quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Novo tomógrafo faz imagens em 3D surpreendentes de órgãos humanos

Revolution CT já está disponível em São Paulo e Curitiba. O aparelho “fotografa” o coração durante o momento de um batimento cardíaco, e pode ser utilizado em qualquer especialidade

Antes de ler esta matéria, dê uma olhada nas imagens ao lado e abaixo. Achou surpreendente? Pois saiba que elas têm surpreendido até especialistas em diagnóstico por imagem.

Mais veloz que qualquer outro tomógrafo, o Revolution CT, da GE, não só permite um diagnóstico mais preciso de casos difíceis como vem sendo usado para gerar moldes em 3D dos diferentes órgãos do corpo humano.

Um dos profissionais à frente desta inovação, o médico Ricardo Cury, é brasileiro. Diretor de imagem cardíaca do Hospital West Kendall Baptist, em Miami, ele foi procurado pela GE em 2011 para ajudar no desenvolvimento do aparelho. “A partir dos primeiros contatos, entramos num acordo de pesquisa. Um protótipo foi instalado no hospital e nós participamos da primeira avaliação, que serviu como base para aprovação na FDA [órgão americano responsável pela liberação de alimentos, cosméticos, medicamentos e aparelhos médicos]”, conta Ricardo Cury. Em 2014, o local passou a usar o Revolution CT para análises clínicas.

Uma das grandes vantagens, observa Dr. Cury, é que o aparelho permitiu passar da avaliação anatômica de um órgão para a avaliação funcional, com estudos dinâmicos. E, importante frisar, com uma dose bem menor de radiação. Mas o trabalho não parou por aí.

Diante das imagens geradas pelo tomógrafo, surgiu a ideia de transformá-las em moldes 3D. A medida tanto serve para fins didáticos como para o planejamento cirúrgico.

De acordo com Dr. Ricardo Cury, o uso do Revolution CT e dos moldes já está levando a uma diminuição na duração das cirurgias, assim como na quantidade de anestesia utilizada no procedimento. “Acreditamos que a precisão na medicina começa com a precisão no diagnóstico”, ressalta.

O aparelho chegou ao Brasil em outubro de 2015.  O primeiro local a recebê-lo foi a Clínica ALTA Diagnósticos, do grupo DASA, onde trabalha o cardiologista Dr. Roberto Cury, irmão de Dr. Ricardo Cury.

Em apenas três meses de uso, já existem histórias para contar de casos em que a nova tecnologia fez diferença.

Em um deles, era preciso saber se o paciente tinha ou não uma obstrução numa coronária – exames prévios apresentaram resultado alterado.

Por meio das imagens obtidas na tomografia com o Revolution CT foi possível analisar tanto a anatomia como a perfusão do coração em um único exame de tomografia, e constatar que estava tudo normal. “Assim, pudemos evitar que o paciente fosse submetido a um cateterismo desnecessário”, lembra.

Por captar imagens de forma muito mais veloz, o aparelho também permite atender pessoas com arritmias, assim como aquelas que não podem tomar remédios para baixar a frequência cardíaca.

Essa medicação costuma ser administrada antes do exame porque, com a frequência na faixa dos 60 bpm (batimentos por minuto), a chance de obter uma imagem nítida é maior. Porém, pessoas com asma ou insuficiência cardíaca não podem tomá-la, explica Marcello Zapparoli, coordenador da área de imagem cardíaca da clínica Dapi, em Curitiba, que também usa o aparelho desde outubro. “O ideal ainda é fazer o exame com a frequência baixa. Mas, nos casos em que isso não é possível, o Revolution CT consegue um resultado adequado mesmo com uma frequência de 120 bpm”, afirma o médico. “O salto tecnológico é muito importante, maior do que eu imaginava.”

Essa rapidez é resultado de dois avanços, explica Luiz Augusto de Castro e Paula, diretor de marketing da GE Healthcare na América Latina. O primeiro se refere ao tamanho do detector: enquanto os tomógrafos comuns têm detectores que vão de 2cm a 4cm, o do Revolution CT possui 16 cm e uma geometria exclusiva.

O segundo diz respeito à velocidade com a qual o detector consegue completar um giro. De modo geral, esse tempo é de 0,5 segundo a 0,8 segundo. No Revolution CT, esse tempo cai para 0,28 segundo, podendo chegar a até 0,2 segundo, mais rápido que um piscar de olhos.
Ou seja, ele consegue captar uma imagem completa do coração no tempo de apenas uma fração do seu batimento, sempre. Além disso, o aparelho conta com a tecnologia SnapShot Freeze, que “corrige” o movimento do coração, selecionando os instantes  em que cada parte está mais nítida.

Vale destacar, porém, que a novidade não impacta apenas a cardiologia, mas todas as áreas em que a tomografia pode ser  utilizada.

O aparelho pode identificar tumores, por exemplo, assim como avaliar volumetricamente a perfusão de órgãos como o cérebro e o fígado, e registrar articulações em movimento.
Também é especialmente indicado para crianças e idosos, que nem sempre conseguem permanecer imóveis por muito tempo, e por isso podem precisar de sedação para passar por um tomógrafo comum.

Por enquanto, o aparelho está disponível apenas em São Paulo e Curitiba.
A novidade é coberta pelos planos de saúde, afirma Dr. Roberto Cury. “Em relação aos convênios, não muda nada se o exame é no Revolution CT ou em outro tomógrafo. A única coisa que muda para o paciente e para o médico é o ganho em qualidade de imagem, e a redução substancial da dose de radiação.”

Com informações da Revista Galileu

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