domingo, 5 de julho de 2015

Gordura no fígado (esteatose hepática): 5 sinais de que você pode ter a doença e não sabe

Veja esses sinais ou condições:
1. Estar acima do peso ideal
2. Ter a glicose dosada no sangue alterada.
3. Ter o triglicerídeo ou colesterol dosado no sangue alterados.
4. Ter feito cirurgia para perder peso no ultimo ano.
5. Ingerir álcool de maneira exagerada ou frequente.

Se você tem algum desses sinais ou condições ou não sabe responder, você pode ter gordura no fígado e não sabe. Leia esse artigo para entender tudo sobre essa condição tão comum e ao mesmo tempo desconhecida…

A gordura no fígado é o que costumamos chamar de esteatose hepática ou doença hepática gordurosa.
É uma doença cuja principal característica é o acumulo de gordura no fígado e usualmente a classificamos em alcoólica e não alcoólica.

Como o próprio nome diz a esteatose hepática alcoólica é a relacionada ao uso abusivo de álcool e tem como principal tratamento a interrupção imediata dessa substância.
O fígado

O fígado é um órgão que fica no lado superior direito do abdome. É responsável pela remoção de algumas toxinas do sangue, produção de várias moléculas presentes no sangue como algumas proteínas e lipo-proteinas e produz também as principais substancias que formam a bile que é excretada no tubo digestivo e ajuda na absorção de gordura.

A diferença entre a esteatose hepática e a esteato-hepatite:

Existem dois tipos de acumulo de gordura no fígado. A que é acompanhada de inflamação no fígado e a que não é acompanhada de inflamação.

Quando existe inflamação a chamamos de “esteato-hepatite” e quando não existe a inflamação no fígado a chamamos apenas de “esteatose hepática”.

Podemos detectar a inflamação no fígado dosando algumas enzimas no sangue, como a TGO e a TGP, a Gama-GT e a fosfatase alcalina que aparecem quando existe algum dano no fígado . Quando os valores de TGO e TGP, Gama-GT e Fosfatase alcalina no sangue estão elevados podemos desconfiar que algum problema no fígado está acontecendo e são diversas as causas, não precisa ser necessariamente esteato-hepatite.

Quando existe inflamação temos que dar uma atenção maior a doença pois existe uma chance concreta dela evoluir para cirrose hepática que é uma condição grave e irreversível.

Sintomas

Na maioria dos casos não existem sintomas nenhum. Desconfiamos da doença quando alguns exames de rotina encontram-se alterados ou quando o paciente apresenta alguma condição que sabidamente está relacionada a ela. Raramente ela pode ser relacionada a sintomas subjetivos como fadiga e desconforto abdominal.

Condições que podem estar relacionadas a gordura no fígado com ou sem inflamação (esteatose ou esteato hepatite)

Não se sabe exatamente o que causa a esteatose hepática ou esteato-hepatite, mas sabemos que algumas condições ou doenças estão associadas a ela, são elas:
– O sobrepeso e a obesidade.
– A cirurgia para perder peso.
– O diabetes ou a resistência a insulina, que é caracterizado pelo aumento dos níveis de glicose no sangue.
– A dislipidemia, ou seja, os triglicerídeos e o colesterol elevados no sangue.
– O uso de algumas medicações.

Quais são os exames para confirmar a doença

Alem do exame de sangue que detecta apenas se existe ou não a inflamação, outros dois exames são muito comuns na avaliação do fígado gorduroso são eles; a ultra-sonografia de abdomen e a ressonância nuclear magnética.
- A ultrassonografia de abdômen pode mostrar sinais indiretos de gordura no fígado (esteatose hepática)
- O exame de ressonância nuclear magnética também pode mostrar sinais de infiltração gordurosa no fígado.

Em casos extremos, principalmente quando existe razão para desconfiar de alterações mais sérias como a cirrose, seu médico poderá pedir a biópsia do fígado. A biópsia hepática (do fígado) é um procedimento invasivo e ao mesmo tempo definitivo no diagnóstico. Na maioria dos casos ela não será necessária.

Necessidade de afastar outros diagnósticos

Diversas outras doenças do fígado podem causar inflamação e portanto alterações nos exames de sangue. Toda vez que nos deparamos com pacientes com essas alterações temos que afastar alguns diagnósticos alternativos ou até mesmo concomitantes, dentre eles:
– Hepatite viral A, B ou C
– Hepatites medicamentosas
– Hepatites autoimunes
– Doenças metabólicas e genéticas.
– Uso não declarado de álcool.

Como tratar a doença

Não existe um tratamento direto para a doença. Na maioria das vezes tratamos as condições que estão associadas a ela, e isso costuma ser o suficiente para reverter, ou pelo menos melhorar muito, o acumulo de gordura no fígado.

