quinta-feira, 9 de julho de 2015

FIOCRUZ comprova eficácia de estatinas no combate à sepse, hanseníase e tuberculose

Há cerca de duas décadas, as estatinas surgiam como medicamentos que mudariam o combate aos altos níveis de colesterol presentes no sangue. Substâncias que agem na raiz do colesterol, as estatinas inibem a produção da enzima responsável pela sua síntese, prevenindo doenças como o infarto e derrame cerebral, entre outras. Ao longo dos anos as substâncias evoluíram, apresentando poucos efeitos colaterais e sendo facilmente comercializadas no mercado brasileiro.

Entusiasmados com o potencial das estatinas, cientistas passaram a investigar a possibilidade de utilizá-las no tratamento de outras doenças. Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) desenvolveram estudos a fim de verificar a eficácia das estatinas na redução dos danos neurológicos de pacientes que tiveram sepse e na potencialização do medicamento utilizado atualmente no tratamento de pacientes com hanseníase e tuberculose. Confira as reportagens:

Esperança para pacientes de sepse

A sepse é um processo de resposta inflamatória generalizada associada a uma infecção (de origem bacteriana, viral ou parasitária) que causa danos em múltiplos órgãos, podendo levar o paciente à morte. Danos neurológicos vêm sendo observados nos pacientes que sobrevivem à sepse, com sintomas que podem incluir delírios, déficit de atenção e problemas de memória, acarretando limitações que podem ser irreversíveis. Com o objetivo de investigar uma estratégia que minimize o problema, pesquisadores do IOC/Fiocruz comprovaram que substâncias já conhecidas dos médicos podem ser eficazes: as estatinas, comumente usadas no controle do colesterol. Em testes com camundongos, foi verificado que o medicamento produz efeitos protetores, reduzindo os danos neurológicos na situação de sepse. 

Por ser considerada a principal causa de mortalidade em Unidades de Terapia Intensiva, muitas pessoas acreditam que a infecção causadora da sepse ocorre exclusivamente em ambiente hospitalar. O biomédico Pedro Celso Braga Alexandre, que elaborou o estudo durante o doutoramento no Programa de Pós-graduação em Biologia Celular e Molecular do IOC, esclarece que este é um mito comum. “Infecções comunitárias que uma pessoa adquira, também podem ocasionar o quadro de sepse”, alerta o especialista.

Aliadas no tratamento da hanseníase e tuberculose

Algumas das doenças mais antigas da história, a hanseníase e a tuberculose permanecem como uma preocupação para a saúde pública brasileira. Nos últimos anos, a resistência aos medicamentos vigentes têm chamado a atenção de cientistas. Em busca de alternativas que colaborem para resolver esta questão, pesquisadores do IOC/Fiocruz comprovaram que as estatinas, substâncias amplamente usadas para o controle das taxas de colesterol, são capazes de potencializar a ação da rifampicina, principal antibiótico utilizado atualmente no tratamento destas enfermidades.

A hanseníase e a tuberculose são doenças infecciosas provocadas pelos microrganismos Mycobacterium leprae e Mycobacterium tuberculosis, respectivamente. O tratamento é realizado de forma padronizada por meio da combinação de drogas, entre elas a rifampicina. Coordenador do estudo e pesquisador do Laboratório de Microbiologia Celular do IOC, Flávio Alves Lara, afirma que a resistência crescente aos medicamentos durante os últimos anos é um fator de preocupação. "Para as duas doenças o tratamento atual é tido como eficaz. Apesar disso, o que temos observado é que, após alguns anos, esses pacientes retornam ao centro médico", afirma.

De acordo com o microbiologista, por conta do mecanismo de resistência aos antibióticos, algumas bactérias podem sobreviver ao tratamento e, com o tempo, os pacientes voltam a apresentar sintomas das doenças. Essa resistência pode ocorrer de duas formas: os microrganismos podem, por meio de mutações, alterar o sítio alvo da droga ou se esconder dela, através do acúmulo de moléculas gordurosas (como colesterol) na parede celular, formando uma barreira que impede o acesso do medicamento à célula. É neste ponto que o colesterol entra como uma peça-chave.

Fonte: Assessoria de Comunicação IOC – Por: Sinfarmig 
Foto: colesterolunb2012.blogspot.com


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