domingo, 29 de maio de 2016

Novo mecanismo proposto para refluxo gastroesofágico

O ácido no “refluxo ácido” pode não ser a causa direta dos danos no esôfago, sugere um estudo publicado no “Journal of the American Medical Association”.

Há mais de 80 anos que se assume que o ácido do estômago sobe pelo esôfago e danifica a parede ao causar queimaduras químicas. Contudo, os investigadores da Universidade do Texas, nos EUA, sugerem que os danos provocados pela doença do refluxo gastroesofágico ocorrem na verdade através de uma resposta inflamatória desencadeada pela secreção de proteínas conhecidas por citocinas.

Stuart Spechler, o líder do estudo, sugere que apesar de esta mudança radical no conceito de como o refluxo ácido danifica o esôfago dos pacientes com doença de refluxo gastroesofágico não alterar, num futuro próximo, a atual abordagem de tratamento pode ter implicações substanciais a longo prazo.

“Um dia talvez tratemos a doença do refluxo gastroesofágico com medicamentos que tenham por alvo as citocinas ou células inflamatórias que causam de fato os danos no esôfago”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Rhonda Souza.

O estudo teve por base experiências realizadas em ratinhos que demonstraram que demora várias semanas desde que o ácido do estômago entra em contacto com o esôfago até os danos ocorrerem. 

Para o estudo, os investigadores analisaram pacientes com esofagite de refluxo que tinham sido tratados com sucesso com fármacos conhecidos por inibidores da bomba de prótons. Os investigadores pensavam que a doença do refluxo gastroesofágico se desenvolveria de novo se o tratamento com estes fármacos fosse interrompido, fornecendo assim uma oportunidade para observar as primeiras etapas da doença.  

Os investigadores verificaram que, em 11 dos 12 pacientes com esofagite de refluxo (uma lesão no revestimento do esôfago), ocorreram alterações no esôfago após o tratamento com os inibidores da bomba de prótons ter sido interrompido. Contudo, verificou-se que as alterações que ocorreram não eram consistentes com queimaduras químicas. Os resultados apoiam a ideia de que o refluxo do ácido do estômago estimula o esôfago a produzir pequenas proteínas, as citocinas, que iniciam o processo de inflamação.

Na opinião dos investigadores, estes achados desafiam algumas crenças antigas de como o refluxo gastroesofágico danifica a mucosa do esôfago e abrem novos caminhos para o tratamento desta doença.

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