quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Multivitamínicos, chá verde, graviola, cogumelo do sol e gengibre estão no cardápio dos mitos e verdades do paciente em quimioterapia

É muito comum o paciente que vai realizar o primeiro ciclo de quimioterapia buscar por conta própria algo que poderá lhe proporcionar uma melhora na imunidade. O resultado desta procura, no entanto, pode ser justamente o inverso, principalmente quando a opção é pelo consumo de multivitamínicos. O alerta é da nutricionista do A.C.Camargo Cancer Center, Thaís Manfrinato Miola, feito durante o Simpósio de Nutrição em Oncologia. O evento, promovido pelo A.C.Camargo, aconteceu em 18 de outubro, na sede da instituição, em São Paulo, reunindo nutricionistas, nutrólogos, gastrônomos, estudantes de graduação e de pós-graduação na área de Nutrição.

De acordo com Thaís Manfrinato, que apresentou a aula Mitos da alimentação durante o tratamento, o paciente se apoia na informação de que os micronutrientes (vitaminas e minerais) são benéficos para o metabolismo e optam, sem indicação de um especialista, pelo consumo dos multivitamínicos à disposição no mercado. "Esta prática pode prejudicar o tratamento, pois o excesso de vitaminas e minerais pode interagir com os quimioterápicos, diminuindo a eficácia deles. Além disso, se por um lado esse consumo pode fortalecer a célula normal ele é capaz, concomitantemente, de proteger também a célula tumoral", destaca Thaís. É importante, acrescenta a especialista, sempre questionar se o paciente consome multivitamínicos. "É muito comum o paciente omitir essa informação, pois ele acredita que isso não traz qualquer prejuízo para o seu tratamento".

A exceção é para os casos nos quais um serviço especializado em nutrição oncológica avaliou toda a dieta do paciente, quantificou o consumo de cada micronutriente; e também verificou todos os exames de sangue preconizados e, a partir desta análise, observa-se  que o paciente apresenta a deficiência de algum nutriente específico. "Aí sim o paciente se enquadra em uma dieta que privilegia o consumo de um determinado micronutriente", explica Thaís. Ainda segundo a especialista, é recomendável, por exemplo, o consumo de antioxidantes pelas frutas, verduras e legumes, pois com este hábito alimentar dificilmente o paciente vai extrapolar a quantidade ideal. "Agora, por cápsulas dos chamados multivitamínicos, provavelmente ele vai consumir mais do que o necessário e isso vai atrapalhar a ação da quimioterapia", acrescenta a nutricionista. 

Alguns dos principais objetivos do Serviço de Nutrição, no setor de Quimioterapia, são:

orientar o paciente sobre a importância de se adotar uma dieta baseada na pirâmide alimentar;
atentar para a importância do cuidado com a higienização dos alimentos, pois o paciente oncológico tem um perfil de imunossupressão (redução da eficiência do sistema imunológico que pode levar a um risco maior de contaminação);
aconselhar a beber bastante água e obter outras formas de hidratação;
e também orientar o paciente sobre quais são os possíveis efeitos colaterais que podem ser decorrentes de cada quimioterápico.
"Com essas medidas, conseguimos amenizar o desconforto, propiciando  que o paciente se alimente melhor e, consequentemente, apresente uma recuperação mais rápida a cada ciclo de quimioterapia", destaca Thaís Manfrinato.

Os mitos do chá verde, graviola e cogumelo do sol

Se por um lado é um alimento que se apresenta como um dos elementos de uma alimentação saudável que contribui para a prevenção do câncer por ser rico em flavonóides (que, dentre outros funcionalidades, ajuda a proteger o sistema de reparo do DNA contra tumores), o chá verde pode prejudicar a eficácia do tratamento com quimioterapia. "Embora sejam poucos os estudos e ainda restritos aos modelos animais, podemos afirmar que há evidência científica de que o chá verde precisa ser evitado durante a quimioterapia, pois pode atrapalhar a ação de algumas drogas", ressalta Thaís Manfrinato.

Ainda segundo a especialista, a graviola também precisa ser evitada, pois o seu consumo durante o tratamento é tóxico para o fígado e rim. Outro exemplo de toxidade no fígado é o cogumelo do sol, que - diferentemente do que se propaga, principalmente pelas mídias sociais, não melhora a imunidade. A boa notícia é que o gengibre é sim um aliado do paciente em tratamento quimioterápico, mas sem a necessidade de se fazer o uso dele por meio de cápsulas e sim por meio do consumo da própria raiz, hábito este que, afirma Thaís Manfrinato, ajuda o paciente a controlar sintomas, principalmente de náuseas.

Com informações do A. c. Camargo


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