segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A Importância dos Farmacêuticos

O curso de farmácia proporciona diplomas de bacharel em Ciências Farmacêuticas para que os profissionais exerçam atividades em uma ampla variedade de setores, aplicando os conhecimentos das ciências farmacêuticas básicas e da clínica e a experiência e competência profissional. Esses setores incluem as farmácias públicas, instituições de saúde, serviços governamentais e militares, associações de profissionais, produção e pesquisa, bem como outros setores que necessitam da competência do farmacêutico.

A maioria dos farmacêuticos exerce suas atividades em farmácias ou instituições de saúde. Nesses setores, eles desempenham um papel ativo no uso pelos pacientes de medicamentos prescritos e não-prescritos, agentes de diagnóstico e dispositivos e equipamentos médicos duráveis. O farmacêutico desenvolve perfis individuais de medicação, publica brochuras contendo informações sobre medicamentos, aconselha os pacientes sobre seu estado de saúde e fornece dados sobre o uso de medicamentos e de procedimentos não medicamentosos.

Como membro da equipe de profissionais da saúde, eles servem como fonte de informação e participam na seleção, monitoramento e avaliação da terapia medicamentosa.

Um número substancial de profissionais exerce suas atividades em instituições de saúde, como os hospitais, clínicas, instalações de cuidados extensivos e organizações de saúde. Nesses setores, o farmacêutico dirige os sistemas de controle e distribuição de medicamentos e fornece diversos serviços clínicos, incluindo a DUR (Revisão da Utilização de Medicamentos), monitoramento terapêutico, programas de misturas intravenosas, serviços de consultas sobre dados farmacocinéticos, controle de medicamentos que estão sob investigação e serviço de informações toxicológicas.

A Board of Pharmaceutical Specialties certifica a prática em farmácias nuclear, nutricional, psiquiátrica e oncológica, e em farmacoterapia.

Atualmente os programas de cuidados com a saúde têm crescido extraordinariamente. Organizações de cuidados com a saúde têm registrado dados dos pacientes e assumido muitas responsabilidades na atenção à saúde, incluindo aquelas referentes aos serviços farmacêuticos. Muitas novas áreas de atuação farmacêutica têm surgido, incluindo posições de direção, consultoria em determinadas doenças, pesquisa dos resultados dos pacientes, especialistas na revisão da utilização de medicamentos, entre outros. Nessas funções, os farmacêuticos aplicam sua competência em administração, realização de estudos clínicos e epidemiológicos, tecnologia da informação e comunicação, no exercício da prática profissional.Vários farmacêuticos, particularmente aqueles interessados na prática institucional, participam de residências e/ou programas de formação que lhes conferem novas competências. A residência em farmácia consiste em curso de pós graduação em uma área de atuação definida. A principal finalidade é treinar os farmacêuticos em práticas profissionais. Um programa de formação em pesquisa consiste em um curso de pós-graduação destinado a preparar o indivíduo para tornar-se um pesquisador independente. Ambos os cursos deformação duram 12 meses ou mais e requerem a orientação próxima de um preceptor.

Os profissionais que trabalham em empresas de produção, desenvolvimento e pesquisa podem participar de várias atividades, incluindo a pesquisa de novos fármacos, desenvolvimento e produção de medicamentos, estudos clínicos e avaliação de medicamentos, propaganda e comercialização. Os conhecimentos do farmacêutico sobre química, ciências biológicas e farmacêuticas, junto com o conhecimento técnico sobre formulação, desenho de formas farmacêuticas e usos clínicos são integrados de forma a atender às exigências da indústria farmacêutica.

Farmacêuticos com titulações maiores (Master of Science [MS] ou Doctor of Philosophy [PhD]) em ciências básicas ou farmacêuticas são altamente visados pela indústria farmacêutica.

Em serviços governamentais, os farmacêuticos realizam funções administrativas e técnicas para o desenvolvimento e implementação de programas de cuidado com a saúde, e no desenho e execução de regulamentações envolvendo a distribuição e o controle da qualidade de medicamentos. Oportunidades de carreira para farmacêuticos em instituições governamentais em nível federal incluem posições no serviço militar, serviços de saúde pública e agências civis como FDA, Veteran Administration, Department of Health and Human Services, DEA, NIH, entre outros. Em níveis estadual e local, muitos farmacêuticos têm posições nos departamentos de saúde, serviços de atenção farmacêutica para adultos e crianças, controle e investigação do uso de medicamentos e nos Conselhos de Farmácia.

