segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Farmacognosia: Conceito Farmacognóstico de Droga e de Princípio Ativo

Farmacognosia tem em sua etimologia o prefixo grego:

PHARMACON que significa droga, medicamento, e GNOSIS conhecimento. Ou seja, o estudo e o conhecimento das drogas: vale dizer - a história, a produção, a comercialização, o uso, a identificação, o isolamento dos princípios ativos das drogas, sua conservação e, finalmente, o seu armazenamento. A pesquisa de novas plantas medicinais busca o isolamento de seus princípios ativos bem como o extrato vegetal.

Conceito Farmacognóstico de Droga e de Princípio Ativo

Droga

A origem da palavra droga não está ainda bem esclarecida. Alguns consideram provável que esteja relacionada com a palavra alemã trocken que significa secar, visto as drogas de origem vegetal ou animal se apresentarem quase que exclusivamente no estado seco. Outros acreditam que a palavra droga derive do holandês droog que significa seco, através do francês drogue.

Chama-se droga, em Farmacognosia, a todo vegetal ou animal ou, ainda, a uma parte ou órgão destes seres ou produtos derivados diretamente deles e que, após sofrerem processos de coleta, preparo e conservação, possuam composição e propriedades tais, que possibilitem o seu uso como forma bruta de medicamento ou como necessidade farmacêutica. Droga é, pois, matéria sem vida que sofreu alguma transformação para servir de base para medicamento. O processo de coleta e conservação não modifica as condições genéricas do produto.

Exemplificando para melhor entender. As folhas de EUCALIPTO Eucalyptus globulus Labillardiere, utilizadas no tratamento de moléstias do aparelho respiratório, coletadas simplesmente do vegetal não constituem droga. Quando porém são submetidas, subsequentemente, a processo de conservação como por exemplo secagem, passam a constituir droga. Agora o caso de um fruto, UVAS ROSADAS, por exemplo, pertencente à espécie Vitis vinifera L. Se tratarmos agora estes frutos submetendo-os a processo de secagem, transformando-os em uva passa, neste caso não teremos droga, pois este material não apresenta uso medicinal.

Na América Central, sobre plantas pertencentes à família Cactaceae se desenvolve um inseto denominado COCHONILHA (COCCOS cacti L.). Estes insetos coletados, mortos com emprego de água fervente e submetidos a processo de secagem, constituem o chamado carmim animal, empregado como necessidade farmacêutica no colorimento de certos medicamentos e alimentos. 

Trata-se, portanto, de um tipo de droga apesar de não apresentar atividade farmacodinâmica.
Consideremos agora o caso de frutos verdes, plenamente desenvolvidos de PAPOULA (Papaver somniferum L.). Se fizermos incisões convenientes nestes frutos, deles exsudará um látex que, em contato com o ar se solidificará. Este exsudato raspado das cápsulas, reunido e moldado em forma de pães após processo de secagem vai constituir o pão de ópio. Este pão de ópio é rico em alcalóides apresentando emprego na indústria farmacêutica. Trata-se, portanto, de um tipo especial de droga constituída de mistura de substâncias derivadas diretamente de vegetal, denominada de droga derivada.

A droga pode ser considerada como matéria-prima de medicamento de origem vegetal ou animal, devidamente processada e conservada. Segundo sua origem, a droga pode ser classificada em três tipos, a saber: Droga Vegetal, Droga Animal e Droga Derivada Vegetal ou Animal.

Drogas Derivadas

Drogas derivadas são produtos derivados de animal ou planta, obtidos diretamente, isto é, sem utilização de processo extrativo delicado. Quando executamos incisões no tronco de um pinheiro, por exemplo, notamos, após algum tempo, a exsudação de uma mistura complexa de substâncias que se solidifica em contato com o ar. Este conjunto de substâncias recebe o nome de terebentina e, após o trabalho de coleta e preparo, constitui exemplo de droga derivada. Se, entretanto, retirarmos desta árvore alguns pedaços de caule e os submetermos a destilação, obteremos o óleo essencial do pinheiro. O óleo essencial do pinheiro não é considerado como droga derivada, em virtude do processo de sua obtenção. O pão de ópio como vimos anteriormente constitui outro exemplo de droga derivada.

Como exemplo de droga derivada de origem animal temos o bílis de boi e o mel de abelha.
Assim, para que uma matéria possa ser considerada como droga, segundo o sentido farmacognóstico, deverá preencher as seguintes condições:
1 - ser de origem vegetal ou animal;
2 - ter sido submetida a processo de coleta e de conservação;
3 - não ser obtida através de processos extrativos delicados (droga derivada);
4 - encerrar propriedades farmacodinâmicas ou ser considerada como necessidade farmacêutica.

Princípio Ativo

A ação farmacodinâmica das drogas é devida à presença de princípios ativos.
Estes princípios ativos são constituídos de uma substância ou conjunto de substâncias quimicamente bem definidas.

O ESTRAMÔNIO, a BELADONA, MEIMENDRO e a TROMBETEIRA são drogas antiespasmódicas, em virtude de possuírem alcalóides tais como a atropina e a hiosciamina, que são seus princípios ativos. A droga constituída de cascas de QUINAS é utilizada em função de princípios ativos alcaloídicos que contém, especialmente, quinina e quinidina.

As folhas do DIGITAL encerram como princípios ativos glicósidos cardiotônicos (digitoxina,digoxina, etc.).

Fazendo parte das drogas, ao lado dos princípios ativos, existe uma série de substâncias que não apresentam atividade farmacodinâmica mas que, frequentemente, apresentam importância farmacêutica. Estas substâncias químicas são importantes algumas vezes na caracterização química da droga. Assim, o ácido mecônico existente no pão de ópio é importante pela coloração vermelho-vinhosa que dá em presença de solução de cloreto férrico, e esta reação é empregada na identificação do ÓPIO.

Outras vezes, estas substâncias não ativas podem agir ocasionando incompatibilidades medicamentosas que dificultam a obtenção de boas formas farmacêuticas.
Genericamente estas substâncias são denominadas de princípios inativos.

Referência: Farmacognosia


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