terça-feira, 24 de novembro de 2015

A Introdução à Farmácia e aos Medicamentos

Um medicamento é definido como o agente destinado a diagnóstico, mitigação, tratamento, cura ou prevenção de doenças em seres humanos ou animais. Uma das suas mais surpreendentes qualidades reside na diversidade de suas ações e efeitos sobre o organismo. Essa qualidade torna seu uso seletivo em várias condições patológicas comuns e raras, envolvendo órgãos, tecidos ou células.

Alguns medicamentos contêm fármacos que estimulam seletivamente o músculo cardíaco, o sistema nervoso central, o trato gastrintestinal, enquanto outros produzem o efeito contrário. Fármacos midriáticos dilatam a pupila, e mióticos contraem ou reduzem o tamanho pupilar. Fármacos podem tornar o sangue mais ou menos coagulável; podem aumentar o teor de hemoglobina dos eritrócitos, reduzir o colesterol sérico ou expandir o volume sanguíneo.

Fármacos denominados eméticos induzem o vômito, enquanto os antieméticos o previnem.
Diuréticos aumentam o fluxo de urina; expectorantes aumentam o fluido do trato respiratório; catárticos ou laxantes causam evacuação do intestino.Outros fármacos reduzem o fluxo de urina, diminuem as secreções corporais ou induzem a constipação.

Os medicamentos podem ser usados para reduzir dor, febre, atividade da tireóide, rinite, insônia, acidez gástrica, náuseas, pressão sanguínea e depressão. Outros elevam o humor, a pressão sanguínea ou a atividade das glândulas endócrinas.

Os medicamentos podem combater doenças infecciosas, destruir parasitas intestinais ou agir como antídotos contra os efeitos dos venenos ou de outras drogas. Eles podem auxiliar no combate ao fumo ou na abstinência de álcool, ou modificar transtornos obsessivo-compulsivos.

Os medicamentos são usados para tratar infecções comuns, AIDS, hiperplasia prostática benigna, câncer, doença cardiovascular, asma, glaucoma, doença de Alzheimer e impotência masculina.

Eles podem proteger contra a rejeição de tecidos e órgãos transplantados ou reduzir a incidência de sarampo e caxumba. Antineoplásicos oferecem um meio para combater processos cancerosos; os radiofármacos oferecem outro.

Os medicamentos são usados para diagnosticar o diabete, a disfunção hepática, a tuberculose ou a gravidez. Podem repor a deficiência corporal de anticorpos, vitaminas, hormônios, eletrólitos, proteínas, enzimas ou sangue. Previnem a gravidez, auxiliam na fertilidade e mantêm a vida.

Certamente a vasta gama de agentes medicinais efetivos disponíveis, usados na preparação de medicamentos, é uma das nossas maiores realizações científicas. É difícil conceber nossa civilização privada dessas remarcáveis e benéficas substâncias.

Por meio de seu uso, muitas das doenças que trouxeram sofrimento ao longo da nossa história, como a varíola ou a poliomielite, estão agora extintas. Doenças como diabete, depressão ou hipertensão são efetivamente controladas por medicamentos modernos. Os procedimentos cirúrgicos de hoje seriam impossíveis sem os benefícios dos anestésicos, analgésicos, antibióticos, das transfusões sanguíneas e dos fluidos intravenosos.

Novas substâncias com propriedades terapêuticas podem ser obtidas a partir de plantas ou animais, subprodutos do crescimento microbiano, ou por meio de síntese química, modificação molecular ou processos biotecnológicos. Bibliotecas virtuais, bancos de dados de compostos químicos e métodos sofisticados de screening para potenciais atividades biológicas auxiliam no descobrimento de novos fármacos.

O processo de descobrimento e desenvolvimento de novos fármacos é complexo. Ele engloba as contribuições específicas de muitos especialistas, incluindo químicos orgânicos, físico-químicos ou químicos analíticos; bioquímicos; biólogos moleculares; bacteriologistas; fisiologistas; farmacologistas; toxicologistas; hematologistas; imunologistas; endocrinologistas; patologistas; bioestatísticos; farmacêuticos pesquisadores e clínicos; médicos e muitos outros.

Após uma potencial nova substância ser descoberta e ter sido completamente caracterizada química e físico-quimicamente, um grande número de informações biológicas deve ser coletado.
Aspectos sobre farmacologia básica, ou seja, natureza e mecanismo de ação da substância no organismo, devem ser avaliados, incluindo suas características toxicológicas. O local e a velocidade de absorção, o perfil de distribuição e a concentração no organismo, duração de ação e tipo e velocidade de eliminação ou excreção devem ser estudados. Informações sobre o metabolismo e a atividade dos seus metabólitos devem ser obtidas.