Escolas de farmácia contratam farmacêuticos com ou sem formação avançada, para servir como preceptores e ensinar sobre temas específicos dentro da instituição acadêmica, participar de pesquisas e contribuir com os serviços de educação continuada da escola. Alguns farmacêuticos trabalham em tempo integral em setores acadêmicos, enquanto outros dedicam meio turno para instrução profissional na comunidade ou em farmácias de hospitais, para ensinarem hospitais ou clínicas, centros de informações sobre medicamentos, instalações de cuidados extensivos com a saúde, departamentos de saúde e outras áreas nas quais os serviços farmacêuticos são necessários.

Vários farmacêuticos atuam como voluntários em associações locais, estaduais e nacionais.

Os farmacêuticos exercem um papel fundamental nas suas comunidades, participando de fóruns de educação sobre saúde e medicamentos, dando palestras em escolas sobre questões ligadas aos medicamentos, dirigindo programas de educação ao paciente e fornecendo informações sobre questões relacionadas à saúde e aos medicamentos para legisladores e outros líderes oficiais.

A missão da farmácia

Em 1990, a comissão de especialistas da APhA adotou a seguinte missão para a farmácia:

A missão da farmácia é servir a sociedade como a profissão responsável pelo uso apropriado de medicamentos, dispositivos e serviços de atenção à saúde, de modo a obter os melhores resultados terapêuticos.

Os elementos da declaração foram definidos pelos seguintes aspectos:

Farmácia é a profissão da saúde que engloba a aplicação de conhecimentos que resultam na descoberta, desenvolvimento e uso de medicamentos, e nas informações destinadas ao cuidado da saúde dos pacientes. Ela envolve aspectos clínicos, científicos, econômicos e educacionais com base nos conhecimentos dos profissionais farmacêuticos e na comunicação com outros profissionais do sistema de saúde.

Sociedade envolve pacientes, outros provedores de saúde, tomadores de decisões sobre políticas de saúde, a população saudável e outros indivíduos e grupos cujos cuidados com a saúde e medicamentos são importantes.
Apropriado é o termo que se refere à responsabilidade do farmacêutico em assegurar que um regime terapêutico seja especificamente direcionado a um paciente individual, fundamentado em parâmetros farmacológicos e clínicos aceitáveis. Além disso, o farmacêutico deve avaliar o regime terapêutico para proporcionar o máximo de segurança, custos acessíveis e adesão do paciente ao tratamento.

Medicamentos são produtos com ou sem tarja, usados no diagnóstico, tratamento, prevenção e/ou cura de uma doença. O termo é específica e propositalmente usado para distinguir do termo droga o qual fornece uma imagem não-terapêutica e negativa à população.

Dispositivos referem-se a equipamentos, processos, produtos biotecnológicos, agentes de diagnóstico,entre outros, que são usados para auxiliar na utilização efetiva do regime terapêutico.

Serviços referem-se àqueles destinados à educação de pacientes, profissionais da saúde e da população, programas de seleção e monitoramento de medicamentos, direção e atividades relacionadas que contribuem para o uso efetivo dos medicamentos pelos pacientes.

O termo “melhores resultados terapêuticos” afirma a contribuição final da profissão à saúde pública. A farmácia reivindica isso como tendo a responsabilidade, privilégio e direito único – e aceita as suas consequências– sobre o uso de medicamentos. Ela reconhece a necessidade de integrar-se à saúde pública, com os papéis complementares dos pacientes e de outros profissionais da saúde.

Definição de atenção farmacêutica

Atualmente o papel do farmacêutico na prática contemporânea consiste em fornecer cuidados, os quais foram primeiramente propostos em 1975 por Mikeal e colaboradores como “o cuidado que um determinado paciente requer e recebe e que assegura o uso racional de medicamentos”.

Desde então, o termo “atenção farmacêutica” tem sido definido por muitos autores, incluindo Strande colaboradores, que em 1992 afirmaram:

<Atenção farmacêutica é um componente da prática profissional que envolve a interação direta do farmacêutico com o paciente, com a finalidade de proporcionar-lhe cuidados referentes às suas necessidades quanto ao uso de medicamentos.>

A American Society of Health-System Pharmacists (ASHP), um organismo nacional que representa farmacêuticos que atuam em hospitais, HMOs (do inglês, health maintenance organizations), instalações de cuidados extensivos e outros componentes de sistemas de cuidados com a saúde, deram a seguinte definição para atenção farmacêutica, em 1993:

A missão do farmacêutico é fornecer atenção farmacêutica.
A atenção farmacêutica é a provisão direta, responsável, de cuidados relacionados aos medicamentos, com o propósito de alcançar resultados definitivos, que melhorem a qualidade de vida do paciente.

