sexta-feira, 13 de maio de 2016

Nova arma contra o câncer

Pesquisadores norte-americanos desenvolveram um anticorpo contra células cancerosas a partir do próprio sistema imune humano. O agente foi identificado no organismo de pacientes que demonstravam uma resistência natural ao câncer e, então, clonado em laboratório. O anticorpo foi testado com sucesso em experimentos in vitro e em modelos animais, indicando que a forma de defesa natural poderia combater tumores de forma eficiente. O estudo, publicado na revista Cell Reports, pode resultar em um novo tipo de imunoterapia contra o câncer, sem os efeitos colaterais dos tratamentos tradicionais.

Os cientistas iniciaram a pesquisa depois de constatarem que um seleto grupo de pacientes com tumores no pulmão pareciam nunca piorar da doença. Ao investigar o organismo desses indivíduos, eles encontraram uma classe de anticorpos especialmente eficientes contra um tipo de proteína chamada fator H, cuja função é proteger as células cancerígenas de ataques do sistema imune. Esse fator blinda as estruturas ao impedir o depósito de um complemento que poderia destruir a membrana celular. A pesquisa mostrou que o anticorpo é capaz de desarmar esse mecanismo de proteção. O agente de defesa usado nesse estudo pode superar esse sistema graças a um mecanismo de ataque.

Assim que o tipo especializado de anticorpo foi encontrado, os pesquisadores procuraram uma forma de usar essa arma em uma terapia contra o câncer. Para isso, eles teriam de selecionar apenas os agentes que eram capazes de reconhecer a mesma parte do fator H usada como porta de entrada pelos anticorpos que protegem pacientes no primeiro estágio do câncer. Dessa forma, os cientistas esperavam encontrar anticorpos com uma afinidade especial por tumores, e que não fariam mal às estruturas saudáveis.

Clonagem

Os anticorpos especiais foram identificados no sistema imune de pacientes com câncer que tiveram os genes dos leucócitos copiados. O grupo de pesquisa conseguiu, então, isolar e clonar os genes responsáveis pela produção dos anticorpos capazes de combaterem a doença. O sistema de defesa fabricado em laboratório foi testado contra vários tipos de câncer, incluindo de pulmão, estômago e mama. Os resultados positivos do experimento levaram os cientistas a usar o método também em ratos com tumores, uma estratégia que também teve sucesso. Os anticorpos causaram a morte das células malignas, sem efeitos colaterais.

Os pesquisadores acreditam que o superanticorpo possa ser usado para modular a resposta imune do paciente e conter o crescimento de tumores. “Esse é o primeiro anticorpo totalmente derivado de humanos usado no desenvolvimento de uma terapia contra o câncer, o que é bastante diferente de outras abordagens de imunoterapias”, declarou em um comunicado Edward Patz Jr., professor do Departamento de Farmacologia e Câncer na Universidade de Duke, nos Estados Unidos. “Essa pesquisa pode representar uma forma totalmente nova de tratar o câncer”, ressaltou Patz.

"Esse é o primeiro anticorpo totalmente derivado de humanos usado no desenvolvimento de uma terapia contra o câncer. Pode representar uma forma totalmente nova de tratar o câncer” - Edward Patz Jr., professor do Departamento de Farmacologia e Câncer na Universidade de Duke

Com informações do Correio Brasiliense 

Nenhum comentário:

Postar um comentário