segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Droga da família do Viagra pode ser usada para impedir a demência

Cientistas acreditam uma molécula parecida com o Viagra pode ser utilizado para interromper o aparecimento de demência.

Um ensaio foi criado para ver se a droga - geralmente utilizada para tratar problemas de ereção em homens - poderia ajudar a evitar uma forma comum da doença.

Chamada Tadalafil - que é da mesma família como Viagra - funciona através da dilatação dos vasos sanguíneos. Os cientistas acreditam que poderia tratar a demência vascular, aumentando o fluxo sanguíneo para o cérebro.

A demência vascular é a segunda forma mais comum de demência, e é responsável por cerca de 110 mil casos de demência só no Reino Unido. Ela é causada por danos aos pequenos vasos sanguíneos do cérebro, levando à redução do fluxo sanguíneo para o tecido cerebral.

Estes danos aos vasos sanguíneos do cérebro - conhecida como doença dos pequenos vasos - faz a parede das artérias tornarem-se grossas e duras, impedindo-as de responder às mudanças nas necessidades do cérebro para o sangue. Isso acarreta em danos às partes profundas do cérebro, devido a oferta insuficiente de sangue, levando a problemas de memória.

O dano, que pode desenvolver e progredir ao longo de muitos anos, é visto nos cérebros de 50 a 70 por cento das pessoas mais velhas.

Os pesquisadores esperam que o fluxo sanguíneo provocado pelo Tadalafil impulsione propriedades que podem evitar esse dano, afastando a demência vascular.

A demência é caracterizada pela deterioração da memória, do pensamento, do comportamento e a capacidade de realizar atividades cotidianas. Em todo o mundo, 35,6 milhões de pessoas sofrem de demência e há 7,7 milhões de novos casos a cada ano, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde.

Líderes da primeira cúpula do G8 do ano passado, apelaram por um maior investimento e colaboração global em pesquisa científica para investigar a demência, a fim de encontrar um tratamento para a doença até 2025.

Como parte do novo estudo, o Tadalafil será dado a 50 participantes com idades superiores a 65 anos, que possuam a doença de pequenos vasos, em decorrência de um acidente vascular cerebral, ou alguns problemas de memória.

Os pesquisadores vão medir o fluxo sanguíneo para o cérebro antes e depois de uma dose da droga com um tipo especial de ressonância magnética, usando ondas de rádio para magnetizar a água no sangue, depois seguindo-a através do cérebro para descobrir a quantidade de sangue que atinge diferentes áreas do tecido cerebral.

Aos participantes, serão dadas doses baixas de fármaco, que, por vezes, será substituído por um placebo, para que os cientistas possam comparar essa quantidade com e sem o uso da droga.
As pessoas que já tenham sido diagnosticados com demência não poderão participar, pois, segundo os cientistas, o objetivo é testar se a droga pode ser usada para prevenir o aparecimento da doença, e não tratá-la.

“O Tadalafil é amplamente utilizado para aumentar o fluxo de sangue no tecido do pênis. Agora, queremos saber se ele pode fazer o mesmo por um outro órgão vital: o cérebro”, explicou Doug Brown, da Sociedade Britânica do Alzheimer.

Fonte: Jornal Ciência


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