A American Pharmaceutical Association, em 1996, publicou seus Princípios de Prática da Atenção Farmacêutica, incluindo as seguintes definições:

Atenção farmacêutica é uma prática orientada e centrada no paciente que requer a atuação do farmacêutico junto com outros profissionais, para promover a saúde, prevenir doenças e avaliar, monitorar, iniciar e modificar o uso de medicamentos, de modo a garantir sua segurança e eficácia.

O objetivo da atenção farmacêutica é otimizar a qualidade de vida relacionada à saúde do paciente e obter resultados positivos com custos realistas. 

Implícita nessas afirmações está a exigência aos farmacêuticos de participarem em todos os aspectos relacionados à distribuição de medicamentos e ao seu uso clínico para obter resultados terapêuticos ótimos. A literatura farmacêutica atual é repleta de artigos que dão suporte ao conceito e à prática da atenção farmacêutica, incluindo: desenvolvimento de habilidades clínicas, banco de dados sobre atenção farmacêutica, tecnologia da informação, revisão bibliográfica, monitoramento e avaliação dos resultados terapêuticos, revisão da utilização de medicamentos, farmacoterapia e tratamento da doença, protocolos de tratamento, monitoramento das reações adversas, serviços farmacocinéticos e estratégias para a implementação da atenção farmacêutica.

Em 1997, a American Association of Colleges of Pharmacy’s Janus Commission publicou um relatório, Approaching the Millenium, no qual afirma que, para fornecer atenção farmacêutica, o farmacêutico deve ser:

- Um solucionador de problemas, capaz de adaptar-se às mudanças relacionadas aos cuidados com a saúde.
- Capaz de obter resultados terapêuticos por meio do uso de medicamentos eficazes oferecidos pelo sistema de saúde.
- Capaz de colaborar com médicos, enfermeiros e outros membros da equipe de saúde.
- Um eterno aprendiz.

A prática farmacêutica

O objetivo e a competência dos farmacêuticos são definidos em cada Estado por meio de leis e regulamentações promulgadas no Conselho Estadual de Farmácia. Juntamente com as leis federais, elas constituem a base para a prática legal da farmácia.

Durante anos, várias associações farmacêuticas elaboraram documentos considerados modelos para a prática farmacêutica. Um desses documentos, Practice Standards of the American Society of Health-System Pharmacists, é atualizado e publicado anualmente. Em 1991, a APhA, a American Association of Colleges of Pharmacy e a National Association of Boards of Pharmacy estudaram o objetivo da prática farmacêutica e substituíram o Standards of Practice for the Profession of Pharmacy (o qual foi publicado em 1979 e atualizado em 1986) pelo Competency Statements for Pharmacy Practice. As competências dos farmacêuticos podem ser resumidas da seguinte maneira:

Administração geral da farmácia: seleciona e supervisiona farmacêuticos e outros profissionais da equipe da farmácia; estabelece uma estrutura para serviços e produtos farmacêuticos; administra orçamentos e negocia com vendedores; desenvolve e mantém um sistema de aquisição de todos os medicamentos e produtos farmacêuticos; elabora um sistema de formulários. Em geral, estabelece e administra a farmácia e o pessoal.

Processamento da prescrição: verifica a prescrição quanto à legalidade e compatibilidades físicas e químicas; verifica os registros do paciente antes de dispensar o medicamento; mede a quantidade necessária para atender a prescrição; realiza a verificação final e dispensa o medicamento.

Funções dos cuidados com o paciente: verifica se o paciente compreendeu aspectos relacionados ao uso do medicamento; relaciona o uso dos medicamentos com informações dadas por ele; aconselha sobre suas condições potencialmente ligadas ao medicamento; encaminha-o a outros setores de cuidados com a saúde; monitora e avalia a resposta terapêutica, revisa e/ou procura informações adicionais sobre medicamentos.

Educação de pacientes e profissionais da saúde: organiza, mantém e fornece informações sobre medicamentos a outros profissionais da saúde, organiza e/ou participa de programas de educação em farmácia, faz recomendações em relação à terapia a médico e paciente, desenvolve e mantém sistemas de distribuição e controle de qualidade.

Em 1998, um consórcio de 10 organizações farmacêuticas realizou um projeto de classificação da prática farmacêutica para desenvolver uma linguagem uniforme para o exercício profissional em áreas como farmacoterapia, monitoramento e avaliação dos resultados terapêuticos, dispensação de medicamentos, promoção da saúde e prevenção de doenças e direção de sistemas de saúde. A classificação foi destinada a fornecer uma linguagem comum para ser usada e compreendida dentro e fora da profissão, na descrição das atividades dos farmacêuticos.

SEÇÃO I – Introdução aos Fármacos, Formas Farmacêuticas e Sistemas de Liberação 

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