crizotinib é uma droga nova utilizada no tratamento do câncer de pulmão. Alguns desses tumores têm sua progressão induzida por uma alteração genética. Por causa dela, a célula é levada a se dividir cada vez mais. É como um acelerador sempre pressionado. A partir desse conhecimento se desenvolveu a droga, que inibe o hiperfuncionamento desse gene. Descobriu-se agora que outros tipos de tumores também são induzidos por essa mesma causa, como alguns tumores que atingem crianças."
"Os resultados do crizotinib são muito melhores que a quimioterapia – 88% é um número muito alto. E é uma droga que não traz efeitos colaterais. Ela é muito recente, está em testes há cerca de dois anos, e ainda não está disponível comercialmente no Brasil."

Nova radioterapia pode tratar câncer nos rins


O que diz a pesquisa: Um novo tipo de radioimunoterapia, chamado In-111-cG250, começou a ser estudado para tratar uma forma resistente de câncer de rim, o carcinoma renal de células claras. O medicamento é capaz de atingir as células cancerígenas e aplicar uma dose poderosa e precisa de radiação diretamente no tumor. A pesquisa mais recente mostrou, no entanto, que a substância que pode ter sua efetividade diminuída se usada junto com outras drogas, como o sorafenib. Esse medicamento interfere no crescimento das células do câncer, mas também afeta a habilidade do In-111-cG250 de encontrar esses tumores.
Como foi feita: Os pesquisadores recrutaram 15 pacientes que sofriam com câncer de rim. Destes, 10 recebiam o tratamento com o sorafenib. Todos passaram pela radioimunoterapia. Os estudos mostraram que o tratamento foi menos efetivo entre aqueles que consumiram anteriormente o outro medicamento.
Porque é importante: A pesquisa ajuda a desenvolver regimes terapêuticos mais efetivos para tratar o carcinoma renal de células claras. Como resultado, os pesquisadores sugerem que o tratamento com In-111-cG250 deveria ser prescrito antes do sorafenib.
Opinião do especialista: Stênio de Cássio Zequi, cirurgião oncologista do Núcleo de Urologia do Hospital A. C. Camargo.
"Existem cinco tipos de câncer de rim. O carcinoma renal de células claras é uma das formas mais letais da doença, e representa 80% dos casos. Ultimamente, o diagnóstico de cânceres pequenos tem aumentado. No entanto, embora a gente faça o diagnóstico mais cedo, a mortalidade não tem caído. Pelo menos 30% dos doentes já têm metástase quando o diagnóstico é feito. Esse carcinoma não responde bem tanto à quimioterapia quanto à radioterapia convencional."
"Nos últimos anos, tem aparecido uma infinidade de novas drogas que funcionam de modo diferente da quimioterapia. Elas são conhecidas como drogas inteligentes. Quando você joga a quimioterapia no sangue, ela mata tudo que está crescendo, como o cabelo e a mucosa oral e digestiva. Não consegue distinguir entre mocinho e bandido. Já essa nova terapia de alvos moleculares é inteligente. São anticorpos voltados contra determinados fatores de crescimento tumoral, e vão atingir só aquele alvo. Logo, têm menos efeitos colaterais."
"O estudo usou um radiofármaco de alcance pequeno, o In-111, que emite uma radiação de milímetros quando é injetado na veia. Já o cG250 é um anticorpo inteligente, que gruda no receptor PKI, presente em uma parte dos cânceres de rim. Ao juntá-los, os pesquisadores fazem com que o In-111 irradie somente onde tiver tumor."
"Os pesquisadores estudaram pacientes que já tinham recebido uma outra droga bastante usada, o sorafenib. Nesses casos, o anticorpo aderiu menos ao seu alvo. A conclusão da pesquisa é que esse tratamento tem efeito, mas é inibido se aplicado depois do sorafenib."
"A pesquisa é pequena, precisamos de mais estudos. Ainda assim, ela abre uma nova janela para tratar o câncer de rim no futuro. O que me alegra nessa notícia é o conceito por trás dela.”

