segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Novo tratamento para a anemia?

Investigadores americanos descobriram uma forma inesperada de desencadear a produção de glóbulos vermelhos ou eritrócitos. O estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation” pode representar um significativo avanço na batalha contra a anemia, beneficiando os indivíduos com diabetes, doença renal ou cancro, bem como os idosos para os quais a anemia pode se tornar um problema crônico.

Os indivíduos com anemia, a doença de sangue mais comum, não têm eritrócitos suficientes os quais são responsáveis pelo transporte de ferro. As pessoas com anemia sentem frequentemente fadiga e falta de energia porque as células não recebem oxigênio suficiente. Esta doença pode ter várias causas, incluindo níveis baixos de ferro e vitaminas, bem como doença renal e cancro. A anemia é particularmente prevalente nos idosos.

Os investigadores da Escola de Medicina da Universidade da Virginia, nos EUA, não estavam a estudar a anemia quando fizeram a descoberta. Na verdade estavam a analisar o papel das células dendríticas nos pulmões. As células dendríticas têm sido tradicionalmente encaradas como sensores de infecção e inflamação. Contudo, um teste laboratorial que envolveu o vírus da gripe produziu um efeito inesperado em ratinhos tendo revelado uma função completamente nova destas células. 

Após terem injetado em ratinhos o vírus da gripe e um anticorpo que bloqueia determinadas moléculas expressas pelas células dendríticas, os investigadores descobriram que os rins dos animais aumentaram massivamente. O resultando manteve-se após os investigadores terem repetido a mesma experiências várias vezes. A injeção apenas do anticorpo conduziu ao mesmo resultado, rins gigantes, tendo os investigadores concluído que estavam a desencadear a eritropoiese induzida pelo stress. A eritropoiese induzida pelo stress ocorre quando o organismo produz eritrócitos devido a danos ou outro tipo de stress.

De uma forma muita simplista, os investigadores dizem ter descoberto que o processo de regulação do stress é mediado, em parte, pelas células dendríticas. O stress pode ser causado de várias formas, não necessariamente pela infecção e inflamação. Pode ser a anemia ou hemorragia. “Estas células iniciam esta resposta, que até à data, não havia nenhuma evidência de que as células dendríticas participassem na produção de eritrócitos”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Thomas J. Braciale.

Apesar de serem necessários mais estudos antes do método poder ser utilizado em pessoas, as possibilidades são tentadoras. Esta abordagem pode permitir que os médicos ativem a produção de eritrócitos sempre que necessário ou ser utilizada tratar as pessoas que não podem receber transfusões de sangue devido a crenças religiosas.

Com informações de ALERT Life Sciences Computing, S.A.


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