sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Preocupados com efeitos colaterais, médicos cortam medicamentos de pacientes

Primeiro, ele tirou o anticoagulante da mãe. Depois, o diurético do pai e, por fim, o antidiabético da prima.

"A família pensou que eu estivesse maluco", conta o clínico-geral e médico de família Marco Aurélio Melo, 42, professor em duas universidades em Goiás.

Ele adota a mesma atitude com seus pacientes na atenção básica de saúde, onde atua há 18 anos. "No início, eles estranham. Depois agradecem porque se sentem melhor sem os efeitos colaterais de medicamentos desnecessários."

Rotina semelhante tem Hamilton Lima Wagner, médico de família e comunidade em Curitiba (PR). "Já desprescrevi para minha mãe, meus irmãos e para a minha esposa, pois identificava efeitos colaterais em medicamentos que estavam usando", diz.
Marco e Hamilton não estão sozinhos. É crescente o movimento da chamada "desprescrição" entre os médicos de família e comunidade, especialidade que reúne 5.000 no país. Trata-se de um processo de reduzir ou suspender medicamentos.

Eles se apoiam na ideia de que muitos medicamentos fazem mais mal do que bem quando prescritos sem necessidade ou usados por tempo prolongado. O assunto foi discutido no Congresso Brasileiro de Medicina e Comunidade, que ocorreu em Natal (RN).

Exemplos de medicamentos frequentemente desprescritos são o ácido acetilsalicílico (AAS), que tem função de anticoagulante, o omeprazol e seu similares, usados para combater a azia e a doença do refluxo, e a metformina, indicada a pacientes diabéticos e pré-diabéticos.

"Minha mãe é hipertensa controlada e estava tomando AAS infantil sem uma razão consistente. Além de não ter ganho, sofria queimação do estômago. Tirei há dois anos. Ela ficou ótima", conta Melo.

Da prima, classificada como pré-diabética, ele tirou a metformina. "Com dieta adequada e atividade física, o nível glicêmico se normalizou e se mantêm controlado há três anos."

O omeprazol é outro clássico da desprescrição. É muito comum a pessoa já não ter mais sintomas da gastrite e continuar tomando. O abuso motivou a FDA (agência americana de fármacos e alimentos) a fazer alertas sobre o risco dessa prática.

O uso prolongado leva ao chamado rebote, ou seja, ao se interromper o medicamento abruptamente, os sintomas voltam, fazendo o paciente acreditar que tem de usá-lo para o resto da vida.

Fonte: Folha 


Um comentário:

  1. Alguns medicamentos,deveriam ter,como no caso de certos 'diuréticos',entre tantos outros,uma 'reposição mineral',e vitamínicas,correspondentes às respectivas dosagens dos mesmos,já que além de termos,culturalmente uma 'dieta deficiente',como a vitamina D,originada de 'frutos do Mar',que fazem parte do cardápio de 'poucos privilegiados',além de o 'arroz com feijão' de cada dia,nem sempre correspondem na equação 'teores-paladar'.Sabe-se,obviamente,que um 'bife',por exemplo,não necessita adição de 'cloreto de sódio',por exemplo,pelo fato de a carne já vir 'do açougue ou frigorífico',impregnada desta substancia,que é 'obrigatória,durante todo o processo de engorda de 'bovinos',enquanto que o feijão,necessita de quantidades exageradas 'desta substância',somente para tirar o paladar adocicado,desta leguminosa,que é doce,por natureza.Comer bem,não se restringe,sobretudo,a comer com paladar,que difere mais do que se imaginava,a décadas atrás,de pessoa para pessoa.Resta a cada um de nós fazermos 'nossas escolhas',dentro de nossas possibilidades,e repensarmos,sobretudo em verificar os 'novos conceitos',em relação ao que é saudável e o que são 'venenos cancerígenos',apenas porque 'pesquisas comprovaram',etc.Pensar usando o bom senso e livre de 'dogmas',pelo menos de vez em quando,creio não ser 'nocivo a ninguém'...

    ResponderExcluir