domingo, 16 de junho de 2013

Arritmia cardíaca tem diversas causas e pode desencadear AVC e infartos

Nosso coração tem um ritmo de funcionamento constante, que pode se alterar para acompanhar nosso dia a dia, como bater mais rápido durante uma atividade física, uma forte emoção, ou mais devagar durante o repouso. No entanto, quando essas alterações não ocorrem de forma natural, pode ser sinal de arritmia cardíaca. “O coração, para bater de forma harmônica, tem que respeitar uma condução de impulso elétrico. Quando isso não acontece de forma adequada, ou seja, não se tem um ritmo fisiológico, é chamado de arritmia”, define o cardiologista Stephan Lachtermacher, do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), vinculado ao Ministério da Saúde.

As causas e os tipos de arritmia são diversos. “Só o fato de envelhecer aumenta o risco de o indivíduo desenvolver algumas arritmias, como a fibrilação atrial, talvez uma das mais populares”, afirma o cardiologista. A arritmia pode ainda ser hereditária, mas outras situações podem causar o descompasso cardíaco, como as doenças isquêmicas; doenças relacionadas a parasitas infecciosas – que podem acometer o coração; distúrbios eletrolíticos, como alteração de potássio, magnésio; doenças da tireoide e qualquer outra que faça uma alteração estrutural no coração, fazendo com que ele cresça.

“No Brasil, temos um problema muito grande com a febre reumática, uma doença que acomete as válvulas do coração, causando uma alteração estrutural e potencializando a arritmia”, acrescenta Stephan. O uso de medicamentos e de drogas lícitas e ilícitas também está na lista de risco. “É comum o jovem fazer a mistura do álcool com estimulantes e energéticos, o que potencializa a arritmia. Até porque desidrata o indivíduo e a desidratação também causa o problema.”

Hipertensão, diabetes, doenças renais e obesidade também podem desencadear uma arritmia. Nesses casos, ao prevenir essas doenças, previne-se também a arritmia. “Tudo isso leva a uma sobrecarga do coração, e quando ele fica ‘estressado’ ou quando requerido demais, pode desenvolver arritmias. Todo individuo que se previne em relação a isso estará cuidando bem do coração”, recomenda o cardiologista.

Se o coração não está batendo num ritmo compassado, o cuidado deve ser constante. “É importante que a pessoa com predisposição familiar ou que já teve alguma arritmia prévia tenha um acompanhamento médico amiúde. No entanto, todos os homens a partir dos 40 anos e mulheres a partir dos 45 devem fazer um acompanhamento frequente”, orienta Stephan. O tratamento da arritmia cardíaca depende do tipo e de sua gravidade, podendo ir desde o uso de medicamentos e colocação de marca-passos até uma cirurgia.

Consequências fatais 

A arritmia cardíaca, quando não tratada de forma adequada, pode ter graves consequências. No caso da fibrilação atrial, tipo mais comum, há o risco de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou infartos. “Como os átrios não contraem e sim tremulam, acabam se formando coágulos dentro do coração. Quando um deles se solta, vai circular pelo organismo. Se o coágulo entope algum vaso do sistema nervoso central, causa um AVC. Quando ele entope uma coronária, temos uma situação de infarto agudo do miocárdio. Quando o coágulo entope órgãos, como baço, rim ou intestino, há um infarto daquele órgão específico”, esclarece o especialista.

Alguns tipos de arritmia são de fácil tratamento, porém outras, segundo Stephan, são fatais. “Quando ocorre uma arritmia, o coração pode até mesmo parar de bombear sangue, que é sua função primordial e a pessoa pode sofrer uma insuficiência cardíaca. É o tipo de arritmia mais grave, chamada fibrilação ventricular, causando a morte súbita por causa de uma interrupção aguda de sangue no sistema nervoso central”, alerta.

Fonte: Comunicação Interna do Ministério da Saúde