terça-feira, 28 de maio de 2013

Terapia com laser é nova opção contra atrofia vaginal

Um tratamento que chegou ao país recentemente promete tratar alguns dos sintomas indesejáveis da menopausa. Trata-se de um laser de CO2 fracionado, indicado para a atrofia vaginal. O problema acomete até metade das mulheres no climatério e se caracteriza pela perda da lubrificação e da elasticidade da mucosa vaginal e dores na relação sexual.

A atrofia é causada pela deficiência do estrógeno na menopausa, e geralmente é tratada com cremes à base desse hormônio.

O aparelho, segundo o fabricante, consegue recuperar a elasticidade, a espessura e a umidade da vagina ao estimular a produção de colágeno e poderia ser uma opção para quem tem contraindicação de usar os cremes hormonais por causa de um histórico de câncer de mama.

Hoje, mulheres com esse perfil têm como opção o ácido poliacrílico, que forma uma película de revestimento sobre a mucosa vaginal e leva à hidratação, apesar de não ser tão eficaz como os cremes hormonais, e um creme específico à base de estrogênio que tem ação local e menor absorção.

Este último tratamento, porém, precisa ser discutido entre médico e paciente e não tem segurança absoluta.

A ginecologista Vera Lucia da Cruz, professora da Faculdade de Medicina do ABC, começou a usar o laser em sua clínica privada e afirma que o tratamento é indolor e não traz desconforto. Segundo ela, podem ser necessárias até três sessões por ano.

Uma de suas pacientes, que não quis se identificar, disse ter ficado satisfeita. Ela conta não ter sentido nenhum incômodo. "Senti como se algo estivesse girando, mas foi mais rápido e menos desconfortável do que o exame de Papanicolaou".

Com 60 anos e vida sexual ativa, ela disse ter notado uma melhora grande na relação sexual. "Passei a sentir mais prazer, levantou minha autoestima. Antes era dolorido, incomodava, tinha deixado de ser agradável."

Aprovado pela Anvisa no ano passado, o laser Monalisa Touch deve ser alvo de dois estudos na Faculdade de Medicina do ABC, sob a coordenação da professora Vera Lucia da Cruz.

Um deles pretende comparar o tratamento tradicional (cremes à base de estrogênio) com o novo laser. O outro vai testar o laser em mulheres jovens que entraram na menopausa precocemente, depois de terem sido submetidas a tratamentos contra o câncer.

Segundo César Fernandes, presidente da Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo), a descrição e os efeitos do tratamento com laser têm fundamento, mas são necessários mais estudos.

"Gostaria de ver pesquisas que reforçassem as evidências, com número maior de pacientes, comparação entre o tratamento convencional e resultados de eficácia e segurança a longo prazo", afirma.

Ele acredita que o laser não vai substituir os cremes e nem se tornar a primeira opção de tratamento, mas poderia ser uma terapia complementar.

O valor de cada aplicação (R$ 2.500), porém, deve fazer com que essa seja uma alternativa para poucas.

Fonte: Folha de S.Paulo