sábado, 26 de outubro de 2013

Quando não tratada, ansiedade em excesso pode comprometer qualidade de vida

Tontura, sensação de fraqueza, taquicardia, formigamento nas mãos e pés e, sobretudo, um aperto no peito. Esses são sintomas que podem aparecer por conta de uma série de enfermidades, mas também pode se tratar de ansiedade. Estatísticas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP revelam que cerca de 12% da população do país é ansiosa e que, ao longo da vida, 23% dos brasileiros terão algum tipo de distúrbio ansioso.

Esses sintomas costumam se apresentar quando o organismo se sente em algum nível ameaçado – muitas vezes por causa da rotina agitada, pressão do dia-a-dia, excesso de trabalho e problemas pessoais. “O paciente se sente assustado, com medo de morrer, confuso ou delirante, inseguro, nervoso, com sensação de sufocamento e medo de perder o controle. Muitos dizem ter a sensação de que vão enlouquecer”, explica o psiquiatra Antônio Luís Sanfim, do Hospital Federal da Lagoa/RJ.

O especialista lembra que geralmente pessoas ansiosas só costumam procurar ajuda psiquiátrica ou psicoterápica em situações emergenciais, quando o organismo entra em falência física e mental, produzindo todos os sintomas acima citados. Mas o ideal é não entrar em desespero e procurar um profissional de saúde assim que possível. O quadro de ansiedade, quando agravado, pode se transformar em transtorno e até comprometer a qualidade de vida do paciente. Além disso, a ansiedade pode levar a quadros depressivos. “Atualmente, se aceita cada vez mais que alguns processos depressivos seriam a outra face de processos ansiosos. Em outras palavras, ansiedades e depressão seriam expressões finais de um desarranjo mais profundo”, explica.

O diagnóstico do quadro ansioso é fundamentalmente fenomenológico, feito por meio da avaliação do estado mental do paciente e também dos sintomas apresentados. O tratamento, segundo o psiquiatra, é feito tanto com o uso de medicamentos antidepressivos quanto com terapia, que vai ajudar a pessoa ansiosa a reconhecer o desequilíbrio emocional, a enfrentar a situação e agir para sanar o problema.

Caso não seja controlada, a ansiedade pode trazer problemas físicos mais graves. “Considerando que processos ansiosos são veiculados por aumento de monomanias e de cortisol, sua manutenção prolongada e não controlada pode levar a alterações metabólicas e cardiovasculares, causando inclusive infarto agudo do miocárdio e do acidente vascular cerebral”, alerta.

Exercícios como aliados 

Para Sanfim, os atividades físicas devem ser consideradas como parte do tratamento para ansiosos. Por si sós, elas não são capazes de resolver o problema, mas podem auxiliar no processo de melhora. “Elas ajudam a desacelerar. Exercícios físicos aeróbicos podem canalizar a energia dos processos ansiosos por algum tempo, assim como exercícios de relaxamento podem diminuir em algum nível o processo ansioso”, finaliza. É importante reiterar que a atividade física não substitui a visita ao consultório médico.

Fonte: Agência Saúde

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