sábado, 6 de junho de 2015

Vacina contra o sarampo também pode proteger de outras doenças infecciosas

Independentemente da sua posição, a vacinação contra o sarampo é uma das intervenções mais seguras da saúde pública até agora na história. Antes das campanhas de vacinação em massa, cerca de 4 milhões de pessoas tinham sarampo nos Estados Unidos a cada ano, das quais, em torno de 500 pessoas morriam, 48.000 foram hospitalizadas e 4.000 sofreram algum edema cerebral grave. Mas, graças a campanhas de imunização, os casos caíram mais de 99%.

Os cientistas sabem há algum tempo que o sarampo baixa profundamente o sistema imunológico. Porém, desde a introdução das campanhas de vacinação em massa, os cientistas observaram alguns efeitos surpreendentes que sugerem que há mais para se estudar sobre o sarampo. Por exemplo, a imunização do sarampo em alguns dos países mais pobres do mundo tem reduzido as mortes globais de crianças em 90%.

Embora os cientistas não tenham certeza do mecanismo exato por trás deste aparente efeito protetor, trabalhos recentes em macacos começaram a lançar uma resposta sobre este mistério. Após a esperada redução dos glóbulos brancos de proteção após a infecção, os seus sistemas imunitários rapidamente se recuperaram dentro de algumas semanas. No entanto, um grande número destas novas células que surgiram a partir da abundância de células específicas do sarampo, resultaram a partir da infecção.

Para examinar melhor esta ideia, os cientistas da Universidade de Princeton começaram a coletar dados sobre casos de sarampo e de mortes causadas por outras doenças infecciosas, pré e pós-campanhas de vacinação em massa, em três países: nos EUA, Reino Unido e na Dinamarca.

Conforme descrito em artigo publicado na Science, eles descobriram que a infecção do sarampo detêm resistência a outras doenças por até 3 anos. Além disso, eles encontraram uma estreita relação entre a incidência do sarampo e mortes por outras doenças infecciosas durante este período vulnerável após a vacinação contra o sarampo, indicando que a vacina protege mais do que apenas o vírus do sarampo.

“Em outras palavras, reduzindo a incidência do sarampo, pode-se haver uma queda nas mortes por outras doenças infecciosas devido aos efeitos indiretos do sarampo sobre o sistema imunológico”, o pesquisador-chefe Bryan Grenfell, que explicou em um comunicado à imprensa.

Desde que o estudo mostre a evidência para o efeito protetor da vacina contra o sarampo, mais estudos serão necessários para confirmar suas descobertas. No entanto, os pesquisadores já estão planejando em explorar potenciais mecanismos imunológicos adiante.

Fonte: Science, University of Princeton

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