segunda-feira, 22 de junho de 2015

Cientistas descobrem forma de criar ossos e órgãos em laboratório, superando obstáculo de fornecer oxigênio às estruturas

Cientistas britânicos realizaram um grande avanço na busca para substituir joelhos e quadris por exemplares cultivados em laboratório.

O objetivo dos cientistas é substituir estruturas complexas danificadas pela artrite, por acidentes ou em campos de batalha.

Embora uma traqueia humana cultivada em laboratório, medindo cerca de 8 cm, tenha sido transplanta com sucesso, em 2011, estruturas maiores, até então, eram um grande desafio.

Agora, pesquisadores das universidades de Bristol e Liverpool, na Inglaterra, descobriram um método que supera o obstáculo principal, que seria o fornecimento de oxigênio para as células modificadas, para a criação de estruturas de cartilagem maiores. No corpo, o sangue fornece oxigênio, mas no laboratório as células dependem do oxigênio da solução que está sendo cultivada.

Estruturas maiores não conseguem obter o oxigênio de que necessitam, e as células da cartilagem morrem. Os pesquisadores criaram células-tronco com um "reservatório de oxigênio" construído - uma proteína chamada mioglobina - que é transformada em cartilagem. "É como se o fornecimento de cada célula tivesse seu próprio tanque de mergulho, que ela pode usar para respirar quando não há oxigênio suficiente no ambiente local", disse Adam Perriman, da Faculdade de Medicina Celular e Molecular de Bristol.

Induzir o crescimento de partes do corpo utilizando células do próprio paciente torna mais provável que o sistema imunológico do corpo aceite estas estruturas, do que um órgão externo. O desenvolvimento também irá ajudar na tentativa de fazer crescer ossos e músculos cardíacos.

"Criar e fazer crescer grandes órgãos continua sendo um enorme desafio, mas com esta tecnologia podemos superar um dos maiores obstáculos. Criar grandes pedaços de cartilagem nos dá uma possível forma de reparar alguns dos piores danos ao tecido humano comum, como as alterações debilitantes vistas no quadril, osteoartrite de joelho ou lesões causadas por traumas graves, por exemplo, em acidentes ou ferimentos de guerra”, disse Anthony Hollander, da Universidade de Liverpool.

A pesquisa foi publicada na Nature Communications.

Por: Bruno Rizzato – Jornal Ciência 

Nenhum comentário:

Postar um comentário