Nos obesos

Nos pacientes obesos a perda de peso é fundamental, ela obrigatoriamente deverá ser acompanhada por uma dieta com menos calorias, gorduras e carboidratos e de preferência orientada por uma nutricionista ou um nutrólogo.

Agora uma observação muito importante que poucas pessoas sabem. A perda de peso muito rápida pode na verdade piorar a doença, portanto ela deverá ser gradual e no máximo de 1,6 quilos por semana. Esse é o motivo pelo qual, pessoas que fazem a cirurgia para a redução do peso tem uma chance grande de desenvolver a doença.

Nos diabéticos ou em quem tem resistência a insulina

Nos pacientes diabéticos o controle dos níveis de glicose no sangue é fundamental. O uso da metformina que é uma das diversas drogas que podem ser usadas para o tratamento do diabetes ou da resistência a insulina, pode ser benéfico em quem também tem gordura no fígado.

Nos dislipidêmicos (quem tem colesterol alto)

O controle dos níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue ajudam a melhorar a infiltração gordurosa. Alem da dieta, o uso de estatinas que são medicações para o colesterol pode ajudar.

Nos que fizeram a cirurgia para perder peso

Quem fez a cirurgia para perder peso, ou seja cirurgia bariátrica, tem uma chance maior de acumular gordura no fígado. Isso se deve principalmente por conta do emagrecimento rápido.

Como o emagrecimento rápido é uma característica marcante desse tipo de cirurgia, seu médico no acompanhamento pós-operatório deverá solicitar os exames para saber se a gordura está se acumulando no fígado. A boa noticia é que a gordura no fígado (esteatose hepática) nesses casos costuma melhorar quando o paciente alcança seu peso final e permanece com peso estável.

Nos que consomem álcool frequentemente

Como já foi dito anteriormente a ingestão frequente de álcool pode ser a causa da gordura no fígado. Quando isso acontece classificamos a doença de uma forma diferente, a chamamos de “esteatose hepática alcoólica” ou “doença gordurosa hepática alcoólica”. Nesses casos o tratamento consiste simplesmente em parar completamente o consumo de álcool.

Mesmo que a causa da gordura no fígado (esteatose) não seja o álcool, quem tem a doença deve interromper (pelo menos até que a doença reverta) o uso de álcool também.

Nos que usam medicações que podem estar associadas a gordura no fígado

Algumas medicações podem estar associadas a infiltração gordurosa do fígado, dentre elas:
-Corticóides
-Alguns antidepressivos e antipsicóticos
-Methotrexate
-Amiodarona
-Tetraciclina
-Tamoxifen
A interrupção da medicação, quando possível, é uma forma de tratar a doença.

Para todos que tem gordura no fígado

Uso de vitamina E

Alguns estudos, ainda com pouca evidência científica, sugerem que o uso da vitamina E pode melhorar a esteatose. Como a reposição de vitamina E em doses superiores a 400 unidades por dia também pode aumentar o risco de doenças cardiovascular, alguns médicos reservam o uso da vitamina E em doses maiores do que essa (podendo chegar a 800 unidade por dia) para pacientes que não tem diabetes e que tenham sinais de doença mais avançada e de preferência com a doença confirmada por biópsia.

Atividade física

A atividade física é sem dúvida o melhor remédio e o mais barato, mas também infelizmente o mais difícil de convencer as pessoas de “tomar”!

A atividade física ajudará na redução do peso, no controle do diabetes ou da resistência a insulina e no controle do colesterol e triglicerídeos elevados. Vale lembrar que o controle de todas essas alterações por si só, melhoram a saúde e qualidade de vida e diminuem a probabilidade de morte por doenças do coração e câncer.
Vacinação para hepatite A e B

Alguns médicos recomendam a vacina para a hepatite A e B para quem nunca teve hepatite A ou B e não é vacinado. Assim evita-se uma ocasional agressão adicional ao fígado caso o paciente entre em contato com um desses vírus. Vale lembrar que não existe vacina para a hepatite C.

Acompanhamento

O acompanhamento médico é fundamental para saber se as medidas tomadas estão funcionando ou não. Principalmente se existem sinais de inflamação no fígado.

A doença quando não tratada adequadamente pode evoluir para cirrose hepática que é uma condição irreversível e que está associada ao câncer de fígado, diminuição da qualidade e da quantidade de vida.

Acredita-se que 43% dos pacientes com esteato-hepatite não alcoólica irá piorar da doença ao longo do tempo com evolução para cirrose.

Em pacientes com a cirrose já instalada, o transplante hepático pode ser uma alternativa em casos selecionados.

Para quem é da área da saúde

Para quem é da área da saúde e quer uma revisão profunda sobre o assunto, aqui vai um excelente artigo sobre o tema:

Fonte: InfoHealth 
Foto: www.einstein.br 


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