sábado, 6 de junho de 2015

Exame de sangue detecta todos os vírus que paciente já pegou

Pesquisadores desenvolveram um exame de sangue que pode detectar todos os vírus que infectaram o sistema imunológico de uma pessoa no passado.

Descrito na revista Science, o teste ainda está em seus primeiros estágios, mas mostra a semelhança impressionante entre os sistemas imunológicos das pessoas.

Os seres humanos possuem uma “memória imunológica”, ou seja, as células imunes se lembram de todos os vírus que encontraram no passado.

Esse é um sistema biológico que ajuda a acelerar nossa resposta nos futuros encontros com esse vírus.

Os pesquisadores usaram essa ferramenta de memória para descobrir o histórico viral de 500 pessoas em quatro continentes.

Inicialmente, os pesquisadores criaram uma “biblioteca viral” a partir de um banco de dados de sequências de proteínas que pertenciam a todos os vírus já conhecidos pela ciência.

O objetivo nesse processo era injetar pedaços de DNA viral em bactérias.

Graças a esse truque de engenharia genética, a bactéria mostra uma representação sintética do vírus que foi implantado, uma espécie de “marcador” com as proteínas virais.

Os pesquisadores então misturaram a bactéria com uma amostra do sangue dos participantes.

Ao identificar os marcadores que os anticorpos das cobaias se prendiam, eles foram capazes de descobrir quais vírus já haviam infectado essas pessoas.

Em média, os pesquisadores detectaram respostas do sistema imunológico a dez espécies virais por pessoa, mas dois indivíduos mostraram respostas para incríveis 84 espécies de vírus.

A equipe de Benjamin Larman, da universidade John Hopkins nos Estados Unidos, descobriu que o número de vírus varia de acordo com a idade e geografia da pessoa, além de estar ou não infectada com HIV.

O vírus mais comum é o Epstein-Barr, responsável pela mononucleose.

O teste é barato, custa cerca de 75 reais, e 100 amostras podem ser analisadas em uma semana. Mas o VirScan, como o teste foi chamado, não será aberto ao público por enquanto.

E a ideia nem é essa. Larman quer criar um teste mais simples que possa ser usado para o diagnostico de infecções.

Por ora, a equipe quer analisar a biblioteca de vírus que conseguiu formar e responder perguntas com ela.

Por exemplo, os pesquisadores podem entender se a geografia tem impacto nas respostas das pessoas para várias infecções.

Uma pessoa na Ásia pode ter os mesmos vírus de uma pessoa no Brasil?

Mas, até agora, o estudo mostra que os anticorpos que os humanos fabricam operam de forma parecida em qualquer pessoa, quando respondem a um vírus. “Existem algumas exceções, mas a semelhança é assustadora”, afirma Larman.

Fonte: Exame 

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