domingo, 12 de janeiro de 2014

Estudo revela os segredos de como funciona a droga metformina

Pesquisadores da Universidade McMaster, em Hamilton, Ontário descobriram como a metformina, um dos medicamentos mais comumente prescritos no mundo da diabetes, interage com a insulina, a fim de reduzir o açúcar no sangue de uma pessoa.

De acordo com os autores do estudo, cerca de 120 milhões de pessoas, a nível mundial, com diabetes tipo 2, usam a medicação para controlar sua doença, incluindo dois milhões no Canadá. Embora os médicos digam ser necessário que a metformina interaja com a insulina para ser eficaz, o novo estudo é o primeiro a explicar exatamente como este processo ocorre.

“O fundamental é que a metformina reduz a glicemia, trabalhando diretamente na glicose. Ela trabalha na redução de moléculas de gorduras nocivas no fígado, o que permite aos níveis de insulina trabalhar melhor para reduzir o nível de açúcar no sangue”, explicou Greg Steinberg, professor associado do Departamento de Medicina da Michael G. DeGroote School of Medicine.

Steinberg e seus colegas de Alberta, Austrália e Escócia escreveu que a maioria das pessoas que tomam a metformina possuem um fígado “gordo” – uma condição muitas vezes ligada à obesidade. A gordura é considerada como sendo um gatilho para a pré-diabetes, pois provoca um aumento da glicose circulando pela corrente sanguínea porque a insulina não pode funcionar de forma eficiente o suficiente para evitar que o açúcar seja produzido a partir do fígado.

No estudo, publicado na revista Nature Medicine, a equipe examinou ratos com uma “perturbação genética”, um aminoácido solitário em um par de proteínas conhecidas como acetil-CoA carboxilase (ACC). Essas proteínas, que são controladas pelo sensor metabólico AMP – proteína ativada por quinase, regula tanto a produção de gordura quanto a capacidade de queimar o tecido adiposo e os pesquisadores acreditam que pode estar associada com o fígado gordo.

Roedores com as proteínas mutantes desenvolveram sinais de esteatose hepática e pré-diabetes, mesmo eles não estando obesos, disse Steinberg e seus colegas. No entanto, quando eles deram a metformina para ratos mutantes obesos, eles descobriram que não foi possível baixar os seus níveis de açúcar no sangue. Assim, os autores concluíram que a droga não atua reduzindo o metabolismo do açúcar diretamente, mas sim através da redução de gordura no fígado e no aumento do desempenho de insulina.

“Ao contrário da maioria dos estudos utilizando modelos genéticos do rato, que não excluíram uma proteína inteira, nós só fizemos uma mutação genética bem menor, equivalente ao que pode ser visto nos seres humanos, destacando, assim, de forma muito mais precisa, como a metformina reduz o açúcar no sangue nos casos da diabetes tipo 2″, explicou o autor Morgan Fullerton.

“Esta descoberta oferece uma enorme vantagem na busca de terapias combinadas (e abordagens mais personalizadas) para aqueles diabéticos os quais a metformina não se mostra eficaz o suficiente para restaurar o nível de açúcar no sangue para os níveis normais”, acrescentou Steinberg.

A pesquisa foi patrocinada pelos Institutos Canadenses de Pesquisa em Saúde e pela Associação de Diabetes Canadense.

Fonte: www.tiabeth.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário