terça-feira, 26 de abril de 2016

Como um Medicamento para Melhorar o Bronzeado Levou os Cientistas à Pílula Rosa

O primeiro medicamento criado para estimular a libido feminina provavelmente não será o último.

Embora a "pílula rosa" recém-aprovada tenha sido apelidada de Viagra feminino, seu trabalho é mais difícil e sutil – não alterar o desempenho sexual, mas sim o desejo. É por isso que o medicamento, flibanserin, ajudou apenas uma pequena fração de mulheres nos ensaios clínicos. No entanto, alguns cientistas estão otimistas de que medicamentos similares feitos para impulsionar o desejo por sexo seguirão.

A pílula rosa, desenvolvida pela Sprout Pharmaceuticals, tomou um caminho indireto para o mercado. Flibanserin foi inicialmente testado para depressão, como muitos medicamentos são, com a esperança de que ele pudesse funcionar como o Prozac e outros inibidores chamados seletivos da recaptação da serotonina. Mas esses medicamentos aumentam a oferta de serotonina, que é um neurotransmissor, ao cérebro enquanto flibanserin diminui. E a diminuição da serotonina levou a um aumento de um produto químico versátil do cérebro, a dopamina, porque as duas substâncias se equilibram.

Cientistas suspeitam que o aumento da dopamina possa, entre outras coisas, aumentar o desejo sexual. Essa ideia surgiu a partir de pesquisas sobre um medicamento chamado bremelanotide, que foi originalmente desenvolvido e testado como um agente de bronzeamento artificial. Sob o nome Melanotan, ele foi projetado para estimular as células produtoras de pigmento do corpo, conhecidas como melanócitos, com o objetivo de prevenir o câncer de pele. Nos testes, os sujeitos não ficaram muito bronzeados, mas muitos relataram se sentir excepcionalmente excitados, diz James Pfaus, um neuroendocrinologista da Universidade de Concordia, no Canadá.

Pfaus estava entre os pesquisadores encarregues de estudar esse efeito colateral surpreendente e possivelmente lucrativo. Ele descobriu que em ratos fêmeas, bremelanotide aumentou dramaticamente a frequência de solicitação - um termo científico referindo-se à iniciação sexual, sem recompensa. Sob a influência do medicamento, ratas fêmeas solicitaram machos cerca de 40 vezes em 30 minutos, mesmo quando suas libidos normais foram suprimidos, esgotando seus hormônios femininos.

Flibanserin também aumentou solicitações de ratos, restaurando o comportamento normal em ratos cujo hormônios haviam sido depledados e que, em outras situações não iria sequer iniciar uma relação sexual.

Nos seres humanos, flibanserin mostrou um efeito em apenas 9 a 14 por cento das mulheres em situação de baixo desejo sexual, que está sendo chamada de "frigidez". O medicamento aumentou a frequência dos encontros sexuais satisfatórios, mas não muito mais do que um placebo.

Uma razão para a diferença é que os ratos não têm inibições culturais que nós seres humanos temos, diz Pfaus. "Quando ratas fêmeas querem sexo buscam por ele, se o primeiro macho não resolve elas buscam o macho 2".

E o desejo sexual em humanos é mais complexo do que, digamos, a disfunção erétil. Pfaus compara o primeiro a uma falha em um computador e o segundo a um problema de encanamento. A distinção foi feita pela primeira vez na década de 1980, diz o neurocientista da Universidade de Emory Kim Wallen. Mulheres submetidas a procedimentos médicos como a remoção dos ovários informaram que elas faziam sexo com a mesma frequência que antes, mas que elas o desejavam tanto quanto antes. Mas, embora existam muitas razões para que as pessoas percam o interesse em sexo, pode em breve haver muitos medicamentos que elas possam experimentar. "Assim que o primeiro sair para o mercado", diz Pfaus, "a porta está aberta para a invasão".

Bremelanotide, que é mais poderoso do que a pílula rosa, é uma possibilidade, embora ainda não esteja aprovado nem para bronzeamento nem para sexo. Seu caminho para se tornar um medicamento para terapia do sexo foi postergado quando uma formulação anterior, administrada como um spray nasal, causou picos de pressão sanguínea potencialmente mortais em alguns indivíduos do sexo masculino. Nessa época ele estava sendo testado como um medicamento semelhando ao Viagra – alguns dos sujeitos do sexo masculino que participavam do estudo de bronzeamento relataram ereções espontâneas. Mas agora o foco está em usá-lo para aumentar o desejo sexual em mulheres.

Com informações de Faye Flam – Tradução de Elisa Matté (Opinno) e Dikajob

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