segunda-feira, 27 de julho de 2015

Zumbido no ouvido tem cura?

Investigar as causas do problema são o primeiro passo do tratamento

O zumbido é uma percepção de um som nos ouvidos ou na cabeça sem que tenha sido gerado por uma fonte sonora. Ele é um sintoma e não uma doença e sim, por isso deve ser ter sua origem investigada. Pode vir associado a outros sintomas como tontura, perda auditiva e intolerância a sons.

As principais causas estão listadas abaixo:

Perda auditiva (por idade, por medicamentos, por infecções)
Uso de medicamentos, como AAS, anti-inflamatórios e antibióticos
Doenças metabólicas, como aumento do colesterol e triglicérides e diabetes
Alterações hormonais, como hormônio tireoideano e dos hormônios sexuais
Problemas cardiovasculares
Distúrbios psiquiátricos, como
ansiedade e depressão
Distúrbios neurológicos
Problemas na musculatura e na coluna cervical
Maus hábitos alimentares
Disfunções temporomandibulares e outros problemas dentários
Tumores da via auditiva (raros)

A partir do momento que o zumbido passa a atrapalhar as atividades do indivíduo, a qualidade do sono e das atividades diárias, persistindo após dias ou semanas, o auxílio médico é importante. Além de diagnóstico correto e tratamento, apoio psicológico tem grande influência nos resultados.

Eliminando o zumbido

O primeiro passo é a correta investigação da causa. O zumbido pode ser relacionado com doenças agudas, como as otites e obstrução do canal auditivo por cerume. Nestes casos, o zumbido pode desaparecer em poucos dias, se o problema for resolvido.

Já passa doenças de maior gravidade, o tratamento será direcionado com base na origem do problema. Nos casos de perda auditiva, dependendo do grau, o uso de aparelhos auditivos pode amenizar e até eliminar o zumbido. É importante que a avaliação seja cuidadosa para afastar problemas mais sérios como tumores da via auditiva. Embora raros, eles podem se manifestar inicialmente apenas com zumbido. Determinados medicamentos podem tanto causar quanto agravar o zumbido e perda auditiva. Conforme avaliação médica, pode ser necessária a troca por medicações de menor toxicidade.

Modificações na dieta e no estilo de vida, como a prática de exercícios físicos, e o manejo de doenças como hipertensão, colesterol alto e diabetes também fazem parte do tratamento. Na suspeita de doenças cardiovasculares, a avaliação cardiológica é importante.

Outro ponto fundamental é avaliar a repercussão que o zumbido está trazendo para a vida do indivíduo. Ajudar a pessoa a encarar o problema de forma diferente é um grande passo para o sucesso. Ansiedade e depressão estão frequentemente associadas ao zumbido, potencializando sua percepção e, com isto, o sofrimento. 

Quando sintomas sugestivos destas doenças aparecem, cabe ao médico reconhecê-los para iniciar o tratamento mais adequado. Problemas específicos, como doenças musculares e da coluna cervical e distúrbios da articulação temporomandibular são avaliados por especialista na área.

Nem sempre tem cura

Algumas pessoas podem sofrer com zumbido no ouvido de maneira crônica. O mais importante é a pessoa estar ciente de que não existe um único tratamento para todos. Cada caso precisa ser avaliado individualmente. Em alguns casos, após extensa investigação, não se encontra uma causa. Mesmo nesta situação, existem medicamentos e terapias disponíveis para tratar o zumbido. Uma terapia muito difundida é a Tinnitus Retraining Therapy (TRT). Ela se baseia na capacidade cerebral de plasticidade, isto é, o cérebro se habituar com o som a ponto de não mais notá-lo.

A tecnologia atual dos aparelhos auditivos permite programações específicas para zumbido mesmo nas pessoas que não apresentam perda auditiva. Nos casos associados à perda auditiva, um aparelho auditivo bem adaptado à pessoa costuma resolver o problema.

Por: Dra. Samanta Dall´Agnese – otorrinolaringologista 


Nenhum comentário:

Postar um comentário