Tratamento pode curar câncer de pele sem necessitar de hospitalização


O que diz a pesquisa: Um novo tipo de adesivo cutâneo foi capaz de destruir tumores faciais em 80% dos pacientes estudados, sem necessidade de cirurgia ou terapia radiológica. Os pacientes tratados sofriam com carcinoma de células basais, o tipo de câncer mais comum a atingir as camadas superficiais da pele. O adesivo, chamado de p-32, é capaz de aplicar doses de radiação nos pontos afetados, sem necessitar a internação do paciente.
Como foi feita: Os cientistas aplicaram os adesivos em 10 pacientes com carcinoma de células basais na face. As lesões se concentravam ao redor dos olhos, nariz e testa. Eles usaram os adesivos durante três horas, em três dias diferentes. As doses de radiação foram aplicadas somente nas regiões lesionadas, sem causar danos em outras áreas da pele. Três meses depois, os pesquisadores realizaram biópsias nos pacientes: em 8 dos dez casos, eles estavam completamente curados.
Porque é importante: É um tratamento simples e barato, que não necessita da internação do paciente. Com mais estudos, ele pode se tornar tanto o tratamento padrão para esse tipo de câncer quanto uma terapia alternativa, a ser usada quando a cirurgia e radioterapia não forem possíveis.
Opinião do especialista: Milton José de Barros e Silva, oncologista clínico do Hospital A. C. Camargo
"O carcinoma é o tipo mais comum de câncer de pele, com altas chances de cura. Normalmente, ele é tratado com cirurgia. Muitas vezes ele se desenvolve em áreas expostas ao sol, como a face. Infelizmente a cirurgia nessa região tem um aspecto mutilador. Esse estudo facilita o tratamento do tumor nessa região."
"É uma pesquisa inicial, feita em poucos pacientes. Ela não substitui a necessidade do diagnóstico precoce e da intervenção cirúrgica. Não vejo esse tratamento disponível de forma rotineira, porque depende da medicina nuclear. Ele é um adesivo contendo fósforo 32, um elemento radioativo. Isso exige uma certa estrutura, não dá para ter em qualquer lugar do país. Vai ser uma opção para os casos em que as cirurgias possam trazer muito dano. Mas os pesquisadores ainda precisam mostrar que a regressão do tumor é definitiva."

Técnica permite descobrir rapidamente resultado de tratamentos contra câncer no cérebro


O que diz a pesquisa: Uma nova técnica de imagem molecular permite descobrir o resultado do tratamento contra um tipo de câncer cerebral, o glioma, em até duas semanas. Normalmente, esse tipo de tumor é tratado com cirurgias, radio ou quimioterapia, mas ele é conhecido por reaparecer depois do tratamento. A pesquisa descobriu que, para descobrir se a técnica foi efetiva, os médicos devem injetar no paciente uma substância que imita um aminoácido presente no cérebro. Eles podem concluir se o câncer ainda está ativo ao analisar a concentração dessas proteínas, uma vez que as células do tumor agrupam mais essa substância do que as saudáveis.
Como foi feita: Trinta pacientes com o glioma passaram pelo processo imediatamente antes do tratamento e duas semanas depois. Aqueles nos quais as imagens mostravam a regressão do câncer viveram até três vezes mais do que aqueles que não responderam bem ao processo.
Porque é importante: Esse tipo de tumor é extremamente agressivo. Nesses casos, uma técnica capaz de descobrir rapidamente se o paciente respondeu ao tratamento é essencial. Até agora, não existia nenhuma método não-invasivo de fazer isso.
Opinião do especialista: Milton José de Barros e Silva, oncologista clínico do Hospital A. C. Camargo
"O glioma é muito agressivo, e costuma voltar depois do tratamento na maioria dos casos. É importante diagnosticá-lo rapidamente porque ele pode trazer muita morbidade. Se descoberto de forma tardia, pode trazer danos motores e neurológicos. Esse tumor pode deixar sequelas, dependendo de sua localização, extensão e do tipo de terapia. Quanto mais rápido se souber da existência do tumor, melhores as condições de tratá-lo e menos sequelas."

