domingo, 16 de junho de 2013

Níveis hormonais: o papel nas doenças psicológicas

As mulheres que se encontram num determinada fase do seu ciclo menstrual podem ser mais vulneráveis a alguns efeitos secundários psicológicos associados a experiências estressantes, refere um estudo publicado na revista “Neurobiology of Learning and Memory”.

Um sintoma comum dos problemas de humor e ansiedade é a tendência para ter pensamentos repetitivos e indesejados. Estes pensamentos intrusivos tendem a acontecer nos dias e semanas após a ocorrência de um evento estressante.

Neste estudo, os investigadores da University College London, no Reino Unido, decidiram averiguar se os efeitos de eventos estressantes estão associados a diferentes fases do ciclo menstrual, tendo para tal contado com a participação de 41 mulheres entre os 18 e os 35 anos com um ciclo menstrual regular. Cada participante forneceu amostras da saliva para determinação dos níveis hormonais e foi convidada a visualizar um filme, durante cerca de 14 minutos, que continha cenas estressantes. . As mulheres foram também questionadas sobre os pensamentos indesejados sentidos nos dias que se seguiram à visualização do filme.

O estudo apurou que as mulheres que se encontravam na fase luteínica precoce, entre o 16º e 20º dias após o início do período menstrual, tinham um risco três vezes maior de ter pensamentos intrusivos, comparativamente com aquelas que visualizam o vídeo nas outras fazes do ciclo menstrual. 

Estes resultados indicam que, “há realmente uma janela bastante estreita, do ciclo menstrual, em que as mulheres parecem estar particularmente vulneráveis a ter sintomas angustiantes após um evento estressante”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Sunjeev Kamboj.

Na opinião dos autores do estudo estes resultados podem ter implicações importantes para o tratamento dos problemas de saúde mental nas mulheres que sofreram um trauma. “Questionar uma mulher que sofreu um evento traumático sobre a data da última menstruação pode ajudar a identificar as que se encontram em maior risco de desenvolver sintomas recorrentes similares aos encontrados nas doenças psicológicas como a depressão e distúrbios de stress pós-traumático”, referiu o investigador.

"Este trabalho pode ter identificado uma linha útil de investigação para médicos, ajudando-os a identificar as mulheres potencialmente vulneráveis, às quais podem ser administradas terapias preventivas", acrescentou ainda o investigador.

Fonte: ALERT Life Sciences Computing, S.A.