sábado, 7 de maio de 2016

Autismo: é possível reverter sintomas na fase adulta

É possível reverter alguns comportamentos associados ao autismo na fase adulta, defende um estudo publicado na revista “Nature”.

O estudo realizado por investigadores norte-americanos e pela portuguesa Patrícia Monteiro, do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), focou-se no “Shank3”, um dos genes envolvidos no autismo.

O autismo é uma patologia sem cura que afeta cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo, e estima-se que a prevalência em Portugal seja de um caso em cada milhar de crianças em idade escolar.

De acordo uma nota divulgada pela UC, à qual, a agência Lusa teve acesso, a origem do autismo é “bastante variável”, mas o “Shank3” está “associado a uma forma monogênica da patologia” e, quando surge uma mutação, “a proteína resultante deste gene – que funciona como um ‘andaime’ que dá acesso à comunicação entre neurônios – deixa de suportar a estrutura, causando danos no circuito neuronal”.

De forma a tentar compreender o autismo, uma doença neuropsiquiátrica que compromete o normal desenvolvimento da criança e que permanece durante toda a vida, os investigadores desenvolveram, durante quatro anos, experiências em ratinhos adultos.

Após terem mutado o gene em causa nos ratinhos, os investigadores constataram, pela primeira vez que é possível reverter dois dos principais sintomas do autismo: ausência de interação social e comportamentos repetitivos.

Desta forma, os investigadores conseguiram “consertar o ‘andaime’” e restabelecer a comunicação na estrutura “durante a fase de vida adulta desses ratinhos, demonstrando que é possível reverter as alterações bioquímicas, problemas de comunicação neuronal e mesmo melhorar as interações sociais e comportamentos repetitivos”, explicou Patrícia Monteiro. 

De acordo com a investigadora, esta descoberta abre portas para a criação dos primeiros medicamentos eficazes no tratamento da doença, sustenta Patrícia Monteiro. Estes resultados indicam que, embora o autismo seja uma perturbação do desenvolvimento, é possível intervir na sua fase adulta.

As experiências em ratinhos não têm aplicação direta nos humanos, mas Patrícia Monteiro sublinha que o estudo “ajuda a compreender o conjunto de alterações biológicas presentes no autismo e abre portas para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas, como por exemplo estratégias direcionadas para a melhoria de certas alterações comportamentais passíveis de serem revertidas em fase adulta e não para o quadro de alterações comportamentais do autismo como um todo”.

Com informações de ALERT Life Sciences Computing, S.A. 

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