terça-feira, 28 de maio de 2013

Reino Unido autoriza venda de novo medicamento para o combate ao alcoolismo

Produzido pelo laboratório dinamarquês Lundbeck, o nalmefeno ajuda a reduzir o consumo de álcool

Desde o dia 6 de maio o laboratório dinamarquês Lundbeck tem autorização das autoridades de saúde do Reino Unido para comercializar o Selincro (nalmefeno), medicamento indicado para o tratamento de pacientes adultos com dependência de bebidas alcoólicas. Estudos clínicos demonstram que pacientes submetidos ao tratamento com o novo medicamento ao longo de seis meses registraram redução de cerca de 60% no consumo de álcool ao fim desse período. 

A EMA (European Medicines Agency), agência europeia responsável pela regulação de medicamentos nos países da Comunidade Europeia, já concedeu autorização à Lundbeck para a comercialização do produto em toda Europa. No Brasil, o Selincro ainda não é aprovado.

“O Selincro representa a primeira inovação no tratamento da dependência ao álcool em muitos anos", afirma o vice-presidente executivo Anders Gersel Pedersen, chefe de Pesquisa & Desenvolvimento da Lundbeck. Segundo ele, “a aprovação do Selincro é uma notícia de impacto para muitos pacientes com dependência ao álcool que, de outra forma, poderiam não buscar tratamento”.

O novo medicamento age no sistema de recompensa do cérebro, que está desregulado em pacientes com dependência ao álcool (1). O Selincro reduz os efeitos de reforço associados ao álcool e, assim, diminui a necessidade urgente de consumir bebidas alcoólicas.

A Lundbeck apresenta o Selincro como parte de um novo conceito no tratamento da dependência ao álcool, o conceito da redução do consumo. O tratamento proposto inclui também suporte psicossocial com foco na redução do consumo de álcool e na adesão ao tratamento. 

“Para uma grande proporção de pacientes com dependência ao álcool, a redução do consumo de bebidas alcoólicas é uma meta mais aceitável e realista”, comenta o professor Dr. Karl F. Mann, chefe do Departamento de Comportamento de Adição e Medicina da Adição do Instituto Central de Saúde Mental de Mannheim, Alemanha. “Esta opção de tratamento abre um novo capítulo na terapia da dependência ao álcool”, observa o pesquisador.  

A autorização de comercialização do Selincro em todos os países da União Europeia foi baseada nos resultados de três estudos iniciais que avaliaram a eficácia e a segurança do medicamento em aproximadamente dois mil pacientes dependentes de álcool. 

O Selincro se mostrou efetivo na redução do consumo de álcool em pacientes de alto risco. Os pacientes tratados com o medicamento apresentaram 40% de redução no consumo total de álcool no primeiro mês e, após seis meses, o consumo de álcool foi reduzido em aproximadamente 60%. Isso corresponde a uma redução média de quase uma garrafa de vinho por dia. Dados de um estudo de um ano sugeriram uma eficácia de longo-prazo para o Selincro, além dos seis meses. O medicamento é geralmente bem tolerado e os eventos adversos são em geral leves a moderados e transitórios. 

Sobre o Selincro (nalmefeno) 

O Selincro é indicado para a redução do consumo de bebidas alcoólicas em pacientes adultos com dependência ao álcool que estão em alto risco (ingestão superior a 60 g/dia para homens, e superior a 40 g/dia para mulheres) sem sintomas físicos de abstinência e que não requerem uma desintoxicação imediata. Uma lata de 350 ml de cerveja equivale a aproximadamente 17 g de álcool, uma garrafa de vinho, a aproximadamente 80 g e uma dose de destilado (50 ml), a 20-25 g. O Selincro deve ser prescrito em associação a um suporte psicossocial contínuo, focado na adesão ao tratamento e na redução do consumo de álcool. O tratamento deve ser iniciado apenas em pacientes que continuam a apresentar um alto risco após duas semanas da primeira avaliação. O medicamento só deve ser usado quando necessário, ou seja, um comprimido nos dias em que o paciente percebe um risco de beber álcool, preferencialmente uma a duas horas antes do horário de beber.

