sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Repelentes e gestação

Com a epidemia por Zika vírus, infecção potencialmente grave para gestantes e com relação provável com inúmeros casos de microcefalia, a demanda por repelentes cresceu muito, gerando dúvida para muitas gestantes e farmacêuticos, sobre efetividade e segurança desses produtos. Elaboramos esse tópico para ajudar você farmacêutico...

O que é o Zika vírus provoca?

Em adultos hígidos, a picada do mosquito leva a febre do Zika vírus, uma doença viral aguda, transmitida principalmente por mosquitos, tais como Aedes aegypti, caracterizada por exantema maculopapular pruriginoso, febre intermitente, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido, artralgia, mialgia e dor de cabeça. Apresenta evolução benigna e os sintomas geralmente desaparecem espontaneamente após 3-7 dias.

Recentemente foi estabelecida relação entre a infecção pelo Zika em gestantes e más-formações cefálicas no feto, através da identificação do vírus em amostras de sangue e tecidos de bebê, nascida no Ceará. Essa é uma situação inédita na pesquisa científica mundial.

As investigações sobre o tema devem continuar para esclarecer questões como a transmissão desse agente, a sua atuação no organismo humano, a infecção do feto e período de maior vulnerabilidade para a gestante. Em análise inicial, o risco está associado aos primeiros três meses de gravidez. O achado reforça o chamado para uma mobilização nacional para conter o mosquito transmissor, o Aedes aegypti, responsável pela disseminação doença.

Quais os repelentes disponíveis no Brasil e qual seu perfil de segurança nas gestantes?

Os três principais repelentes disponíveis no Brasil são: Icaridina, DEET, IR3535.

Icaridina: Na concentração de 20-25% é i princípio ativo do tão procurado Exposis, é o repelente preferido pelos obstetras, visto sua alta efetividade e elevada duração da proteção (aproximadamente 10 horas de proteção contra os insetos).

DEET: é o repelente mais comum e mais fácil de ser encontrado nas farmácias e supermercados (OFF, Autan, Repelex, entre outros). É um repelente muito eficiente, mas sua duração depende da concentração de DEET no produto. No a ANVISA autoriza a venda de repelentes com concentração de DEET de até 15%, o que confere proteção máxima por 6 horas.
Gestantes SEMPRE devem escolher os repelentes com DEET na versão para adultos (15%) com 6 horas de duração e não a versão infantil, que tem apenas 6 a 9% do ativo e duração mais curta (2 horas). Essa informação é muito importante, pois muitas gestantes, por cautela excessiva e desinformação preferem a formulação infantil.

IR3535: conhecido como Loção Antimosquito Johnson’s, é indicado para crianças de 6 meses a 2 anos. Tem duração muito curta, necessitando de reaplicações a cada 2 horas, o que pode deixar a gestante desprotegida em períodos de longa exposição.

Repelentes naturais: A maioria dos repelentes naturais, como citronela e andiroba tem rápida evaporação e, portanto um tempo de proteção muito curto, de 10 a 20 minutos. Assim, não são considerados repelentes seguros para gestantes.

Qual o melhor para gestantes?

Por suas características, a Icaridina é considerada primeira escolha, tendo em conta a alta efetividade e o longo tempo de duração da proteção, sendo necessária apenas uma aplicação ao dia.

E se falta a Icaridina o que fazer?

Visto a alta demanda por produtos a base de Icaridina, muitos estados têm enfrentado um “superfaturamento” e até mesmo um desabastecimento do produto, nesses casos o DEET e IR3535 também apresentam perfil de segurança adequado para gestantes, mas como apresentarem menor duração da proteção, precisam ser reaplicados ao longo do dia.

Lembrando que o mosquito da dengue têm hábitos diurnos, portanto orientar a aplicação, nos intervalos adequados nesse período.

Como deve ser a aplicação?

Após a aplicação o repelente evapora e forma uma “nuvem” de aproximadamente 4 cm em volta da pele que repele o inseto. Assim, não é recomendado usar o repelente por baixo das roupas, mas por cima dos tecidos e apenas na pele exposta (braços, colo, pernas, pés).

Pelo mesmo motivo, o repelente é o último produto a ser aplicado na pele. Primeiro usa-se hidratantes, filtros solares, maquiagem, e o repelente sempre por cima de tudo. Deve-se aconselhar a restringir aplicação próximo a olhos, nariz e boca. Todos os repelentes podem irritar as mucosas.

O mais importante é orientar que a gestante deve respeitar o intervalo de duração do produto, e reaplica-lo após esse período:
Icaridina: 10 horas na pele e a cada 72 horas nos tecidos
DEET adultos (15%): 6 horas
IR3535: 2horas

Comentário

Não existem evidências que a infecção pela Zika esteja associada a alterações na função cerebral de adultos ou crianças até o momento, portanto, nessas populações, apesar do benefício da prevenção, esclarecer que não há motivo para pânico.

Referências

Associação de ginecologistas e obstetras de Pernambuco. http://www.sogope.com.br/uso-de-repelentes-pelas-gestantes/

Por: Wálleri Reis em Farmacêutico Clínico 


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