quarta-feira, 11 de maio de 2016

Crianças sobrevivem cada vez mais ao câncer

Após os tratamentos, duas em cada três crianças com câncer vão sobreviver cinco ou mais anos. Contudo, os sobreviventes de uma neoplasia pediátrica apresentam um risco seis vezes maior de desenvolver um segundo câncer.

De acordo com a médica responsável pela consulta dos DUROS (Doentes que Ultrapassaram a Realidade Oncológica com Sucesso), Ana Teixeira, atualmente estão inscritas 744 pessoas nesse serviço.

Segundo a notícia avançada pela agência Lusa, a maioria (58%) destes inscritos é do sexo masculino, existindo utentes dos seis aos 56 anos, com a maioria (86%) a ter entre 10 e 30 anos.

Ana Teixeira refere que muitos dos inscritos são sobreviventes de leucemias (37%), a patologia mais frequente em oncologia pediátrica, enquanto cerca de 25% são sobreviventes de linfomas e 10% de tumores renais.

Dois terços desta população (68%) apresenta pelo menos uma sequela atribuível à doença e/ou às terapêuticas realizadas, mas na grande maioria dos casos não são sequelas que afetem de forma significativa a vida ou a qualidade de vida destes sobreviventes. 

Algumas das sequelas são problemas dentários, cicatrizes cutâneas ou problemas endócrinos de fácil resolução.

As segundas neoplasias mais observadas foram os carcinomas da tiroide, tumores do sistema nervoso central e carcinomas basocelulares cutâneos.  

Os dados indicam que, para um sobrevivente de uma neoplasia pediátrica, o risco de desenvolver uma segunda neoplasia é cerca de seis vezes mais elevado do que em relação à população em geral. Atualmente, cerca de dois terços das crianças com câncer irão sobreviver cinco ou mais anos após o término da terapêutica.

Ana Teixeira refere que 42 sobreviventes tiveram 48 filhos, sendo que “a infertilidade como sequela das terapêuticas antineoplásicas tem vindo a tornar-se um problema cada vez mais raro, com uma melhor adequação das doses de quimioterapia e radioterapia a aplicar”.

“Os problemas psicológicos e de integração social são muito frequentes nesta população, embora difíceis de quantificar, e é claramente uma área onde o apoio a estes sobreviventes tem muito para melhorar”, acrescenta.

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