terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Medicamentos podem piorar efeito do sol nos olhos

Medicamentos fotossensibilizantes potencializam risco de conjuntivite alérgica, olho seco, ceratite, fotofobia e catarata.

Todo brasileiro tem uma farmacinha em casa. Analgésicos, antibióticos, anti-inflamatórios e antidepressivos são os mais consumidos no País. O que bem poucos sabem é que a lista de medicamentos fotossensibilizantes, ou seja, que aumentam a sensibilidade à luz solar, soma mais de 300 drogas. Muitas são usadas abusivamente pela população.

Na prática, significa que dependendo da dose e da exposição ao sol podem causar outro desconforto e até doenças graves. As mais visíveis são as lesões na pele que podem tornar proibitivo o bronzeamento no verão. Mas não é só isso. De acordo com o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, da mesma forma que os medicamentos fotossensibilizantes tocam nossa pele, aumentam o efeito do sol nos olhos. As reações diferem em função da tolerância de cada pessoa. É maior entre idosos, imunodeprimidos e mulheres. Isso porque, são estes grupos que fazem uso de múltiplos medicamentos e terapia contínuas que alteram o metabolismo, afirma.

Só para se ter uma ideia, até os contraceptivos podem provocar reação foto-alérgica nos olhos de mulheres que têm histórico de sensibilidade a remédios. O especialista explica que isso acontece porque a pílula anticoncepcional contém um cromóforo, sal capaz de absorver a radiação ultravioleta (UV) e originar um antígeno. “A absorção da radiação UV predispõe à síndrome do olho seco que pode levar à ceratite (inflamação da córnea). Já a formação do antígeno potencializa o risco de conjuntivite alérgica”, afirma.

As principais classes de medicamentos que podem causar fotoalergia são:
• Anticoncepcionais
• Anti-histamínicos a base de benzofenona, e prometazina
• Antibióticos a base de eritromicina
• Antiarrítmicos cardíacos
• Antidiabéticos

Risco da fototoxidade

O especialista ressalta que o maior risco dos medicamentos é a fototoxidade. Ocorre quando o sal que absorve a radiação UV reage com o oxigênio das células dos tecidos, formando radicais livres. Isso faz com que a lente natural do olho, o cristalino, perca a transparência até a visão ser totalmente perdida. Acontece com o uso prolongado de corticóide, diurético, antipsicótico, antidepressivo, analgésico e alguns antibióticos.

Óculos elimina a fotofobia

Queiroz Neto diz que o primeiro sinal de que está ocorrendo alteração celular no cristalino por conta do medicamento é a fotofobia (aversão à luz).
Quando se trata de tratamento para doença crônica as dicas para proteger os olhos são:
• Tomar o medicamento ao anoitecer quando possível.
• Usar óculos escuros com proteção UV, boné ou chapéu.
• Evitar a exposição solar e outras fontes de luz ultravioleta.

Nos casos de tratamentos temporários as alterações desaparecem em alguns meses, mas a proteção dos olhos deve ser mantida mesmo em dias nublados. Para evitar complicações oculares a recomendação é fazer exames periódicos com um oftalmologista. Depois dos 40 anos também podem surgir o glaucoma e a degeneração macular que têm risco agravado por outras doenças e hábitos .

Fonte: Dikajob

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