domingo, 3 de fevereiro de 2013

Exagero no uso de filtros solares causa deficiência de vitamina D


Exageros

A propaganda para proteger a pele do Sol parece estar sendo largamente exagerada, a ponto de gerar uma insuficiência de vitamina D na população.
A maior parte da vitamina D necessária ao organismo é sintetizada na pele, com o estímulo dos raios ultravioleta. O processo é prejudicado pelo uso de filtros solares.
A recomendação para uso de filtros solares tem como objetivo evitar o exagero na exposição ao Sol, que pode aumentar o risco de câncer de pele - mas isso não significa que as pessoas não devam tomar sol.
Estudos já demonstraram que os jovens brasileiros têm insuficiência de vitamina D por falta de exposição ao Sol.
Agora, um novo estudo realizado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostrou que a carência de vitamina D em grandes centros urbanos como São Paulo já atingiu índices alarmantes.
Desta vez, o problema foi verificado particularmente entre os idosos.

Tempo de Sol necessário

O alerta é da médica Marise Lazaretti Castro, professora da Disciplina de Endocrinologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), chefe do Setor de Doenças Osteometabólicas da Escola Paulista de Medicina e pesquisadora do tema há mais de 15 anos.
"Costumam dizer que 20 minutos de exposição nas primeiras horas da manhã ou no fim da tarde são suficientes, mas isso não é necessariamente verdade. É difícil você saber ao certo o quanto de Sol é necessário.
"Pessoas negras precisam de mais tempo do que pessoas brancas e os idosos levam pelo menos o triplo do tempo para produzir a mesma quantidade de vitamina que os jovens", explica a médica Marise Lazaretti Castro.
A pesquisa mostrou que 92% dos idosos em ambientes de acolhimento sofrem de deficiência de vitamina, número que fica em 85% entre os idosos que ainda moram na própria residência.
Entre os jovens, a deficiência de vitamina D foi de 40%.

Riscos da falta de vitamina D

A insuficiência de vitamina D no organismo eleva o risco de osteoporose e fraturas, devido ao aumento na produção do hormônio da paratireoide, o PTH, que provoca a desmineralização dos ossos.
Quando o quadro é mais grave, passando da insuficiência para a deficiência, o risco é de uma doença ainda mais grave, a osteomalácia, o amolecimento dos ossos, além de fraqueza muscular.
"Estudos recentes têm associado a deficiência de vitamina D a uma série de outros problemas de saúde, como câncer de mama, de próstata, colorretal, além de condições autoimunes, como diabetes e esclerose múltipla," disse a médica.
A recomendação é que os adultos apresentem pelo menos 30 nanogramas (ng) de 25-hidroxivitamina D (25OHD), que é o metabólico dosado no exame de sangue.
E a melhor forma de manter esse nível saudável de vitamina D no corpo não custa nada e não tem efeitos colaterais - tomar sol de forma saudável e sem exageros.

Fonte: Agência Fapesp