segunda-feira, 29 de julho de 2013

Dismorfofobia: transtorno causa preocupação excessiva com a aparência

A dismorfofobia é um transtorno alimentar que pode atingir pessoas de qualquer idade ou sexo, mas prevalece entre os adolescentes e adultos. 

Também pode ser denominada como síndrome de distorção da imagem e é caracterizada pela preocupação excessiva com um determinado defeito ou distúrbio na aparência. “Pessoas com dismorfofobia têm uma visão distorcida sobre si e são obcecadas com o físico e a busca incansável pelo corpo perfeito. 

Muitas vezes esses defeitos são imaginários, podendo ser criados ou valorizados pelo indivíduo diante de um padrão de beleza que ele mesmo cria. 

Outra característica é que se faz de um pequeno problema físico uma preocupação exagerada”, explica o nutricionista Felipe Rizzetto, do Hospital Federal da Lagoa, no Rio de Janeiro.

O transtorno dismorfóbico tem origem a partir de um defeito que o indivíduo cria em relação ao seu corpo, podendo ser ou não imaginário. “Pode ser uma cicatriz, nariz com forma de bico de papagaio, orelha grande ou uma mancha no rosto, por exemplo. Podemos observar esse transtorno relacionado ao peso, indivíduos que se classificam obesos ou desnutridos mais do que realmente estão, gerando um descontentamento crônico e deturpado da imagem. Assim como existe a distorção da imagem por excesso de peso, existem casos em que a pessoa se acha magra demais, fazendo com que ela procure meios de aumentar sempre a sua massa muscular. Por isso, muitas vezes faz dietas muito radicais e exercícios físicos em excesso, sem um acompanhamento médico”, alerta.

Espelho, espelho meu

A busca excessiva por um corpo malhado e definido é chamada de vigorexia, um dos tipos de transtorno dismorfómico. Normalmente, esses indivíduos ficam exageradamente fortes, desenvolvendo muito alguns grupos musculares que tiram a isonomia do corpo. “Esse excesso de atividade física, por exemplo, nas pernas, braços e abdômen pode trazer problemas musculares de articulações e dos tecidos ósseos. Além disso, o uso de drogas sintéticas como coadjuvantes no ganho de massa muscular acarreta problemas conhecidos como esteatose hepática. Esses medicamentos podem gerar câncer de pâncreas, fígado e próstata, disfunção de diversos hormônios e acromegalia, entre outras patologias.”

Segundo o nutricionista, quem é diagnosticado com dismorfobia muscular costuma ter problemas em controlar os pensamentos negativos acerca da sua imagem, mesmo quando outros garantem que o indivíduo está com uma ótima aparência. “A preocupação e o descontentamento causam tristeza e baixa autoestima, que prejudicam a vida social e profissional. Nos casos mais severos, algumas pessoas tentam o suicídio. Normalmente essas pessoas comparam sua aparência com a de outros, não gostam de sair de casa, recusam fotografias, não se alimentam direito e sofrem de anorexia nervosa ou vigorexia”, revela Rizzetto.

Cabeça sã, corpo são

O tratamento para a dismorfofobia pode envolver abordagem combinada com medicação e psicoterapia. “Os antidepressivos e a terapia cognitiva-comportamental podem ajudar pacientes com dismorfofobia a ultrapassar a obsessão e ansiedade acerca da sua aparência. É fundamental que a pessoa tenha um acompanhamento nutricional para adquirir uma alimentação mais saudável e balanceada. Com esse conjunto de ações e medicações, é possível aumentar a confiança e obter a normalidade na vida social e profissional”, finaliza.

A dismorfofobia tende a ser crônica e pode trazer outros problemas de saúde, como: 
Depressão;
Isolamento social;
Procedimentos médicos desnecessários. Os indivíduos com esse distúrbio tendem a procurar intensivamente cuidados médicos desnecessários e alternativas como a cirurgia estética, o que pode trazer insatisfação e piorar a sensação de imperfeição.

Fonte: Comunicação Interna do Ministério da Saúde