Sobre a dependência ao álcool

A dependência ao álcool é uma doença do cérebro com uma probabilidade alta de seguir um curso progressivo. O álcool é tóxico para a maioria dos órgãos do corpo e o nível de consumo está fortemente relacionado ao risco de morbidade e mortalidade a longo prazo. O álcool é um fator causal de mais de 60 tipos de doenças. Fatores genéticos e ambientais são importantes no desenvolvimento da dependência ao álcool; os fatores genéticos respondem por aproximadamente 60% do risco de desenvolver a doença. Uma característica central da dependência ao álcool é a forte e frequente vontade de consumi-lo. Os pacientes apresentam dificuldades em controlar o consumo de álcool e continuam a consumi-lo independentemente das consequências danosas. O diagnóstico da dependência ao álcool requer pelo menos três dos seis critérios da CID-10 (Classificação Internacional de Doenças, 10ª Edição) da Organização Mundial da Saúde.

O consumo excessivo de álcool é comum em muitas partes do mundo, especialmente na Europa, onde mais de 14 milhões de pessoas são dependentes do álcool. Na Europa apenas 8% dos pacientes dependentes de álcool recebem alguma forma de tratamento. A abstinência e a redução do consumo de bebida alcoólica devem ser metas do tratamento e devem ser consideradas parte de uma abordagem abrangente da terapia de pacientes com dependência ao álcool. 

Referências:

1 Heinz et al. Addict Biol 2009; 14(1): 108-118 
2 Spanagel & Valentina. Curr Topics Behav Neurosci 2013; 13: 583–609
3 Drobes et al. Alcohol Clin Exp Res 2004; 28(9): 1362-70 
4 Burge et al. Am Fam Physician 1999; 59(2): 361-370
5 Leshner. Science 1997; 278: 45-47 
6 Rehm et al. Eur Addict Res 2003; 9: 147-156
7 WHO. Global status report on alcohol and health, 2011 
8 Schuckit. Ch. 98. In: Davis et al (eds). Neuropsychopharmacol: The Fifth Generation of Progress 2002 
9 WHO, ICD-10, F10-19 
10 Wittchen et al. Eur Neuropsychopharmacol 2011;21(9): 655-679
11 Kohn et al. Bull World Health Organ 2004; 82(11):858-866 
12 Ambrogne. J Subst Abuse Treat 2002; 22(1): 45-53

Sobre a Lundbeck 

A Lundbeck é uma companhia farmacêutica global altamente comprometida em melhorar a qualidade de vida de pessoas que vivem com doenças do cérebro. Para tanto, a Lundbeck está engajada em um conjunto de atividades, como pesquisa, desenvolvimento, produção, comercialização e venda de produtos farmacêuticos no mundo. Os produtos da companhia têm por alvo doenças como depressão e ansiedade, transtornos psicóticos, epilepsia, doença de Huntington, doença de Alzheimer e doença de Parkinson. A lista de produtos em desenvolvimento da Lundbeck é composta por diversos programas que já estão em estágio intermediário a final. 

A companhia emprega mais de 5.800 pessoas no mundo, 2.000 das quais na Dinamarca. Tem empregados em 57 países e produtos registrados em mais de 100 países. Os seus centros de pesquisa estão localizados na Dinamarca, China e nos Estados Unidos e as fábricas estão situadas na Itália, França, China e Dinamarca. Em 2012 a Lundbeck gerou uma renda de aproximadamente 15 bilhões de coroas dinamarquesas (aproximadamente R$ 5 bilhões). Para informações adicionais, visite o endereço eletrônico corporativo www.lundbeck.com.

Fonte: Dikajob