sábado, 4 de abril de 2015

Quimioterapia

Durante a Segunda Guerra Mundial, médicos do exército americano que trabalhavam nas pesquisas com um gás venenoso, a mostarda nitrogenada, observaram queda do número de glóbulos brancos dos técnicos que manipulavam o produto.
Como nas leucemias e nos linfomas costuma haver aumento excessivo de certos tipos de glóbulos brancos no sangue, nos linfonodos e em vários órgãos, os médicos decidiram experimentar a mostarda nitrogenada como forma de tratamento. Numa época em que essas doenças eram fatais no curto prazo, as remissões obtidas impressionaram a todos. Foi a primeira demonstração de que era possível tratar leucemias e linfomas com drogas químicas. Nascia a quimioterapia do câncer.

Atualmente dispomos de muitas drogas dotadas de atividade antitumoral, que podem ser empregadas isoladamente (monoquimioterapia) ou em diversas associações (poliquimioterapia).

Mecanismo de ação

Cada agente quimioterápico exerce sua atividade antineoplásica de acordo com a classe a que pertence.

Os mecanismos através dos quais drogas tão diferentes umas das outras conseguem destruir células tumorais são tão variados e complexos que seria preciso um tratado para descrevê-los. Alguns princípios básicos, no entanto, podem ajudar a entender como funcionam essas drogas:

• Por mecanismos diversos, todas interferem na divisão celular. Algumas atacam diretamente a molécula de DNA quando se dividem; outras decompõem enzimas e proteínas necessárias para a síntese e divisão do DNA; outras, ainda, impedem a ação das enzimas que reparam os defeitos do DNA;
• A interferência no ciclo celular é inespecífica, ou seja, o quimioterápico age em qualquer célula que esteja em divisão ou que se prepare para fazê-lo, seja ela maligna ou normal;
• Os tecidos normais mais comprometidos pela ação tóxica são aqueles em que as células se dividem mais rapidamente: medula óssea, pele e seus anexos (cabelos, unhas etc.), e mucosa (tecido que forra a parte interna) do aparelho digestivo;

Relacionados

• Enquanto a população de células normais atingida se recupera porque conta com mecanismos de reparação muito eficientes, as malignas morrem ou param de se dividir porque nelas a reparação é, em geral, menos eficaz;
• Como cada quimioterápico age em determinada fase do ciclo celular, são destruídas apenas as células que se acham nessa fase; as demais são poupadas. Teoricamente, a quimioterapia pode reduzir muito a massa tumoral. Entretanto, como ela é, em geral, incapaz de eliminar até a última célula maligna, o organismo precisará utilizar outros mecanismos de defesa para que isso aconteça;
• Uma vez que os quimioterápicos também destroem células normais, o tratamento deve ser administrado em ciclos para que elas tenham tempo de se recuperar do dano;
• Doses mais altas de quimioterápicos matam mais células, mas, como a ação tóxica fica restrita a determinada fase do ciclo celular, existe um limite a partir do qual o aumento das doses é inútil e coloca em risco a integridade dos tecidos normais;
• Se cada quimioterápico age num determinado ponto do ciclo celular, faz sentido associar drogas que atuam em fases diferentes, para aumentar o efeito do tratamento;
• As associações devem conter drogas que não apresentem toxicidade para os mesmos tecidos;
• Ao longo do tratamento quimioterápico, as células malignas são selecionadas pelos agentes quimioterápicos. Isto é, aquelas que eram sensíveis aos agentes quimioterápicos morrem, e as resistentes sobrevivem. Assim, com o tempo, começam prevalecer as células resistentes, fazendo com que o tratamento se torne menos eficaz. As drogas quimioterápicas também podem fazer com que as células cancerosas desenvolvam resistência a elas;
• A maioria dos quimioterápicos deve ser administrada por via intravenosa, mas há drogas ativas por via oral e outras que podem ser injetadas diretamente na cavidade abdominal, torácica ou no liquor, líquido que banha o sistema nervoso central.

Fonte: Vencer o Câncer 

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