Um estudo completo sobre os efeitos a curto e a longo prazo, nas células, nos tecidos e órgãos deve ser realizado. Informações altamente específicas, como o efeito do fármaco sobre o feto ou a capacidade de passar para o bebê por intermédio do leite, devem ser obtidas. Muitos fármacos promissores foram abandonados devido a seu potencial de causar efeitos colaterais excessivos ou danosos.

As vias de administração (p.ex., oral, retal, parenteral, tópica) mais efetivas devem ser determinadas, e as doses recomendadas precisam ser estabelecidas para pessoas de várias idades (p.ex., neonatos, crianças, adultos, idosos), pesos e condições de saúde. Tem-se afirmado que a única diferença entre fármaco e veneno é a dose. Para facilitar o uso de fármaco pelas diferentes vias de administração, formas farmacêuticas, como comprimidos, cápsulas, injetáveis, supositórios, pomadas, aerossóis, entre outras, são formuladas e preparadas.

Cada uma dessas unidades de dosagem deve conter uma quantidade específica de medicação de modo a facilitar e permitir a exatidão da dose durante a administração. Essas formas farmacêuticas são sistemas de liberação altamente sofisticados.

Seu desenho, desenvolvimento, produção e uso resultam da aplicação das ciências farmacêuticas – a mistura das ciências básica, aplicada e clínica com a tecnologia farmacêutica.
Cada produto farmacêutico em particular é uma formulação específica. Em adição aos componentes terapeuticamente ativos, uma formulação farmacêutica contém várias outras substâncias.

É por meio de seu uso que uma formulação apresenta determinada composição que confere características físicas ao produto. Adjuvantes farmacêuticos incluem materiais como diluentes, espessantes, solventes, agentes suspensores, materiais de revestimentos, desintegrantes, promotores de permeação, agentes estabilizantes, conservantes, flavorizantes, corantes e edulcorantes.

Para assegurar a estabilidade do fármaco em uma formulação e manter a eficácia do medicamento durante sua vida de prateleira, os princípios de química, física farmacêutica, microbiologia e tecnologia farmacêutica devem ser aplicados.

Todos os componentes da formulação devem ser compatíveis, incluindo fármacos, adjuvantes e materiais de embalagem. A formulação deve ser resguardada da decomposição decorrente da degradação química e protegida da contaminação microbiológica e de influências destrutivas do calor, da luz e da umidade. Os componentes ativos devem ser liberados a partir da forma farmacêutica em quantidades apropriadas, de maneira a proporcionar o início e a duração de ação desejados. O medicamento deve oferecer administração eficiente e possuir características atrativas de sabor, odor, cor e textura,que aumentem a aceitação pelo paciente. Finalmente,o produto deve ser embalado de forma adequada e rotulado de acordo com as exigências legais.

Uma vez preparado, o medicamento deve ser apropriadamente administrado ao paciente para proporcionar o máximo benefício. Ele deve ser tomado em quantidade suficiente, em intervalos de tempo específicos e durante o período indicado para o alcance dos resultados terapêuticos desejados.

Sua eficácia, em respeito aos objetivos do médico prescritor deve ser reavaliada periodicamente, e os ajustes necessários na dose, no regime, na posologia ou na forma farmacêutica, ou, ainda, quanto ao fármaco administrado, devem ser realizados. Expressões de insatisfação do paciente quanto à velocidade de progresso da terapia e reclamações quanto aos efeitos colaterais devem ser avaliadas e tomadas decisões quanto à continuidade ou ajuste do tratamento. Antes de tomar o medicamento, o paciente deve ser avisado em relação aos efeitos colaterais esperados e aos efeitos de alguns alimentos e bebidas, e outros medicamentos, que podem interferir na eficácia do tratamento.

Por meio da interação e da comunicação com outros profissionais da saúde, o farmacêutico pode contribuir muito para a saúde do paciente. O grande conhecimento sobre a ação dos fármacos, farmacoterapêutica, desenho e formulação de formas farmacêuticas, produtos disponíveis e fontes de informação torna-o um membro essencial nas equipes de saúde. Ele tem a responsabilidade legal para a aquisição, o armazenamento, o controle e a distribuição de medicamentos e para a manipulação e o atendimento das prescrições. Caracterizado por sua larga experiência e seu conhecimento, atua como conselheiro sobre medicamentos e encoraja seu uso seguro e apropriado. O farmacêutico fornece seus serviços em várias instituições de cuidado com a saúde e realiza registros de medicamentos, monitoramento de pacientes e técnicas de avaliação, com vistas à melhoria da saúde pública.

Referência: Introdução aos Fármacos, Formas Farmacêuticas e Sistemas de Liberação

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