quarta-feira, 10 de julho de 2013

As moscas e sua importância biológica para o homem

Moscas como veiculadoras de doenças

As moscas possuem grande importância para o homem sob o ponto de vista biológico e médico-veterinário. Do ponto de vista biológico, muitas moscas são extremamente úteis como polinizadoras, como decompositoras de matéria orgânica, fonte de alimentos para vários animais e como predadoras de larvas de borboletas e besouros e, por isso, são utilizadas no controle biológico. 

Do ponto de vista médico-veterinário, sua importância está relacionada com:

a) Sinantropia: é a capacidade que algumas moscas têm de frequentar ambiente rural, silvestre e urbano e, após visitarem dejetos e carcaças, veicular patógenos;
b) Importunação de homens e animais pela hematofagia, às vezes, intensa e dolorosa;
c) Agentes de miíases.

As moscas podem atuar como vetores — ou seja, agentes transmissores de doenças — de duas formas principais. Uma delas é a transmissão mecânica. Assim como as pessoas podem trazer para dentro de casa sujeira impregnada no sapato, a mosca doméstica, por exemplo, pode carregar nas patas milhões de microrganismos que, dependendo da quantidade, causam doenças. Moscas que pousaram em fezes, por exemplo, contaminam alimentos e bebidas. Essa é uma forma de o homem contrair doenças debilitantes e mortíferas como a febre tifoide, a disenteria e até mesmo a cólera.

A outra forma de transmissão ocorre quando insetos hospedeiros de vírus, bactérias ou parasitas infectam as vítimas pela picada ou por outros meios. A mosca tsé-tsé transmite o protozoário causador da doença do sono, que aflige centenas de milhares de pessoas, obrigando comunidades inteiras a abandonar seus campos férteis. A mosca-negra, transmissora do parasita que provoca a cegueira do rio, privou da visão cerca de 400 mil africanos. Trata-se de um grupo de doenças incapacitantes, que hoje afligem milhões de pessoas de todas as idades ao redor do mundo, desfiguram a vítima e, muitas vezes, causam a morte.

Berne

Os adultos da mosca Dermatobia hominis são pouco vistos, pois possuem uma vida curta (entre 5-20 dias) e vivem em ambientes florestais. A larva, denominada berne, é bem conhecida. 

Os adultos da D. hominis não se alimentam. Logo após o nascimento ocorre a cópula. A fêmea fecundada fica em locais protegidos. Em voos rápidos, a mosca berneira captura um inseto hematófago e deposita sobre o abdome deste cerca de 15-20 ovos. Estes ovos ficam aderidos ao abdome do inseto e apresentam um opérculo virado para trás.
Cerca de seis dias depois, os ovos já estão maduros e, quando o inseto veiculador vai alimentar-se, estimulada pelo calor do hospedeiro (homem ou animal), a larva sai rapidamente do ovo e alcança a pele. Em dez minutos ela penetra na pele sã ou lesada. Após a penetração, começa a formar-se uma lesão nodular, avermelhada, com um orifício central, por onde é eliminada secreção aquosa (exsudato), levemente amarelada ou sanguinolenta. 

Podem ser uma ou mais lesões e atingir qualquer área da pele, inclusive o couro cabeludo. A larva (berne) permanece com os espiráculos respiratórios voltados para fora e a extremidade anterior (boca) voltada para dentro. Sessenta dias depois a larva já passou pela ecdise e está madura. Então, ela abandona o hospedeiro e cai no chão. Enterra-se em terra fofa e transforma-se em pupa. Esta fase dura 30 dias. Vinte e quatro horas após abandonar o pupário, as moscas copulam e iniciam a postura dos ovos.

O berne provoca um prurido intenso e depois dor. O orifício aberto possibilita a entrada de larvas de outras moscas e várias bactérias que podem complicar o quadro. Por isso, recomenda-se tirar o berne logo que seja percebido. A melhor maneira de se retirar o berne é matando-o por asfixia. Estando vivo, ele manterá seus espinhos firmemente aderidos ao tecido do hospedeiro, dificultando sua retirada.

Para retirar o berne:

a) Raspar os pelos e limpar bem a região;
b) Colar um pedaço de esparadrapo firmemente sobre o berne;
c) Deixar por uma hora;
d) Retirar o esparadrapo;
e) Se o berne não sair junto com o esparadrapo, com ligeira compressão sairá;
f) Tratar a ferida com um bacteriostático.

Miíases

Miíase é o nome dado à infestação de vertebrados vivos por larvas de dípteros que se alimentam dos tecidos vivos ou mortos do hospedeiro ou de suas substâncias corporais. No meio rural é conhecido como ”bicheira”.

Quando a pessoa ou animal sofre um ferimento ou corte mais profundo, devemos tratar a ferida com antissépticos e, algumas vezes, antibióticos tópicos. Mas é imprescindível proteger o local contra as moscas. Ao pousarem sobre a ferida, as moscas depositam dezenas de ovos que irão eclodir, transformando-se em inúmeras larvas que se alimentarão de tecido vivo (miíase cutânea). As larvas cavam verdadeiras galerias sob a pele, causando lesões e um incômodo muito grande ao animal. As lesões podem ser tão profundas que conseguem atravessar a musculatura do animal, atingindo órgãos vizinhos (miíase cavitária).

As larvas de moscas podem se proliferar também em tecidos não lesados. Quando a pele apresenta dermatites exsudativas (produzem líquido) que mantenham o local sempre úmido, ou naquelas pessoas sem condições de higiene, a bicheira também pode aparecer.

O local acometido deve ser lavado com soluções antissépticas e o médico deve examinar o local à procura de larvas em tecidos mais profundos. Em regiões onde é frequente a ocorrência de moscas devem ser aplicados produtos repelentes em todos os ferimentos abertos.

Fonte: Portal Educação