Pesquisa mostra como o câncer no pâncreas engana o sistema imunológico


O que diz a pesquisa: Ela mostra a estratégia usada pelo câncer no pâncreas para não ser atacado pelas células do sistema imunológico do paciente. Isso se deve a uma mutação no gene KRAS, presente em 95% desses cânceres. Esse gene expressa a proteína GM-CSF, que gera uma acumulação de células supressoras em volta do tumor. São essas células que protegem o câncer, deixando-o livre para crescer.
Como foi feita: Os cientistas bloquearam a produção da proteína GM-CSF em células de câncer no pâncreas de ratos. Desse modo, eles conseguiram acabar com a acumulação de células supressoras, liberando a resposta do sistema imunológico dos animais.
Porque é importante: Descobrir como o câncer no pâncreas, conhecido por sua natureza agressiva, consegue escapar do sistema imunológico é o primeiro passo para interromper o avanço da doença. As terapias a disposição hoje em dia são pouco efetivas contra esse tipo de tumor — somente 4% dos pacientes conseguem sobreviver depois de 5 anos do diagnóstico.
Opinião do especialista: Milton José de Barros e Silva, oncologista clínico do Hospital A. C. Camargo
"O diagnóstico de câncer de pâncreas é muito grave, já que normalmente acontece quando o tumor já está avançado. Nesta etapa, ele já tem muitas mutações, que o tornam resistente a tratamentos. Pela primeira vez, vislumbramos um tratamento efetivo para essa doença. No entanto, essa pesquisa foi realizada em nível laboratorial, ainda não foi testada em seres humanos."
"Nosso sistema imunológico vive em equilíbrio entre dois polos: o ataque e o repouso. O que o câncer faz é usar as células do corpo que atuam na modulação desse equilíbrio, e as estimula a trabalhar em seu benefício. A mutação nos genes KRAS é uma das mais frequentes no câncer de pâncreas — aparece em 95% deles. Uma das consequências dessa mutação é um estimulo que leva as células supressoras do sangue para o tumor, criando um ambiente que engana o sistema imunológico."

Estudo mostra como infecções podem levar ao desenvolvimento de câncer no fígado e cólon


O que diz a pesquisa: Um dos maiores fatores de risco para o câncer no fígado, cólon e estômago são inflamações nesses órgãos causadas por infecções bacterianas ou virais. Um novo estudo conduzido no MIT mostrou como isso acontece. Quando o sistema imunológico detecta invasores, ele envia células chamadas macrófagos e neutrófilos para acabar com a ameaça. Elas fazem isso englobando a bactéria, células mortas e restos soltos de células danificadas. Como parte desse processo, essas células liberam químicos muito reativos, que ajudam a combater a ameaça. No entanto, esses químicos também podem danificar o tecido humano. Essa inflamação, se durar muito, pode levar ao câncer.
Como foi feita: Os pesquisadores analisaram mudanças genéticas e químicas no fígado e colón de ratos infectados com a bactéria Helicobacter hepaticus, muito similar à Helicobacter pylori, que causa úlceras no estômago de humanos. Durante 20 semanas, os ratos desenvolveram infecções crônicas – algumas delas desencadearam câncer. Nesse período, eles descobriram por volta 12 danos nos DNA e RNA dos ratos, e analisaram que genes eram ativados ou desativados com o progresso da infecção. Por exemplo, os neutrófilos liberam ácido hipocloroso quando defendem o cólon. Esse ácido deveria atacar as bactérias, mas também provoca danos no DNA, ao adicionar nele um átomo de cloro.
Porque é importante: Ela deve ajudar os médicos a desenvolver modos de prever as consequências de inflamações crônicas, além de criar novas drogas para controlar essas inflamações. Os pesquisadores poderiam, por exemplo, desenvolver modos de bloquear seus efeitos tóxicos e impedir que acabem desenvolvendo um câncer.
Opinião do especialista: Milton José de Barros e Silva, oncologista clínico do Hospital A. C. Camargo
"Há muito tempo sabemos que a inflamação crônica é uma situação que pode levar ao câncer. E que muitas dessas inflamações são causadas por infecções. O que esse estudo mostra de novo é como essas infecções promovem as inflamações, e como elas podem levar a alterações no ambiente normal do órgão."
"O câncer de intestino é sensível à quimioterapia e temos como tratá-lo. Já o câncer de fígado é muito agressivo, semelhante ao do pâncreas, e é resistente à maioria dos tratamentos. Entendendo como as inflamações acontecem, podemos bolar estratégias de prevenção."
"Essa pesquisa, além de gerar conhecimento, pode trazer novas oportunidades de tratamento. Em cada órgão, a infecção acontece de um modo diferente, então provavelmente uma droga só não vai cuidar de todos. Vamos ter que entender como elas acontecem em cada órgão."

Fonte: veja.abril.com.br