segunda-feira, 11 de abril de 2016

Novo tratamento reduz pólipos pré-cancerígenos

Investigadores americanos identificaram o primeiro tratamento preventivo que reduz o número e tamanho de pólipos pré-cancerígenos no intestino delgado dos pacientes com Polipose Adenomatosa Familiar do Cólon (PAF-C), dá conta um estudo publicado no “Journal of the American Medical Association”.

O líder do estudo, Jewel Samadder, explica que o tratamento médico e cirúrgico dos pacientes com pólipos pré-cancerígenos no intestino delgado é difícil. “Até a data tínhamos, de fato, poucas opções de tratamento”, referiu o investigador.

A PAF-C é uma condição hereditária que ocorre num em cada dez mil indivíduos e é causada por mutações no gene APC, que é herdado de um dos pais. Os portadores da mutação no gene APC têm um risco de 100% de desenvolverem cancro colorretal. 

Os pacientes com PAF-C formam entre cem a mil pólipos no intestino delgado e grosso. Muitos pacientes removem o intestino grosso para prevenir o cancro do cólon, mas para aqueles que têm um grande número de pólipos no intestino delgado, é difícil impedir o desenvolvimento da doença.

Através de estudos realizados em células do cancro do cólon e num modelo animal da PAF-C, os investigadores da Universidade de Utah, nos EUA, constataram que o bloqueio simultâneo de duas vias bioquímicas diferentes pode inibir o crescimento do cancro.

O estudo apurou que a administração de um fármaco que bloqueia a via inflamatória impulsionada pela ciclooxigenase-2 (COX-2) e de outro que bloqueia o receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR) reduziu o desenvolvimento do cancro do intestino delgado em 87% nos animais. 

Posteriormente os investigadores decidiram testar os efeitos destes fármacos em 92 pacientes com PAF-C. Metade dos pacientes recebeu o tratamento e a outra metade um placebo. Todos os pacientes foram submetidos a uma endoscopia antes do ensaio clínico e seis meses após o início deste, com o intuito de identificar e caracterizar o tamanho e número de pólipos antes e após o tratamento.

O estudo apurou que, após seis meses, os pacientes que tinham sido submetidos ao tratamento apresentavam pólipos menores e em menor número, comparativamente com o grupo de controlo, com uma redução global de pólipos em 71%.

Os efeitos secundários mais frequentes nos pacientes submetidos ao tratamento foram acne e úlceras bocais. Ao longo dos seis meses houve uma redução das doses dos fármacos para muitos pacientes, mas estas alterações não afetaram o número nem o tamanho dos pólipos. Estes resultados sugerem que, em ensaios futuros, podem ser utilizadas doses mais baixas. 

Apesar de os resultados preliminares serem encorajadores, ainda não se sabe se a combinação dos fármacos impede por completo o cancro. Os pacientes vão ser acompanhados ao longo dos próximos dois anos, o que vai ajudar a determinar os resultados a longo prazo.

Com informações de ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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