segunda-feira, 17 de junho de 2013

Anestesia geral aumenta risco de demência

A exposição à anestesia geral aumenta o risco de demência nos idosos em 35%, sugere um estudo apresentado no congresso anual da European Society of Anaesthesiology.

A disfunção cognitiva no pós-operatório pode estar associada a demência vários anos mais tarde. Esta disfunção é uma complicação comum que ocorre nos idosos após estes serem submetidos a uma cirurgia. Tem sido proposto que há uma associação entre a disfunção cognitiva no pós-operatório e o desenvolvimento de demência devido a um mecanismo patológico que envolve o peptídeo β amiloide. Vários estudos têm sugerido que alguns anestésicos podem promover a inflamação dos tecidos neuronais conduzindo aos precursores da disfunção cognitiva no pós-operatório e/ou doença de Alzheimer. Contudo, até a data, não foi definido se a disfunção cognitiva no pós-operatório pode ser um precursor da demência.

Neste estudo, os investigadores do INSERM e da Universidade de Bordeaux, em França, analisaram o risco de demência associado com a anestesia numa população de 9.294 indivíduos com mais de 65 anos. Os participantes foram entrevistados no início do estudo e 2, 4, 7 e 10 anos mais tarde. Cada exame incluía uma avaliação cognitiva completa com um rastreio sistemático da demência. Após dois anos de acompanhamento, 7.008 indivíduos que tinham demência foram questionados sobre a sua história passada de anestesias, gerais ou locais.

Ao fim dos dois anos de acompanhamento, 33% dos participantes revelou que tinha sido submetido a uma anestesia, 19% a uma anestesia geral e 14% a uma anestesia local. Um total de 632 pacientes desenvolveu demência nos oito anos seguintes. Os investigadores apuraram que os pacientes com demência eram mais propensos a ter recebido anestesia (37%) do que os pacientes sem demência (32%). Após terem ajustado alguns fatores foi verificado que os pacientes que foram submetidos a pelo menos uma anestesia geral apresentaram um risco 35% maior de desenvolver demência, comparativamente com aqueles que não foram sujeitos a este procedimento.  

"Estes resultados são a favor de um aumento do risco de demência vários anos após a anestesia geral. O reconhecimento da disfunção cognitiva é essencial (…) e o acompanhamento destes pacientes deve ser planeado...", conclui o líder do estudo, Francois Sztark.

Fonte: ALERT Life Sciences Computing, S.A.