terça-feira, 28 de maio de 2013

Pesquisadores brasileiros testam eficácia e segurança de 20 plantas medicinais

O objetivo da pesquisa é ampliar as opções disponíveis na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS.

Uma pesquisa em andamento na Universidade Estadual Paulista (Unesp) busca avaliar a segurança e a eficácia de extratos de 20 plantas medicinais no tratamento de doenças como úlcera, colite, doença inflamatória intestinal, dores crônicas, inflamação, câncer e diabetes.

Na primeira fase do trabalho, coordenado por Wagner Vilegas, foram extraídos os princípios ativos presentes nas espécies. As moléculas foram isoladas e tiveram sua estrutura caracterizada. Em seguida, foram feitos experimentos in vitro e em roedores para avaliar a ação terapêutica e possíveis efeitos adversos.

O objetivo da pesquisa, de acordo com Vilegas, é ampliar as opções disponíveis na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao Sistema Único de Saúde (Renisus). Divulgada em 2009 pelo Ministério da Saúde, essa listagem traz 71 plantas com potencial para gerar produtos de interesse para a rede pública de saúde.

Com base nos experimentos, o grupo de pesquisadores selecionou extratos das seis espécies mais promissoras para uma investigação aprofundada.

A Serjania marginata e a Machaerium hirtum demonstraram ação gastroprotetora, analgésica e anti-inflamatória, sem efeito mutagênico ou tóxico. Já a Rhizophora mangle e a Hymenaea stigonocarpa mostraram potencial terapêutico para o tratamento de doença inflamatória intestinal. As espécies Myrcia bella e a Bauhinia holophylla apresentaram resultados experimentais promissores para tratamento do diabetes.

"Pretendemos investigar melhor os mecanismos de ação dos princípios ativos presentes nessas espécies. O interessante seria descobrir um mecanismo de ação diferente daqueles existentes nos medicamentos já comercializados", explicou o coordenador.

Na próxima etapa da pesquisa, serão realizados estudos para avaliar se há alterações sazonais ou geográficas nos extratos das espécies estudadas, ou seja, se a quantidade de princípios ativos varia de acordo com o local em que a planta foi cultivada ou de acordo com a época do ano em que foi colhida.

"Estamos fazendo o cultivo em campo dessas espécies, pois, para produzir extratos padronizados, é importante avaliar se a planta fornece matéria-prima para a produção dos fitoterápicos em quantidade suficiente ao longo de todo o ano. Se não for possível manter a regularidade do fornecimento, não será viável transformá-las em produtos fitoterápicos", disse Wagner Vilegas.

Fonte: Unesp